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Última actualização: 14 Dezembro, 2009 - Publicado às 19:43 GMT
 
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Copenhaga: negociações a meio gás
 

 
 
Copenhaga
Negociações retomadas após protesto africano
No dia em que os oceanos deviam ter dominado as negociações, acabaram por ser engolidos pelos países africanos, 53 na totalidade, que premiram o botão de emergência e levaram à interrupção dos trabalhos.

Também China acusou os dinamarqueses de usarem uma abordagem pouco democrática que não tem em conta os interesses de todos.

As negociações foram suspensas pouco antes da hora de almoço depois de se ouvirem acusações de que os países desenvolvidos querem pôr fim ao protocolo de Quioto, para o qual se procura em Copenhaga uma alternativa.

Esta é vista como uma estratégia para evitar mais compromissos em termos de reduções de gases de efeito de estufa. De recordar que Quioto é o único documento vinculativo em matéria de clima e os países mais pobres receiam perder algumas das conquistas realizadas com aquele protocolo.

Divisões

Alguns países desenvolvidos - como a Austrália - lamentaram a decisão dos países africanos afirmando que esta retirada tem mais a ver com forma do que com substância.

Por outro lado, vários representantes de ONGs solidarizaram-se com a posição africana e vestiram várias camisolas azuis envergando cartazes em que se podia ler: “Estamos com África” e "Não matem Quioto".

Ouviram-se muitos aplausos esporádicos e no centro das atenções estava um representante do grupo de Parlamentares Pan-Africanos para quem o que se discute em Copenhaga é uma questão de vida ou morte.

O delegado africano defendeu o que se discute em Copenhaga é do interesse de todos e da sobrevivência global, independentemente de blocos e dos seus interesses.

Arranque lento

As negociações acabaram por ser retomadas, após a intervenção da coordenadora do evento, a dinamarquesa Connie Hedegaard, mas soba forma de debates formais, de consulta, e não negociações políticas.

Segundo observadores e peritos os dois factores chave para que a conferência seja bem sucedida vão ser, por um lado, as metas de redução de CO2 e, por outro, o financiamento – as ajudas aos mais pobres para se prevenirem contra o impacto das alterações climáticas.

As promessas de ajuda financeira dos mais desenvolvidos foram descritas pelos mais pobres como “deploráveis, inadequadas e insuficientes”.

Quanto a cortes propostos de CO2, continuam bem aquém das promessas, exceptuando alguns casos como o Brasil e a Indonésia.

Decisões no final

Na segunda semana de cimeira, chefes de estado e de governo começam agora a chegar. Para Quinta-Feira espera-se a presença já de cerca de 115 altos dignitários, indicando que as decisões importantes estarão a ser empurradas para os dias finais da cimeira.

Manifestantes
Manifestações continuam na capital dinamarquesa

Centenas de manifestantes à porta da conferência exigem que os países mais ricos não tornem o clima num negócio e exigem as suas vozes sejam ouvidas.

As divisões entre países são muitas mas entre os blocos também: os mais desenvolvidos, países em desenvolvimento, nações pobres, das ilhas do pacífico, e outros.

A ONU e os organizadores parecem estar interessados em que se chegue a um acordo e a posição africana parece estar a ser levada a sério.

O negociador chefe da ONU aqui em Copenhaga, Yvo de Boer, insistiu que os delegados se iriam concentrar em dar continuidade ao Protocolo de Quioto, que diz ser uma preocupação não exclusiva dos países africanos.

Incerto é, no entanto, o número de países e delegados que partilham dessa opinião, já que as discórdias da semana passada mantêm-se: os países africanos temem ficar à margem de uma conclusão ditada pelos mais poderosos e estão especialmente preocupados com propostas que têm sido discutidas de dividir os países em desenvolvimento em dois grupos acrescentando um grupo dos mais vulneráveis.

 
 
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