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Escrever direito por linhas tortas
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Cobrir o decorrer das eleições em nove regiões não é tarefa fácil. Num país onde o dinheiro não abunda e onde há muitas histórias
para relatar, os jornalistas guineenses vêm-se por vezes a braços com bastantes dificuldades.
Mas apesar dos constrangimentos financeiros e de outra ordem, imaginação e a vontade de dar a conhecer a verdade parecem contudo transbordar na Guiné-Bissau. “O dia-a-dia do jornalista na Guiné-Bissau é muito complicado. Há muitas dificuldades no terreno, quase todos os jornalistas labutam para conseguir informação sem meios”, disse Athizar Mendes Pereira, o director do semanário Última Hora. Pressões
O semanário nasceu há cerca de dois anos na capital guineense e, ainda sem sede, o grupo de jovens jornalistas diz que através da verdade quer mudar a Guiné. Athizar Mendes Pereira diz que apesar das pressões, a liberdade de expressão é algo que a Guiné conquistou e pela qual os jornalistas vão continuar a lutar. “Apesar das ameaças acreditamos que podemos mudar muita coisa e, quase, conseguimos mudar muita coisa na Guiné-Bissau”, frisou. Com uma conjuntura delicada como pano de fundo, os órgãos de comunicação social guineenses o trabalho é árduo para os jornalistas guineenses, diz o director da Rádio Bombolom, Agnelo Regala. Segundo defende, apesar de procurarem obedecer aos princípios da imparcialidade e isenção, na presença de um clima de medo, aumentam os episódios de auto-censura. Para o director da Rádio Bombolom, o profissional de informação guineense dá regularmente provas de ser corajoso. Ele considera que “o jornalista guineense, é suficientemente corajoso para ter a capacidade de fazer as denúncias que tem vindo a fazer. Os atropelos à democracia, as violações dos direitos humanos e dos órgãos de comunicação social.” 'Contra poder'
Para Agnelo Regala, a comunicação social é um actor e um contra poder fundamental da sociedade guineense. “Quando se falou do narcotráfico os profissionais de informação foram vistos como os ‘maus da fita’ mas, era o nosso papel e denunciou-se” referiu. Segundo acrescentou “penso que se hoje se assiste a uma redução das actividades do narcotráfico deve-se, em grande medida ao trabalho dos órgãos de comunicação social.” Athizar Mendes Pereira, do Última Hora, explicou ainda que o actual clima de instabilidade política está a causar uma espécie de revolta silenciosa.
Mas há 27 anos no Nô Pintcha, o jornal público da Guiné, Simão Abina, o seu director insiste que naquela publicação não há preferidos. Com isenção, diz, não há inimigos. “Fazemos o máximo para trabalhar de forma isenta. Estou convicto que trabalhando da forma que estamos a trabalhar não temos inimigos.” “Sem nos auto-censurarmos sabemos que há aspectos de interesse nacional.” Percalços Mas são poucos os jornais que se lêem na Guiné. São apenas os semanários e a sua impressão varia entre as poucas centenas e os 1,500 do Nô Pintcha. Dificuldades financeiras, limitações de distribuição, a fraca alfabetização e a variedade de línguas limita a edição do jornal em português e algumas edições em francês, mesmo que o Nô Pintcha gostasse que as coisas fossem diferentes: Mas nem tudo são constrangimentos. Mesmo com dificuldades financeiras, a Guiné destaca-se do resto da sua sub-região pelo número de rádios e TV comunitárias.
São 26 as rádios, cobrindo quase todo o país, e três as estações de TV que trabalham com as populações. E como explicou o director da Rádio Kasumai, em São Domingos, no norte da Guiné-Bissau, Talata Baldé, os apoios vêm não só dos parceiros de desenvolvimento mas da própria população. “Temos dificuldades a nível financeiro e de materiais, as nossas populações contribuem, na medida das suas capacidades, para ajudar no funcionamento das rádios comunitárias” desabafou. Interesse e imaginação não faltam, mesmo quando falta o papel. No Nô Pintcha, Simão Abina diz-nos que às vezes na Guiné quase se fazem omeletes sem ovos. “Temos que fazer tudo por tudo para que o jornal saia. Uma vez tive que comprar papel de 80 gramas, que não é próprio para jornal, e fiz duas edições” disse Simão Abina. E, a par de muitos outros sectores na Guiné, o salário é outro constragimento da profissão. “O salário é muito baixo, não chega para pagar a renda, quanto mais para suportar as despesas do dia-a-dia. A nossa profissão
é difícil na Guiné-Bissau”, concluiu. |
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