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Última actualização: 16 Julho, 2009 - Publicado às 16:30 GMT
 
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TPI recebe lista de suspeitos quenianos
 
Morgue no Quénia
A onda de violência no Quénia resultou na morte de mais de 1300 pessoas.
O Procurador-chefe do Tribunal Penal Internacional, Luís Moreno Ocampo, anunciou ter recebido um envelope com a lista dos suspeitos orquestradores da violência pós-eleitoral no Quénia.

O documento foi compilado pelo juíz Philip Waki, chefe da comissão de inquérito encarregue de investigar a violência ocorrida no país, nos finais de 2007.

Desde então, ninguém mais teve acesso à lista, que foi selada num envelope no passado mês de Outubro.

O procurador-chefe do TPI, Luís Moreno Ocampo disse à BBC que respeitava as investigações que estão a ser levadas a cabo pelas autoridades locais, mas tenciona preparar-se para a eventualidade de vir a trabalhar no caso.

Investigações

INVESTIGAÇÕES
Luís Moreno Ocampo
 ...Respeitarei a lei, a lei dita o respeito pelos procedimentos nacionais, mas se não puderem fazê-lo, fa-lo-ei. È meu dever e fa-lo-ei.
 
Luís Moreno Ocampo

"Os crimes cometidos no Quénia serão investigados. Não sou senhor do Quénia, sou um procurador” disse.

Segundo sublinhou “respeitarei a lei, a lei dita o respeito pelos procedimentos nacionais, mas se não puderem fazê-lo, fa-lo-ei. È meu dever e fa-lo-ei."

Também em declarações à BBC, comissário-adjunto para os direitos humanos no Quénia, Hassan Omar Hassan, disse que o mais importante era que o tribunal garanta a aplicação da justiça.

"Queremos que haja uma representação mista constituída por juízes tanto locais como internacionais, havendo a necessidade de aderir aos padrões internacionais, porque o Quénia tem maior interesse em garantir que justiça seja feita aos perpetradores da violência.”

Pressões

LEGITIMIDADE
Protestos no Quénia
 Se falhar no cumprimento tanto dos padrões internacionais como das expectativas estará certificada a legitimidade, em termos legais, para a intervenção do procurador.
 
Hassan Omar Hassan, comissário-adjunto para os direitos humanos no Quénia.

Como explicou “logicamente é uma questão de assegurar que o Quénia tenha maior participação no processo definindo-o localmente, como disse o procurador do TPI.”

“Se falhar no cumprimento tanto dos padrões internacionais como das expectativas estará certificada a legitimidade, em termos legais, para a intervenção do procurador”, concluiu Hassan Omar Hassan.

Entretanto diplomatas estrangeiros instaram o Quénia a criar um Tribunal especial para julgar os responsáveis pela onda de violência que resultou na morte de 1300 pessoas e mais de 300 mil desalojados.

Num comunicado, 25 missões diplomáticas disseram que na ausência de empenho ou capacidade para criar o tribunal, o governo queniano deve incumbir o Tribunal Penal Internacional.

O governo queniano liderado pelo presidente Mwai Kibaki e o primeiro-ministro, Raila Odinga está dividido entre os defensores da criação do Tribunal, por intermédio do parlamento e os que querem os perpetradores da violência julgados pelo TPI.

O assunto voltará a ser discutido, esta segunda-feira, durante uma reunião do governo.

 
 
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