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Um troféu para um novo Brasil

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Rogério Simões | 2009-10-02, 17:13

rio.jpgNa disputa entre Brasil e Estados Unidos, venceu o futuro. E o presente. O Comitê Olímpico Internacional olhou para frente e para tudo o que o Brasil já conquistou em seu mais recente período de estabilidade política e econômica. A escolha do Rio de Janeiro como sede da Olimpíada de 2016 foi um reconhecimento do potencial de transformação que os Jogos podem ter sobre a ex-capital brasileira. Mas também uma recompensa pela clara mudança nos últimos anos na percepção que o mundo todo tem do Brasil e da América do Sul.

Em 1980, a Olimpíada em Moscou marcou a consolidação de avanços que a União Soviética havia obtido como superpotência global, liderando o então bloco comunista. Oito anos depois, os Jogos de Seul coroavam o avanço econômico da Coréia do Sul, que de país devastado pela guerra nos anos 50 atingira o status de tigre asiático em apenas três décadas. Os Jogos de 1992 em Barcelona foram símbolo de uma nova Espanha, democrática após os anos Franco e recém-integrada à desenvolvida Comunidade Européia. Em 2004, a Grécia teve a chance de provar que havia dado o seu prometido salto de desenvolvimento, e os Jogos de 2008 oficializaram o papel da China como a maior potência emergente do século 21. Como aconteceu em muitos Jogos nas últimas décadas, a realização da Olimpíada de 2016 no Rio de Janeiro é o símbolo de um novo Brasil.

A imagem brasileira no exterior, especialmente aqui na Europa, é hoje associada à ideia de uma surpreendente nova potência, em constante ascensão. O presidente Luiz Inácio Lula da Silva, chamado por Barack Obama de "líder mais popular do mundo", espalha carisma a cada viagem sua ao exterior, diante de platéias que admiram conquistas econômicas e sociais, mas pouco sabem de escândalos da política partidária brasileira. A conquista olímpica carioca reforça a imagem de Lula como líder transformador, o comandante de uma nação que parece, finalmente, ver sonhos antigos se tornarem realidade. É verdade que a corrupção na política ou a violência urbana continuam, e a distribuição de renda segue vergonhosa para uma das dez maiores economias do mundo. Mas o sentimento geral é de que o mundo testemunha o aparecimento de um novo Brasil.

A realização da Copa do Mundo dois anos antes da Olimpíada, a participação ativa do Brasil no G20, a importância do país nas negociações sobre aquecimento global e o crescimento da influência política do Brasil em várias partes do mundo apontam para isso. Um novo Brasil, vitorioso na Olimpíada, no futebol, na economia global e nas relações internacionais. O mundo reconheceu os avanços recentes do país, entregou-lhe um troféu pelo que já mostrou ser capaz de fazer e agora imagina o que poderá vir até 2016. Resta ao país, nestes próximos sete anos, provar que os avanços obtidos até agora não foram mero acidente.

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  • 1. às 05:17 PM em 03 out 2009, Katya Braghini escreveu:

    Caro Rogério Simões,
    É possível perceber que uma sucessão de eventos tem demarcado uma nova posição do Brasil no cenário internacional: o fato de o país ser um nome importante na constituição do G20 como arena de discussões políticas e econômicas; a nossa "sorte" por ter encontrado tamanha quantidade de petróleo no pré-sal; a retirada do Brasil do nível "vermelho" diante da crise mundial; a vitória do país como sede da Copa do Mundo e a do Rio de Janeiro como sede de Olimpiada, entre outros tantos símbolos nossos que tomou conta do mundo. Decerto que isso vem associada à figura do Presidente da República, que além de ser chamado de "o cara" por Barack Obama, ser apontado como o político mais popular da atualidade pela mídia internacional, ainda é um ser humano que, pensando em sua vida, questiona a idéia de que um individuo não é capaz de alterar a série de eventos históricos. É óbvio que eu não estou defendendo a idéia de que ele se fez sozinho. Mas é inquestionável que, aos olhos do mundo, o Brasil já não é mais o mesmo... E, para tristeza de muitos, é impossível dissociar esse fato histórico à figura da Presidência. Isso não apaga a corrupção, a violência, e os absurdos índices de diferença social dentro de nosso país, mas há de se pensar que corrupção, no Brasil, não é só um caso entre políticos; violência, também tem a ver com o descaso de uma elite rica para com os pobres; e as diferenças sociais gritantes estão associadas, de forma crassa, a uma parcela da população que não admite abrir a porta da ascensão social para aqueles que vem de baixo. Distinguir-se da "ralé" é um esforço quase coletivo em meio a alguns brasileiros, portanto, embora a classe política tenha responsabilidade nisso, não é a a única que leva a culpa. Portanto, todos os brasileiros estão implicados nesta parcela triste da nossa história. Da mesma forma é possível pensar o seguinte: todos nós estamos implicados nessa nova era de orgulho diante do mundo. Se alguém esperou pelo "país do futuro", o país do futuro, chegou. E se tem gente que desacredita nisso, vê mais não enxerga, é porque precisa estudar um pouco mais de História do Brasil.

