10 Julho, 2009 - Publicado às 14:12 GMT
Os líderes das nações mais industrializadas do mundo, reunidos na cimeira do G8 em Itália, prometeram um investimento de 20 mil milhões de dólares para aumentar a produção de comida nos países em desenvolvimento, particularmente em África.
O director da FAO, a Organização para a Agricultura e Alimentação da ONU, Jacques Diouf, recebeu com agrado esta mudança de política.
No entanto, ele acrescenta que o dinheiro não é suficiente para lidar com a fome no mundo.
E ainda não é claro quanto deste dinheiro será injectado de novo: as agências de ajuda humanitária dizem que ainda são devidos mais de 20 mil milhões de dólares em promessas semelhantes feitas noutra cimeira do G8 há quatro anos.
O presidente do Fundo Internacional para o Desenvolvimento Agrícola, Kanayo Nwanze, disse à BBC que os pequenos agricultores representam a maior parte da comunidade global de produção alimentar e tudo o for feito para os ajudar será um passo importante para garantir a segurança alimentar.
“Estamos a falar de um total de 500 milhões de pequenos agricultores em todo o mundo, o que significa que a vida de cerca de dois mil milhões de pessoas depende da agricultura em pequena escala.
Solução duradoura
“E eles constituem a maioria dos agricultores no mundo em desenvolvimento, produzindo entre 60 a 80% dos alimentos que são consumidos.
“Penso que se não investirmos nesta agricultura em pequena escala para mantermos uma produção e produtividade sustentáveis, certamente não seremos capazes de alimentar o mundo que até 2050 irá duplicar a sua população”, alertava o presidente do Fundo Internacional para o Desenvolvimento Agrícola, Kanayo Nwanze.
De acordo com ele, a crise financeira global e a recessão vieram tornar mais urgente a necessidade de se encontrar uma solução duradoura para a questão da segurança alimentar.
Reagindo a esta iniciativa, o director geral do Centro Internacional para a Melhoria do Milho e do Trigo, Tom Lumpkin, considera-a positiva.
Mas avisa que é necessária uma acção concertada, a longo prazo, para proteger simultaneamente o ambiente e a produção alimentar.
“É necessário duplicar a produção alimentar antes de 2050 sem destruir o que resta das nossas florestas, sem poluir o ambiente”, referiu Tom Lumpkin o director geral do Centro Internacional para a Melhoria do Milho e do Trigo.