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Última actualização: 14 Dezembro, 2009 - Publicado às 01:40 GMT
 
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Acentuam-se as incertezas em Copenhaga
 

 
 
Manifestação em Copenhaga
Nas procissões, jovens pediam cidades mais limpas e mais reciclagem
A Cimeira do Clima a decorrer em Copenhaga entra na segunda e derradeira semana de negociações com os vários blocos à procura de um consenso sobre uma alternativa ao Tratado de Kioto, que expira em 2012.

Países ricos e em desenvolvimento não se entendem quanto aos cortes necessários nas emissões de CO2 e os mais pobres exigem mais ajuda para se prevenirem contra as mudanças climáticas.

Um pouco por toda a capital Dinamarquesa o ambiente é de festa rodeado de forte presença policial enquanto continuam a chegar ministros do ambiente de dezenas de nações que se irão juntar, esta semana, a segunda de negociações, aos milhares de delegados nesta super-conferência que termina sexta-feira dia 18 de Dezembro.

Nas ruas, muitos jovens participavam em procissões a pedir cidades mais limpas e a exigir mais reciclagem. Outros dançavam ao som do relógio.

'Não há plano B'

APELO AFRICANO
Milho
 O Milho em África é um alimento essencial para quase todos, mas a maçaroca que trago comigo está seca, símbolo da perda de vida de pessoas que dependem da provisão dos recursos naturais que Deus dá para sobreviverem
 
Suzanne Matale, secretária-geral do Conselho Cristão da Zâmbia

Uma contagem decrescente que urge estancar, porque, dizem, não há plano B, ou neste caso, Planeta B, um dos motes dos protestos e marchas que tiveram lugar este fim-de-semana em Copenhaga.

No sábado foram cerca de 100 mil, os manifestantes que saíram às ruas para exigir “justiça climática” e um “acordo real” terminando numa grande concentração às portas do centro de conferências onde decorrem os trabalhos.

A polícia dinamarquesa disse que eram apenas 30 mil os manifestantes e que os protestos foram na generalidade pacíficos mas, ainda assim, deteve cerca de um milhar de pessoas, só no sábado.

Alguns estabelecimentos comerciais foram danificados, vidros partidos e vários grupos lançaram foguetes no centro da cidade.

Desafio

Na televisão as imagens mostravam centenas de jovens sentados no chão e algemados em filas antes de serem transportados para esquadras da polícia e mais tarde libertados.

Os organizadores dos protestos acusaram a polícia de desrespeito pelos seus direitos e de terem sido tratados como animais.

No domingo, com os trabalhos suspensos até a manhã de segunda-feira, a Rainha da Dinamarca assistiu a um serviço multimédia religioso na Catedral de Copenhaga na presença de líderes de igrejas de todo o mundo como o Arcebispo da Cantuária e o Nobel da Paz, Desmond Tutu, para chamar a atenção do mundo para o desafio do combate às alterações climáticas.

Das ilhas do pacífico, houve quem tivesse trazido pedaços de coral, para exemplificar a ameaça de morte que alguns arquipélagos acreditam viver em função do derretimento dos gelos e a subida do nível das águas do mar.

África

Seca
Os países mais pobres procuram igualmente um pacote financeiro substancial

Suzanne Matale, secretária-geral do Conselho Cristão da Zâmbia utilizou uma maçaroca de milho para fazer o apelo em nome de África.

“O Milho em África é um alimento essencial para quase todos, mas a maçaroca que trago comigo está seca, símbolo da perda de vida de pessoas que dependem da provisão dos recursos naturais que Deus dá para sobreviverem”, referiu.

“Muitas já morreram devido a secas, inundações e desertificação. Pedimos-te com humildade que restaures e cures o nosso continente, África”, apelou Suzanne Matale.

Um apelo com sabor africano quando na sexta-feira, no final da primeira semana de trabalhos, começavam a emergir novos focos de discórdia entre os delegados dos vários blocos.

Expectativas

Polícia e manifestantes
A polícia dinamarquesa deteve cerca de um milhar de pessoas, só no sábado

Em Copenhaga as expectativas recaem sobre até onde é que os vários governos estão dispostos a ir em termos de reduções nas emissões de dióxido de carbono para a atmosfera.

Aos países desenvolvidos é exigido um esforço na ordem dos 25 a 45 por cento, até 2020, relativamente aos números de 1990.

Os Estados Unidos comprometem-se com esta fasquia por defeito propondo cortes de apenas 15%. Aos restantes países desenvolvidos é exigido pelo menos 30%. Até agora a média ronda os 18%.

Os países mais pobres procuram igualmente um pacote financeiro substancial para combater e para se prevenirem contra os efeitos das mudanças climáticas.

Na semana passada, a oferta da União Europeia de cerca de 10,6 mil milhões de dólares, repartidos ao longo de três anos, foi descrita como “deploravelmente inadequada”.

'Na mão de Deus'

Ninguém se parece entender ainda sobre o limite a estabelecer para o aquecimento máximo do planeta relativamente aos níveis pré-industrias.

Se 2 graus centígrados como sugerem os países desenvolvidos, ou 1 grau e meio como pretendem os mais pobres, mas que peritos na matéria dizem ser impossível mesmo que se adoptassem cortes radicais nas emissões de gases de efeito de estufa.

E enquanto os cientistas apresentam os factos e os líderes procuram um tratado consensual, este Domingo, na Catedral de Copenhaga os sinos tocaram 350 vezes.

As 350 badaladas simultâneas em todas as igrejas da Dinamarca, e em muitas igrejas do mundo, foram em alusão ao limite máximo de partes por milhão de CO2 na atmosfera que os cientistas consideram como limite seguro, para o planeta e para os seres humanos.

No início da semana derradeira de negociações reina a incerteza quanto à possibilidade de se encontrar um acordo político vinculativo.

Mais optimistas ou cautelosos na catedral de Copenhaga o Arcebispo Desmond Tutu e os outros líderes religiosos colocaram a solução na mão de Deus.

 
 
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