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Apreensões com eleições sul-africanas
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Entre as celebrações da vitória decisiva do ANC nas eleições do passado dia 22, há alguma inquietação entre os milhões de
imigrantes, principalmente africanos mas não só, que escolheram a África do Sul como segunda pátria.
“A vida neste momento aqui na África do Sul não é fácil,” disse-me uma imigrante moçambicana, que trabalha, com duas compatriotas suas, no restaurante São Vicente. O dono do restaurante é um imigrante português, que vive em Rosentenville, na parte sul de Joanesburgo. É em Rosentenville onde se concentra grande parte dos negócios dos imigrantes portugueses na capital económica da África do Sul.
Há bares, restaurantes, lojas, estúdios fotográficos, clubes desportivos, serralharias e oficinas. Os empregados são maioritariamente moçambicanos, mas também angolanos e uns poucos sul-africanos. A criminalidade, o trabalho precário, a xenofobia e o dinheiro poupado para mandar para a família são algumas das suas maiores preocupações. A violência registada em 2008 contra os imigrantes assusta-os e força-os a tentar passar despercebidos. “Quando houve a xenofobia, entre as pessoas mortas havia muitos moçambicanos. Mas como não há emprego na nossa terra [Moçambique], somos pobres, estamos aqui a trabalhar. Mas não somos bem recebidos,” retorquiu outra empregada de mesa. “Estamos a trabalhar e a preparar as malas. Quando acabar o Mundial de 2010 vamos regressar a Moçambique, porque senão volta a acontecer o que aconteceu,” acrescentou. “Aqui já não estamos seguros. Temos medo porque não sabemos o que vai acontecer depois de 2010. Agora [os sul-africanos] estão calmos porque querem o dinheiro do Mundial. Mas quando o Mundial acabar...” disse, receosa, a terceira empregada. Má imagem dos angolanos Mas, se os moçambicanos são geralmente populares por serem trabalhadores árduos, os angolanos são conhecidos pelo oposto. Jorge Dias, o proprietário da “Mossango”, uma pequena empresa de importação e exportação, chegou a Joanesburgo um ano depois das primeiras eleições multiraciais, realizadas há 15 anos. Disse-me que deixou Luanda porque havia poucas oportunidades e também para fugir do serviço militar obrigatório – numa altura em que a guerra civil angolana conheceu uma dramática intensificação.
“Vim de férias e acabei por ir ficando,” disse. Jorge Dias diz que os seus compatriotas que imigram para a África do Sul transmitem “uma imagem péssima de Angola e dos angolanos". “A maior parte do pessoal angolano que está cá não trabalha. Vive de ‘negócios’. É um pessoal muito vaidoso; não aceita fazer certos trabalhos. Não é como a malta moçambicana e cabo-verdiana. A maior parte do pessoal do meu tempo já regressou a Angola.” Receio dos efeitos da recessão Entre os imigrantes portugueses há muita inquietação com as eleições de quarta-feira. Octávio da Silva estabeleceu-se no bairro de Rosentenville com a família há 33 anos, vindo directamente da ilha da Madeira. Ele diz que a vida para os imigrantes portugueses não é fácil: “Temos alguns problemas por causa da criminalidade na África do Sul e achamos que, depois das eleições, as coisas vão ficar piores porque, apesar de não estarmos ainda a sentir os efeitos da recessão, vamos senti-los muito. E com a criminalidade vai haver muita falta de trabalho neste país.” Há muitas expectativas entre os imigrantes na África do Sul mas mais ainda entre os 48 milhões de sul-africanos - 23 milhões dos quais registados para as eleições de quarta-feira. Contudo, há entre estes também um grande optimismo e a crença de que a nova África do Sul, agora com apenas 15 anos, aprenderá com os erros do passado para atingir a maioridade de forma exemplar. |
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