Arquivo para outubro 2011

UNFCCC de cara nova

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Eric Camara | 20:39, terça-feira, 25 outubro 2011

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Entrou no ar ontem (24 de outubro) o novo site da Convenção das Nações Unidas para Mudanças Climáticas (UNFCCC).

À primeira vista realmente parece que o site ficou mais leve e melhor para navegar entre os milhares de documentos que fazem parte do complexo sistema burocrático da convenção.

A outra grande novidade foi a mudança do selo UNFCCC, que até então era este aqui abaixo.

unfccc

Agora, de acordo com a instituição, com o intuito de facilitar a impressão e baratear o custo dos documentos oficiais, o logo deixou para trás o tecnicamente complicado degradê vermelho e passou a ser azul e menorzinho. O processo para mudança do logo começou em 2009.

Veja abaixo como ficou:

unfccc new logo

A ideia é que até o encontro de Durban, que começa no fim de novembro, a nova marca substitua a antiga. Que tal?

'Dez bilhões é o limite a que devemos nos ater'

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Eric Camara | 16:29, terça-feira, 25 outubro 2011

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O Planeta & Clima traz um artigo escrito pelo professor Edward Wilson, da universidade de Harvard, nos Estados Unidos, sobre os impactos do crescimento populacional sobre o meio ambiente. Confira abaixo:

Consumo crescente é principal ameaça do crescimento da população

É absolutamente crucial agora monitorar de perto o crescimento da população humana. De fato, estamos acelerando, com a estimativa de 9 bilhões em 2043, acima do que se esperava anteriormente a partir de análises de população feitas pelas Nações Unidas.

Dez bilhões é o limite a que deveríamos nos ater. Podemos fazer isso, e pelo menos as tendências apontam na direção certa, com quedas nos índices de natalidade em todos os continentes. Mas deveríamos nos esforçar mais para ao mesmo tempo nos afastarmos da opressão às mulheres e de gestações indesejadas.

Ainda mais importante que isso, deveríamos estar pensando de forma mais criativa sobre a questão do crescimento do consumo per capita no futuro em todo mundo.


Este aumento vai ser devastador e certamente será necessário tratar disso de forma a se alcançar sustentabilidade na alimentação e provisão de níveis decentes de moradia ao redor do globo. Isso não parece realmente estar na agenda mundial de forma a causar impacto nos países e nas pessoas mais atingidas pelo problema.

Estou particularmente preocupado com o que estamos fazendo com outras formas de vida. Estamos destruindo a diversidade biológica, que consiste de ecossistemas e das espécies que os habitam.

O perigo de sermos 'mais ou menos verdes'

Parte do nosso problema é que ao se tornar "mais ou menos verde", a população mundial tem se concentrado nas partes não vivas do meio ambiente, nos recursos naturais, na qualidade da água, na atmosfera, mudança climática e outros.

Até aí tudo bem, mas agora, deveríamos estar dando igual atenção à parte viva do meio ambiente - os ecossistemas que sobrevivem e a grande maioria das espécies, que têm milhões de anos e estão em pleno processo de erosão.

Gostaria que déssemos mais atenção à criação de reservas e parques naturais em todo mundo. Em alguns lugares isso vem acontecendo, aleatoriamente, mas não da forma necessária.

Realmente precisamos separar mais regiões em que a natureza, o resto dos seres vivos possam ser protegidos, enquanto resolvemos os problemas da nossa espécie e nos ajustamos antes de destruir toda a Terra.

Opções para o próximo século

Ou sairemos deste século e entraremos no século XXII com um planeta em condições muito ruins e com muito menos condições de abrigar vida ou sairemos dele com a maior parte das outras formas de vida preservada e com o potencial para reconstruir a natureza de forma a dar à Humanidade uma chance real de viver no paraíso, com níveis de vida decentes para todos.

Não podemos esperar que os países em desenvolvimento criem programas de produção e consumo sustentáveis enquanto os países desenvolvidos não larguem na frente e mostrem o caminho. No momento, os ricos têm padrões absurdos de consumo, e as diferenças entre os setores mais ricos e os mais pobres estão cada vez maiores mesmo nos países em desenvolvimento.

Essa é uma tendência muito perigosa. Precisamos dar o exemplo nos países desenvolvidos adotando, no mínimo, medidas de limitação do consumo e uma distribuição mais inteligente da riqueza.

O biólogo Edward O. Wilson é professor da universidade de Harvard, nos Estados Unidos, e atua como pesquisador, naturalista e escritor. Ele ganhou duas vezes o prêmio Pulitzer para não-ficção e trabalha no museu de Zoologia Comparativa de Harvard.

