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Shell vai pagar milhões a famílias de activistas
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A petrolífera Shell aceitou pagar 15.5 milhões de dólares de indemnizações aos familiares dos activistas que em 1995 foram
enforcados na Nigéria na sequência de protestos contra a exploração de petróleo no país.
Advogados das famílias de nove activistas nigerianos enforcados em 1994 dizem que eles estão exultantes com a decisão anunciada pela Shell. O acordo foi obtido extra-judicialmente em Nova York num caso iniciado há 13 anos e cujo julgamento deveria ter início na próxima semana. Entre os activistas enforcados pelo regime militar da Nigéria em 1995 encontrava-se o escritor Ken Saro-Wiwa. O processo foi fundamentado numa lei americana de 1789 que exige às empresas com uma presença substancial nos Estados Unidos o respeito das leis daquele país em qualquer parte do mundo. A Shell era acusada de cumplicidade com o regime militar do então Presidente Sani Abacha nos enforcamentos do escritor Saro-Wiwa e dos outros oito activistas, que foram condenados num julgamento considerado uma farsa. Todos eles pertenciam ao gupo étnico dos Ogoni e Saro-Wiwa, fundador do Movimento para a Sobrevivência do Povo Ogoni, conseguira fazer com que a Shell suspendesse as suas actividades no Delta do Níger, acusando a multinacional de poluir o ambiente e de justificar a presença dos militares na área. Reconhecimento
Tendo mantido sempre a rejeição destas acusações, a Shell poupou-se, com este acordo, ao julgamento que se adivinhava muito longo e danoso para a imagem da empresa. A advogada dos familiares das vítimas disse à BBC que não havia dinheiro que pudesse pagar o sofrimento das vítimas e das suas famílias e Marco Simons, o director da EarthRights International que colocou o caso em tribunal, disse que apesar da Shell se declarar inocente se tinha feito justiça. "A Shell continua a negar responsabilidade mas pensamos que o facto de pagar mais de 15 milhões é um reconhecimento da sua responsabilidade pelos danos provocados aos queixosos." Um dos advogados dos queixosos revelou que uma parte do dinheiro pago pela Shell irá directamente para os seus clientes e
uma outra parte, no valor de cinco milhões de dólares, será aplicada depois de pagos os honorários dos advogados no financiamento
do povo Ogoni. |
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