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Última actualização: 17 Dezembro, 2009 - Publicado às 02:29 GMT
 
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Impasse continua a pairar em Copenhaga
 

 
 
Alterações climáticas

As negociações sobre o clima em Copenhaga entram hoje no penúltimo dia, com
os negociadores britânicos a afirmarem que estas estão “muito complicadas” e já surgem rumores de que uma nova cimeira poderá ter de ser marcada dentro de seis meses para desbloquear o impasse actual.

No entanto, algum progresso foi registado: o Japão prometeu às nações pobres 15 mil milhões de dólares durante três anos se um acordo se materializar e um bloco de seis países (EUA, Reino Unido, Japão, França, Austrália e Noruega) anunciou financiamento de 3,5 mil milhões de dólares para o combate à desflorestação.

Manifestante vestido de Pai Natal
Há ainda quem acredite num milagre

No Centro Bella na capital dinamarquesa adensam-se os rumores de que um acordo político vinculativo está cada vez mais distante e que os líderes mundiais poderão antecipar a próxima cimeira do clima que se iria realizar no México, podendo esta ter lugar já dentro de seis meses.

Com a ameaça de um impasse, o próprio chefe do programa ambiental da ONU, Achim Steiner, disse ser preferível adiar o selar de um acordo até que estejam criadas as condições ideais para tal, evitando-se assim o que disse ser “mais uma década de acções e cooperação inadequadas. Se o tempo se esgotar, podemos sempre parar o relógio e voltar os ponteiros para a hora certa”, afirmou.

Obama

Há ainda quem acredite que com a presença de Barack Obama na sexta-feira, e talvez com um milagre que ele traga consigo, se possa conseguir ainda salvar esta cimeira.

O secretário-geral da ONU já avisou os países em desenvolvimento que seria melhor começarem a preparar-se para que os compromissos financeiros se restringissem ao curto prazo por agora.

Camila Moreno
Camila Moreno, dos Amigos da Terra, protestou contra a exclusão de muitas ONGs das negociações

A China reclamou entretanto existir falta de transparência no processo negocial, algo do qual também se queixaram as ONG’s, na sua maioria afastadas das negociações no final desta semana.

Os seus representantes como Camila Moreno, da organização ambientalista, Amigos da Terra, apontam para a ausência de passos concretos nas discussões e esta quarta-feira protestaram em solidariedade com as centenas de potenciais delegados excluídos das negociações.

Permanecem muitos aspectos por resolver – daí a quase totalidade da declaração em discussão se apresentar entre parêntesis - os mais importantes são as metas de reduções nas emissões de CO2, como se vai processar o financiamento aos países mais pobres e acima de tudo se o valor máximo do aquecimento global se deve limitar aos 2 graus ou grau e meio.

Zenawi

Entretanto o primeiro-ministro etíope, Meles Zenawi, juntamente com o presidente francês Nicolas Sarkozy e o primeiro ministro britânico Gordon Brown, terão sugerido uma proposta de compromisso, mas muitas nações africanas mostraram-se insatisfeitas com esse acordo.

Manifestantes
Várias ONGs acusam o líder etíope de ter “vendido África”.

Zenawi sugeriu novas formas de financiamento aos mais pobres, falando de um imposto sobre viagens aéreas e transacções bancárias para financiar um fundo de ajuda. Mas várias ONGs africanas acusam o líder etíope de ter “vendido África”.

Uma preocupação que não passa ao lado de alguns dos presentes. Waahu Kaara, da ONG Rede de Perdão das Dívidas, disse que depois do premir do botão de emergência por parte das nações africanas e que levou à suspensão temporária dos trabalhos, algo se terá passado…

Justiça

“Tudo voltou à normalidade (business as usual), e é por isso que aqui estou. Com a voz das comunidades do Sul, para prestar atenção e estar vigilante porque afinal de contas as soluções vêm das comunidades”, considerou.

Para a activista queniana é preciso que o hemisfério Sul continue a exigir a justiça que lhe é devida.

“Já basta, eu venho do Sul e não sou responsável por dívidas económicas, ecológicas ou climáticas e exigimos dinheiro já. É um desafio para mim como cidadã global, para a minha soberania, antes de mais alimentar-me a mim própria e à minha nação, porque nações que não alimentam os seus não têm direito a ter relações internacionais. Podem continuar surdos a este apelo, mas vou continuar a falar, é preciso continuar a falar com a pedra. Quem sabe a pedra acorde um dia destes”, desejou.

O grupo que representa os países africanos concordou entretanto em diminuir as suas exigências de fundos das nações mais ricas e aceitou os cem mil milhões de dólares de financiamento anual oferecido pela União Europeia até 2020.

 
 
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