A Alemanha pós-nuclear

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Eric Camara | 20:54, segunda-feira, 24 outubro 2011

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Participei na semana passada de um interessante encontro de dois dias sobre mudanças climáticas em Berlim, na Alemanha. Os assuntos foram vários e pretendo trazer pelo menos algumas reflexões para o Planeta & Clima.

Neste primeiro post, acho que vale comentar o atual clima na Alemanha pós-Fukushima dentro do tema energia.

Como sabemos, o acidente nuclear que se seguiu ao terremoto e ao tsunami de março, no Japão, levaram o governo alemão a decretar em junho o fim do uso da energia nuclear até 2022 - a chamada Energiewende (em português, poderia ser traduzido como virada energética).

Há dois anos, parecíamos estar às vésperas de uma nova era nuclear, tamanha era convicção que seus defensores mostravam em discursos sobre as opções para um futuro livre de dióxido de carbono. De fato, vários países (entre eles a Grã-Bretanha e França) apresentaram novos investimentos no setor.

Hoje, na Alemanha, não se fala mais nisso e parece não haver qualquer remorso. O motivo para isso é simples: com 20% do seu mix energético de energias limpas e crescendo, poucos duvidam que será possível substituir a os outros 20 e poucos por cento da energia nuclear por outras fontes.

Possível, mas nem tão fácil assim. Em um mundo ideal, a opção seriam fontes renováveis. Se a produção não for suficiente, e para muitos não será, alguns apostam no gás natural para a transição - que não é totalmente limpo, mas é bem melhor que o carvão. Outros, no chamado CCS (sigla em inglês para captura e armazenamento de carbono), uma tecnologia que poderia "limpar" as usinas termelétricas de carvão.

O otimismo é tanto que, que ouvi o presidente da Agência de Meio Ambiente da Alemanha, Jochen Flasbarth, dizer que a preocupação maior do órgão que preside é com um objetivo ainda mais ambicioso: uma economia livre de carbono até 2100. A meta de 40% de redução de emissões até 2020 para ele já está "garantida".

O otimismo é compreensível. Em meio à crise econômica mundial, com todas as dificuldades que um país exportador como a Alemanha enfrenta, basta olhar para a tradicionalmente empobrecida costa norte do país para entender.

solar panels, germany

Foi ali, no vácuo da indústria naval em dificuldades, que surgiu nos últimos anos boa parte dos mais de 300 mil empregos estimados atualmente no setor de energia renovável alemão. A região com histórico de décadas de desemprego crescente, de repente se tornou uma história de sucesso.

Atualmente, a Alemanha exporta painéis solares e turbinas de vento para o mundo todo. Os investimentos em pesquisa e desenvolvimento continuam acelerados, agora com o incentivo a mais apresentado pela Energiewende. Não é impossível imaginar que dentro de poucos anos tecnologias economicamente viáveis de CCS estejam no mercado.

Seria, com 40 anos de atraso, a concretização do slogan "Atomkraft, nein danke", criado na Alemanha da década de 70, com uma vantagem adicional: emissões zero.

União Europeia vai defender Kyoto só até 2020

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Eric Camara | 17:31, sexta-feira, 14 outubro 2011

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Nesta semana, o Conselho da União Europeia acertou os ponteiros do bloco para duas importantes reuniões: Durban (reunião das Nações Unidas sobre mudança climática), agora no fim de novembro, e a Rio +20, que discutirá o desenvolvimento sustentável no ano que vem.

Dias depois do fim da reunião preparatória para Durban no Panamá terminar sem apontar um caminho para o futuro do Protocolo de Kyoto, representantes dos ministérios do Meio Ambiente dos 27 países da UE puseram o acordo no alto da sua agenda política.

Foram discutidos detalhes de como deveria ser um segundo período de compromisso sob Kyoto (o atual expira ao fim de 2012), mas o bloco foi cuidadoso ao dizer que continua a acreditar que "um único instrumento com força de lei seria a melhor estrutura para o período pós-2012".

Dessa forma, reforça o argumento por Kyoto, mas prevê uma saída de emergência para o caso de uma debandada geral na África do Sul.

Outro ponto importante é que a Europa vai defender que este possível novo período de Kyoto seja também o último, antes da fusão dos chamados dois trilhos de negociação: os planos de longo prazo da Convenção das Nações Unidas para Mudança Climática (UNFCCC, na sigla em inglês) e o Protocolo de Kyoto.