  • 2. às 10:10 PM em 03 out 2009, Dante Caleffi escreveu:

    Não existem ingênuos acima do Equador. Sabem tudo e principalmente e que é verídico e o que é forjado.Conhecem a força manipuladora da mídia brasileira,nas mão de apenas "quatro fammílias".Isso sim a mais vergonhosa concentração de informações numa nação como o Brasil. Os números de concentração de renda são difícei de debelar pela força dessas "famílias" e que elas reprentam.Levram um presidente ao suicídio, promovera inúmeras tentativas de golpes de estado e pelo menos um bem sucedido ,que se manteve por 21 anos.Boicotaram todas as manifestações pela volta da democracia,impediram que o atual presidente disputasse em igualdade de condições em pleitos anteriores, emantém o propoósito golpista com intuito de desfazer todos os avanços soiciais e econônicos. A postura do Brasil, de hoje ,não tem
    semelhança com nenhum estagio anterior da nossa história.Isso em apenas sete anos! Imagine essa mesma política conduzida por o triplo do tempo!

  • 3. às 06:07 PM em 04 out 2009, Daniel Murillos escreveu:

    Pão e circo para os brasileiros!
    Que irônico, quase dois mil anos depois a história confirma, mais uma vez, que uma sociedade (entendida como civilização) cuja base educacional é crítica, consegue ser fácilmente ludibriada e manipulada por uma cúpula governamental astuta e muito bem intencionada.
    .
    Para quem não sabe a política do "pão e circo" adotada no império romano previa "o provimento de comida e diversão" para todos os romanos "em detrimento da liberdade, com o objetivo de diminuir ou acabar com os conflitos."

    Num contexto diferente a história se repete... FOME ZERO e ESTÁDIOS para todos!
    Muito entretenimento para a "massa" de barriga cheia, e cabeça vazia!
    .
    Assim, bem distraída a população desvia a atenção (ou o pouco interesse que realmente tem e exerce) de todos os assuntos realmente importantes e fundamentais para a contrução de uma nação justa e igualitária, e abre caminho para os gatunos se apropriarem e direcionarem o destino do país da maneira que melhor for conveniente para eles, melhor, o bolso deles.
    Isso tudo com uma população ingênua, para não falar ignorante, aplaudindo (da arquibanca dos novos estádios).
    .
    É óbvio, mas vale lembrar... Roma "se deu ao luxo" de adotar tal política na condição de maior império que a história já viu. Seu destino, todos já sabemos.
    E o Brasil?

  • 4. às 12:27 PM em 27 out 2009, Andre Fernos escreveu:

    Sobre esse texto do Daniel Murillos, posso dizer que eh incrivel como brasileiros sao educados desde a infancia para enxergar o Brasil sempre com um olhar inferior, sempre os mesmos topicos, as mesmas desculpas para o pais nao se desenvolver, sempre a torcida para que nada de certo. Esta certo que existe no Brasil um certo atraso mas essa falta de positividade, que faz com que paises se imponham aos outros, prejudica em muito nosso pais, tive uma amiga chinesa que dizia que o governo da China estava trabalhando para transformar esse pais em uma grande e importante potencia, e olha que comparando eles nao possuem liberdade de imprensa, existe muita pobreza por la ainda mas essa positividade levara o pais a prosperidade... O que sobre para nos, os brasileiros? Reclamar, reclamar, reclamar... Esse conceito de pao e circo de Roma eh coisa de 2000 anos atras... ja passou, as pessoas precisam de comida e divertimento, com certeza mas dizer que a Olimpiada nao vae contribuir com o Brasil, eh no minimo simplista, basta pensar na infraestrutura e no turismo, mesmo se o pais fizer bem feito, isso gerara uma imagem positiva em sentido global e trara mais auto estima ao brasileiro. Precisamos parar de detonar nosso pais, acho que somos um dos poucos povos que fazem isso so que esquecemos que o governo, a violencia eh reflexo de nossa baixa auto estima.

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