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15 Julho, 2009 - Publicado às 12:10 GMT

Rebeldes anunciam cessar-fogo na Nigéria

O principal grupo rebelde da região nigeriana de Delta do Niger diz que vai observar um cessar-fogo de seis dias depois do governo ter posto em liberdade o seu líder, como parte de uma amnistia.

Henry Okah, que lidera o Movimento para a Emancipação de Delta do Niger, esteve detido durante mais de um ano na Nigéria, a seguir à sua extradição de Angola, onde fora preso em Setembro de 2006.

Ele foi acusado pelas autoridades nigerianas de traição e de tráfico de armas. O seu advogado diz que as acusações foram retiradas.

Numa entrevista à BBC, Henry Okah disse que os seus combatentes não estavam a lutar por uma amnistia, mas sim pelo reconhecimento, pelo governo nigeriano, da pobreza e da injustiça na região de Delta do Niger.

Trégua permanente

RECONHECIMENTO
Rebeldes no delta do Níger
 Porque razão é que vão abandonar as suas armas e pedir uma amnistia se o governo não os conhece? Eles estão a combater por uma razão, e se isso não for resolvido a luta vai continuar.
 
Henry Okah, líder do Movimento para a Emancipação do Delta do Níger

Segundo Okah, uma iniciativa do governo para lidar com os problemas daquela região poderá resultar numa trégua permanente.

Contudo, para ele, uma amnistia não teria sentido para a maioria dos seus homens.

"Para a maioria dos comandantes e combatentes uma amnistia não tem qualquer significado porque o governo não os conhece" disse.

Segundo questionou “porque razão é que vão abandonar as suas armas e pedir uma amnistia se o governo não os conhece? Eles estão a combater por uma razão, e se isso não for resolvido a luta vai continuar."

Henry Okah disse que apenas uma oferta de negociações entre o governo e os rebeldes ajudaria a acabar com a violência na região de Delta do Níger.

"Para parar a violência, em primeiro lugar têm de começar a falar connosco. A violência para nós é apenas um meio para conseguir um objectivo”, afirmou.

Segundo concluiu “estamos preparados para dialogar com o governo, e preparados para chegar a um acordo amigável e mutuamente aceitável para a resolução do problema."

O Movimento para a Emancipação do Delta do Níger exige a retirada do exército nigeriano de partes da região antes do início de quaisquer negociações.

Os rebeldes dizem que vão supervisionar, eles próprios, o seu cessar-fogo. A verdade é que centenas de gangs criminosos operam na região de Delta do Níger e é muito pouco provável que todos eles observem a trégua.