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Última actualização: 15 Dezembro, 2009 - Publicado às 19:05 GMT
 
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Tensões na cimeira do clima, em Copenhaga
 

 
 
Manifestação a favor da protecção do ambiente
As negociações na cimeira do clima em Copenhaga estão a processar-se a um ritmo demasiado lento.

Este o aviso do negociador-chefe da ONU para o clima, Yvo de Boer, que esta terça-feira afirmou que havia ainda muito trabalho por fazer para que as expectativas criadas em redor dos trabalhos produzam efeitos.

Também o secretário-geral da ONU, Ban Ki-moon, já tinha alertado que o tempo estava a chegar ao fim e que se corre agora o risco de um acordo fraco, ou mesmo de não se chegar sequer a um entendimento - o que, no seu entender, poderá ter "consequências desastrosas."

Depois da suspensão temporária dos trabalhos, na segunda-feira, as negociações concentraram-se esta terça-feira sobre uma proposta de declaração final, antes do início da chegada dos chefes de estado e de governo.

A luta neste momento em Copenhaga é à volta de um texto preliminar para um acordo geral.

Circulou pela sala de conferências um rascunho de uma declaração com três opções para os níveis de ajuda financeira a disponibilizar pelos mais ricos aos países em desenvolvimento, mas nenhuma delas continha números.

"Tigre de papel"

O delegado do Bangladesh, que representa o grupo dos países menos desenvolvidos para questões financeiras, descreveu mesmo o documento como um "tigre de papel", uma "lavagem de olhos".

O negociador-chefe da ONU, Yvo de Boer, lembrou, aliás, que afinal já se passou mais de uma semana de reuniões e, apesar de algum progresso em certas áreas, os resultados continuam muito aquém das expectativas.

Ao final da tarde desta terça-feira, o secretário-geral da ONU anunciava que há ainda "muito, muito por fazer".

O problema aqui é que os países desenvolvidos, entre eles os EUA e os membros da União Europeia, até agora fizeram promessas de curto prazo.

O Japão subiu a fasquia até aos US$10 mil milhões para um período de três anos, mas ninguém parece estar interessado em discutir promessas de longo prazo.

As negociações passaram desde segunda-feira a processar-se em "duas vias paralelas", como os países em desenvolvimento tinham exigido, por quererem manter viva a discussão sobre a manutenção do Protocolo de Quioto.

Arnold Schwarzenegger

A estrela desta conferência tem sido o governador do estado norte-americano da da California.

Esta terça-feira, Arnold Schwarzenegger discursou duas vezese, sob a avidez dos delegados e da comunicação social que faziam filas intermináveis para o ouvir falar.

Ele veio com mais algumas dezenas de presidentes de câmara de várias cidades mundiais, como que para mostrar 'trabalho de casa'.

E a mensagem que deixou contrasta, de alguma forma, com a maioria das que temos ouvido até agora.

Na linha de algumas vozes mais cépticas que dizem mesmo haver alguma "histeria" em volta do verdadeiro impacto das alterações climáticas, a antiga estrela de cinema, hoje governador do estado mais populoso dos EUA, veio dizer que aos decisores políticos não se depara apenas uma escolha radical entre um ambiente limpo e crescimento económico.

Ele diz que já provou isso com as suas políticas na California, através de cooperação com o empresariado e comunidades civil e universitária.

Avisou ainda que os líderes mundiais se arriscavam a não conseguir seja o que for por exigirem barreiras demasiado altas às emissões de CO2.

China

Outra voz que não parece alinhar nas propostas até agora feitas é a China, que insiste que não quer receber nenhuma ajuda financeira do Ocidente em matéria de clima.

Trata-se de uma estratégia com a qual os outros países em desenvolvimento não estão totalmente de acordo.

É que os chineses têm à sua disposição milhares de milhões de dólares de reservas para poder responder ao impacto das alterações climáticas.

Para a China, os países ricos têm responsabilidades acrescidas em matéria de emissões poluentes.

Pequim acusa as nações mais desenvolvidas de regredirem nas negociações ao fazerem exigências ao países em desenvolvimento.

O ambiente, para dizer a verdade, é algo sombrio - ou pelo menos mais sombrio, como o tempo que faz lá fora, à medida que o relógio avança.

Ana Rita Antunes, da organização ambientalista portuguesa, Quercus, disse-me que se corre o risco de saír de Copenhaga de mãos vazias.

Esta terça-feira já participaram nos trabalhos o primeiro-ministro britânico, Gordon Brown, e o Príncipe Carlos de Inglaterra.

O Presidente Lula da Silva, do Brasil, deverá chegar esta madrugada e já se estão a organizar medidas especiais de segurança para a chegada do Presidente Barack Obama.

Essas medidas levaram até a palavras muito duras das ONG's em particular, furiosas que estão com a sua exclusão da fase final dos trabalhos.

É que os números de ONG's serão reduzidos durante o resto desta semana, de 7 mil para mil na quinta-feira e apenas 90 na sexta-feira.

 
 
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