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Última actualização: 25 Outubro, 2009 - Publicado às 22:49 GMT
 
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Eleições em Moçambique: fim da bipolarização?
 

 
 
Eleitores
O processo eleitoral em Moçambique está a ser alvo de fortes críticas

São as quartas eleições gerais em Moçambique, mas desta vez os cerca de 10 milhões de moçambicanos registados vão votar não só para um novo Presidente e para o parlamento nacional como também para as 11 assembleias provinciais.

O cenário bipolarizado entre a Frelimo no poder e o maior partido da oposição, a Renamo, foi desta vez “ameaçado” por uma nova força política, o Movimento Democrático de Moçambique, liderado pelo jovem engenheiro Davis Simango, presidente da Camara da Beira, a segunda maior cidade do país.

O “núcleo duro” do MDM é formado por dissidentes da Renamo, da chamada “ala mais esclarecida” daquele partido.

Cerca de 19 partidos e coligações concorrem para os 250 lugares da Assembleia da República, havendo apenas três candidatos na corrida ao palácio presidencial: o actual incumbente, Armando Guebuza, que concorre a um segundo mandato, Afonso Dlakama, a insistir pela quarta vez, e o “calouro” Davis Simango.

Ele é filho de Uria Simango, um histórico da Frelimo – chegou a ser seu vice-presidente durante a luta armada - que viria a cair em desgraça e morrer num campo de reeducação já depois da independência de Moçambique.

Batota

“Batota, fraude, contaminação, são apenas alguns dos adjectivos que têm sido atribuídos à Comissão Nacional de Eleições para caraterizar a gestão do actual processo.

A desclassificação de candidatos de cerca de 30 partidos nas listas para os 11 círculos eleitorais e a posterior resposta às suas reclamações que chegaram a subir ao Conselho Constitutional e num caso à Procuradoria da República, foram a primeira mancha significativa no curriculum deste organismo, que é igualmente acusado de falta de transparência, secretismo e incompetência.

Eleições em números
9 800 000 Eleitores
12 000 Assembleias de voto
100 000 Membros das mesas de voto
38 082 Total de urnas
1 315 Observadores nacionais e estrangeiros
861 Jornalistas credenciados
STAE

Falando à BBC, o politólogo e professor universitário José Macuane, considerou que o processo estava viciado e por isso “seria preciso um grande esforço da CNE para remediar e dar alguma credibilidade ao processo”.

A comunidade diplomática tem igualmente acompanhado os acontecimentos com alguma apreensão, tendo havido “alguns avisos á navegação” por parte do Grupo dos 19 – os países que financiam 50% do Orçamento Geral do Estado em troca de garantias de boa governação.

Desenvolvimento

Moçambique tem sido acarinhado pelos doadores, nomeadamento o FMI e o Banco Mundial, como um exemplo de sucesso das suas políticas da “cenoura e do cacete”, tecnicamente chamadas de ajustamento estrutural.

O Instituto Nacional de Estatística acaba de divulgar uma subida de 5,6% do PIB, no segundo trimestre de 2009, comparado com igual período do ano passado. Este desempenho positivo deveu-se sobretudo ao crescimento no sector agrícola (12,8%), e da indústria extractiva (8,2%).

Houve, no entanto, uma diminuição do volume de negócios e uma contracção na indústria do turismo e dos transportes e comunicações. Mas a inflação também caiu, segundo a mesma fonte, devido à baixa dos preços nas três principais cidades moçambicanas, Maputo (sul), Beira (centro) e Nampula (norte).

Este boa perfomance macroeconómica não se reflectem numa significativa melhoria das condições de vida da maioria dos moçambicanos, vicendo com graves carências no que diz respeito ao acesso á agua, sanemaento básico, cuidados primários de saúde e educação.

Moçambique continua a estar entre os países colocados no fim da tabela de desenvolvimento humano das Nações Unidas.

Com Cahora Bassa, como a quinta maior barragem do mundo, recursos minerais que vão desde o carvão até ao recém descoberto petróleo no norte do país, Moçambique tem todo o potencial de desenvolvimento. Tudo depende em grande medida do futuro inquilino da Ponta Vermelha.

 
 
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