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Última actualização: 16 Dezembro, 2009 - Publicado às 18:05 GMT
 
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Cimeira de Copenhaga marcada por protestos
 

 
 
Polícia a dispersar os manifestantes
Cimeira foi palco de protestos de várias centenas de manifestantes
Dezenas de representantes de Organizações Não Governamentais abandonaram o edifício onde decorrem as discussões sobre o clima em solidariedade com aqueles cuja presença foi desautorizada.

Mais de 120 chefes de estado e de governo tentam "salvar" um acordo vinculativo em matéria de alterações climáticas, que parece cada vez mais distante.

Lá fora a polícia acabaria por actuar sobre centenas de manifestantes que tentaram saltar o perímetro de segurança, obrigando as autoridades a encerrar as entradas no local.

Uma proposta de declaração final continua em debate mas emergem cada vez mais sinais da lentidão do processo e da dificuldade em encontrar um consenso entre nações desenvolvidas e em desenvolvimento.

O próprio centro acabou por ser encerrado, depois das centenas de manifestantes tentarem passar o cordão policial.

Pouco tempo mais tarde alguns delegados e representantes de ONGs descontentes com a perspectiva de não se encontrar um acordo solidarizaram-se com os manifestantes e provocaram um burburinho enorme.

Substituição

Uma hora mais tarde chegava o anúncio do abandono de Connie Hedegaard, a Ministra dinamarquesa do Ambiente que até agora presidia a esta cimeira.

Ela foi substituída pelo Primeiro Ministr,o Lars Loekke Rasmussen, com quem aparentemente havia alguma fricção.

A polícia anunciou entretanto pelo menos 100 detenções entre outras centenas de manifestantes que marcharam do centro da capital até aqui ao edifício.

O dia pertenceu aos altos dignitários já presentes, mas começou também com atrasos depois de algumas nações em desenvolvimento se terem queixado de irregularidades processuais nos trabalhos.

Há quem já diga que só Obama e um milagre que ele traga consigo é que pode conseguir salvar esta cimeira.

O Secretário-Geral da ONU já avisou os países em desenvolvimento que seria melhor começarem a preparar-se para que os compromissos financeiros se restringissem a curto prazo por agora.

A China acusou a Dinamarca de falta de transparência no processo negocial, enquanto que outras nações dizem que estão a aparecer várias revisões do texto inicial sem que as partes sejam adequadamente escutadas.

Questões pendentes

Entre os muitos aspectos que continuam por resolver – daí a quase totalidade dos parágrafos da declaração em discussão estarem escritos entre parentesis - os mais importantes são as metas de reduções nas emissões de CO2.

Outras questões dizem respeito à forma de processar o financiamento aos países mais pobres e acima de tudo se o valor máximo do aquecimento global se deve limitar aos 2 graus ou apenas grau e meio.

E é neste ponto que estalou mais uma controvérsia. O Primeiro Ministro, Meles Zenawi, juntamente com o Presidente francês, Nicolas Sarkozy, e o Primeiro Ministro britânico, Gordon Brown, preparam-se para apresentar uma proposta.

Esta proposta visa ultrapassar o impasse mas muitas nações africanas não estão nada satisfeitas e fala-se de que irão rejeitar o acordo.

Zenawi sugeriu novas formas de financiamento aos mais pobres, fala-se de um imposto sobre viagens aéreas e transacções bancárias para financiar um fundo de ajuda.

Mas várias ONG’s africanas acusam o líder etíope de ter "vendido África".

Waahu Kaara, da ONG Rede de Perdão das Dívidas dizia que depois do premir do botão de emergência por parte das nações africanas e que levou à suspensão temporária dos trabalhos, tudo voltou ao normal.

Compromisso

O Presidente da Comissão Europeia, Durão Barroso, prometeu o empenho da Europa e diz estar confiante que para o ano já vamos ter um acordo político vinculativo.

Do Senegal, o Presidente Abdoulaye Wade apelou a energia gratuita para África e ao apoio da comunidade científica internacional para construir o que disse ser uma "Muralha Verde" no continente.

Mas o discurso mais colorido até agora, como já nos tem aliás habituado, foi o do presidente da Venezuela Hugo Chavez.

Chavez diz que para além de não democrático e não transparente, este processo é também segredo de estado, quer ele dizer que ninguém sabe que documento é este que está a ser preparado.

Ele diz que este segredo é um reflexo de como as coisas se processam no mundo, entre os mais poderosos e os mais fracos.

Chavez enviou ainda um "Olá" aos manifestantes, o que foi seguido de muitos aplausos na audiência, e depois disse haver um fantasma nas ruas de Copenhaga e dentro da sala onde discursava.

E esse fantasma, revelou, é o capitalismo, seguido de mais alguns aplausos. "Não mudem o clima, mudem o sistema e depois sim, salvem o mundo", foi a mensagem de Hugo Chavez.

O Presidente do Zimbabué, Robert Mugabe está ainda proibído de viajar para a Europa mas está aqui presente por este ser um evento das Nações Unidas.

Mugabe falou da permanência de divisões entre Norte e Sul, criticou a sociedade consumista e defendeu a manutenção de Quioto. Os críticos de Mugabe apelidaram este episódio de farsa.

O Primeiro Ministro dinamarquês justificou-se dizendo que não tinha outra hipótese senão encontrar-se com certas pessoas mesmo que não se goste delas.

 
 
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