Traduzindo o "negociês", os europeus até admitem em tese a existência de mais alguns anos de cortes de emissões obrigatórios sem a participação dos Estados Unidos (que não faz parte do Protocolo de Kyoto), mas desde que só até 2020.

Além disso, defenderá uma aproximação gradual entre Kyoto e a convenção e afastará a possibilidade de novas extensões.

Isso não significa que a Europa vá defender o enterro de Kyoto a partir de 2020.

A ideia dos europeus é manter sob outro arcabouço legal algumas das estruturas criadas no protocolo - entre elas, o mercado de créditos de carbono e o chamado Lulucf, que permite a avaliação das emissões provocadas por desmatamento e outras mudanças do uso da terra.

Para a reunião no Rio de Janeiro (em junho de 2012), o conselho europeu deve levar na bagagem a proposta de criação de um "mapa para a economia verde", ou seja, um documento que deixe claro de que forma a transição para uma economia mais sustentável levará em conta as necessidades das camadas mais pobres das sociedades.

Política climática: Kyoto sobreviverá a Durban?

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Eric Camara | 17:57, sexta-feira, 7 outubro 2011

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Nesta sexta-feira, terminou mais um encontro preparatório para a conferência anual das Nações Unidas sobre mudança climática que começa no fim de novembro em Durban, na África do Sul.

A reunião foi no Panamá, e mais uma vez, os sinais foram desanimadores para aqueles que torcem por um acordo para cortar emissões de gases que provocam o efeito estufa e dessa forma limitar o aquecimento da Terra nas próximas décadas.

Os dilemas continuam os mesmos - países ricos insistem em abandonar o Protocolo de Kyoto, exigem compromissos formais e mensuráveis dos grandes países em desenvolvimento (leia-se China e Índia), enquanto os países mais pobres insistem em manter Kyoto e exigem maiores investimentos para adaptar-se às mudanças do clima e se desenvolver de forma limpa.

Para complicar mais um enredo que já vem complicado desde 2009, na malfadada reunião de Copenhague, o mundo mais uma vez parece estar à beira de uma recessão de proporções históricas.

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Isso importa por vários motivos, mas vou me concentrar em apenas dois:

1. Dinheiro. A expectativa de países pobres e em desenvolvimento, segundo o princípio acertado durante a Rio 92 de "responsabilidade histórica" (a responsabilidade é de todos, mas aqueles que mais poluíram têm que arcar com consequências maiores), é de novos financiamentos. O problema é que até o momento não se chegou perto de qualquer acordo a valer a partir de 2013, quando acabam os últimos compromissos assumidos (de 2010 a 2012).

E que governo quer liberar novos fundos enquanto enfrenta desemprego e estagnação domesticamente?

2. O Protocolo de Kyoto. O único acordo internacional criado para combater as mudanças do clima vence no fim do ano que vem. Isso significa que, enquanto a ciência reforça cada vez mais a necessidade de se tomar medidas para coibir a emissão de gases do efeito estufa, o mundo - como um todo - caminha na direção oposta. E que político vai considerar adotar metas que poderiam ser classificadas pela oposição de "rédeas ao crescimento econômico"?

O problema é que os Estados Unidos não ratificaram Kyoto, o que significa que só os outros países industrializados é que até hoje têm a obrigação internacional de reduzir as suas emissões. Ninguém, entre eles, quer que a situação continue assim. O Japão quase parou as negociações em Cancún, no ano passado, ao dizer que estaria fora de um segundo período de compromisso sob Kyoto, voltando atrás relutantemente.

Até o momento, só a União Europeia aceita incluir as propostas de cortes de emissão apresentadas voluntariamente em Cancún em um documento formal. Mesmo assim, só se for com salvaguardas para evitar que fiquem presos a um acordo praticamente sozinhos entre os industrializados.

A Austrália e a Noruega apresentaram no Panamá uma nova proposta de acordo que na prática acaba com Kyoto, criando um novo acordo a ser assinado em 2015, mas que já começaria a ser operacionalizado em Durban, com a oficialização das metas de redução apresentadas voluntariamente no ano seguinte.

Com isso, cada país teria até 2018 para aprovar e instrumentalizar o acordo internamente. Até lá, todos torcem, a crise já terá passado.

O único problema é saber como convencer os países em desenvolvimento a aceitar jogar Kyoto no lixo e recomeçar a partir do (pouco) que existe.

O embaixador argentino Jorge Arguello, em nome do grupo dos países em desenvolvimento (G77 + China) disse, no Panamá, que "o único resultado significativo para Durban é a continuação de Kyoto".

Será que Durban vai marcar o fim de Kyoto ou o fim das negociações como um todo? Ou qual será a terceira via?

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