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Eleições em Moçambique: fim da bipolarização?
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São as quartas eleições gerais em Moçambique, mas desta vez os cerca de 10 milhões de moçambicanos registados vão votar não
só para um novo Presidente e para o parlamento nacional como também para as 11 assembleias provinciais.
O cenário bipolarizado entre a Frelimo no poder e o maior partido da oposição, a Renamo, foi desta vez “ameaçado” por uma nova força política, o Movimento Democrático de Moçambique, liderado pelo jovem engenheiro Davis Simango, presidente da Camara da Beira, a segunda maior cidade do país. O “núcleo duro” do MDM é formado por dissidentes da Renamo, da chamada “ala mais esclarecida” daquele partido. Cerca de 19 partidos e coligações concorrem para os 250 lugares da Assembleia da República, havendo apenas três candidatos na corrida ao palácio presidencial: o actual incumbente, Armando Guebuza, que concorre a um segundo mandato, Afonso Dlakama, a insistir pela quarta vez, e o “calouro” Davis Simango. Ele é filho de Uria Simango, um histórico da Frelimo – chegou a ser seu vice-presidente durante a luta armada - que viria a cair em desgraça e morrer num campo de reeducação já depois da independência de Moçambique. Batota “Batota, fraude, contaminação, são apenas alguns dos adjectivos que têm sido atribuídos à Comissão Nacional de Eleições para caraterizar a gestão do actual processo. A desclassificação de candidatos de cerca de 30 partidos nas listas para os 11 círculos eleitorais e a posterior resposta às suas reclamações que chegaram a subir ao Conselho Constitutional e num caso à Procuradoria da República, foram a primeira mancha significativa no curriculum deste organismo, que é igualmente acusado de falta de transparência, secretismo e incompetência.
Falando à BBC, o politólogo e professor universitário José Macuane, considerou que o processo estava viciado e por isso “seria preciso um grande esforço da CNE para remediar e dar alguma credibilidade ao processo”. A comunidade diplomática tem igualmente acompanhado os acontecimentos com alguma apreensão, tendo havido “alguns avisos á navegação” por parte do Grupo dos 19 – os países que financiam 50% do Orçamento Geral do Estado em troca de garantias de boa governação. Desenvolvimento Moçambique tem sido acarinhado pelos doadores, nomeadamento o FMI e o Banco Mundial, como um exemplo de sucesso das suas políticas da “cenoura e do cacete”, tecnicamente chamadas de ajustamento estrutural. O Instituto Nacional de Estatística acaba de divulgar uma subida de 5,6% do PIB, no segundo trimestre de 2009, comparado com igual período do ano passado. Este desempenho positivo deveu-se sobretudo ao crescimento no sector agrícola (12,8%), e da indústria extractiva (8,2%). Houve, no entanto, uma diminuição do volume de negócios e uma contracção na indústria do turismo e dos transportes e comunicações. Mas a inflação também caiu, segundo a mesma fonte, devido à baixa dos preços nas três principais cidades moçambicanas, Maputo (sul), Beira (centro) e Nampula (norte). Este boa perfomance macroeconómica não se reflectem numa significativa melhoria das condições de vida da maioria dos moçambicanos, vicendo com graves carências no que diz respeito ao acesso á agua, sanemaento básico, cuidados primários de saúde e educação. Moçambique continua a estar entre os países colocados no fim da tabela de desenvolvimento humano das Nações Unidas. Com Cahora Bassa, como a quinta maior barragem do mundo, recursos minerais que vão desde o carvão até ao recém descoberto petróleo no norte do país, Moçambique tem todo o potencial de desenvolvimento. Tudo depende em grande medida do futuro inquilino da Ponta Vermelha. |
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