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Última actualização: 24 Fevereiro, 2011 - Publicado às 03:57 GMT
 
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Obama diz que uso de força na Líbia é 'inaceitável'
 
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Milhares de pessoas nos portos e aeroportos tentam deixar o país
O presidente norte-americano Barack Obama condenou a supressão violenta dos manifestantes anti-governo na Líbia descrevendo as acções das autoridades como "escandalosas e inaceitáveis".

Obama disse que o mundo precisava de falar "a uma só voz" e revelou que os Estados Unidos estavam a estudar opções de acção em consulta com os seus aliados.

A discursar em Washington, Obama disse que era tempo de pôr fim à violência:

"O sofrimento e o banho de sangue é um escândalo e inaceitável; como o são as ameaças e as ordens dadas para atirar sobre manifestantes pacíficos e punir o povo líbio. Estas acções violam as normas internacionais e todas as normas de decência. A violência tem que parar."

Receios

As palavras de Barack Obama chegam num momento em que o Coronel Muammar Gaddafi tenta manter o controlo da região oeste da Líbia e da capital, Tripoli.

Os manifestantes da oposição - apoiados por muitas forças governamentais que entretanto desertaram - consolidaram o seu controlo sobre o leste do país.

Mas da capital, chegam relatos de residentes com medo de saír de casa, por recearem serem abatidos a tiro pelas forças governamentais.

Apesar da dificuldade em determinar um número exacto de vítimas, devido às restrições impostas ao exterior, a organização Human Rights Watch diz estimar em trezentos o número de mortos, enquanto que a Federação Internacional dos Direitos Humanos coloca a fasquia em sete centenas.

Cabeças cortadas

Nos portos e aeroportos da Líbia são milhares os estrangeiros que continuam a tentar fugir.

Nas fronteiras com a Tunísia e o Egipto a afluência também é bastante grande, na sua maioria de tunisinos e líbios.

Alguns deles relataram à BBC o que tinham testemunhado em Tripoli:

"Há pessoas a morrer minuto a minuto, e quando as pessoas estão feridas e são enviadas pelas famílias para o hospital, os militares de Gaddafi cortam-lhes a cabeça. Por favor, precisamos de ajuda!"

"Tripoli está deserta, é um cenário apocalíptico porque há tiroteios e insegurança, em especial na baixa de Tripoli".

Sanções

A secretária de estado norte-americana Hillary Clinton sublinhou que os responsáveis pela violência contra civis na Líbia devem ser levados à justiça, enquanto que em Bruxelas, a União Europeia está a considerar a imposição de mais sanções.

Em Nova Iorque, o secretário-geral da ONU Ban ki-Moon também avisou contra a possibilidade de um inquérito a violações dos direitos humanos e disse estar preocupado com a situação humanitária, apelando aos países vizinhos da Líbia, no norte de África e na Europa, que não deportassem migrantes líbios em fuga do seu país.

Apesar de em vários pontos da Líbia se continuarem a registar confrontos entre facções pró e anti-governo, nas cidades de Benghazi e Tobruk, no leste do país, assisitiram-se a cenas de júbilo entre manifestantes anti-governo, que correspondentes descreveram como uma enorme festa.

Apesar das ameaças, os manifestantes dizem estar a planear para sexta-feira a primeira acção de protesto coordenada em Tripoli.

 
 
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