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Angola ainda afectada por minas terrestres
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Angola é o terceiro país do mundo com mais minas terrestres, a seguir ao Afeganistão e ao Cambodja.
De acordo com o recente Estudo sobre o o Impacto das Minas em Angola, (Angolan Landmine Impact Survey) que levou mais de cinco anos a ser compilado, cerca de 15 por cento da população continua a correr riscos em zonas ainda minadas. Em termos de sobreviventes, o International Landmine Monitor acredita que devam existir cerca de 80 mil Angolanos feridos em explosões de minas, muitos deles com membros amputados. A provincia central do Huambo, onde se registou a maior confrontação entre o MPLA e a Unita durante a guerra, foi uma das zonas mais minadas do país. Na minha deslocação ao planalto central angolano, fui visitar o maior hospital ortopédico e de reabilitação do país, nos arredores da capital provincial, o qual tem o seu próprio laboratório de próteses. O Chefe do departamento de fisioterapia do hospital ortopédico do Huambo, Armindo Jamba, mostrou-me os vários departamentos, incluindo o centro de reabilitação.
Na sessão de fisioterapia estão os irmãos Francisco e Luciano, ambos mutilados pela explosão de uma mina terrestre, quando se encontravam a brincar num campo, na sua aldeia, na província do Bié. Um ficou sem um braço, o outro sem uma perna. Presentemente estão á espera que as feridas sarem para poderem tirar as medidas para as respectivas próteses. 'Perigo Minas' Viajando pela região do planalto central, encontramo-nos regularmente com equipas de desminagem a trabalhar perto de estradas e campos agrícolas, algumas mesmo dentro das aldeias.
Ao longo de toda a estrada principal que atravessa a província do Bié em direcção ao Andulo e ao Kwanza sul, vêm-se imensas bandeiras vermelhas assinalando o perigo de minas. O Doutor Armindo Jamba, Chefe do departamento de fisioterapia do hospital ortopédico do Huambo diz que as minas comntinuam a matar naquela região: "Cerca de 80 por cento das vítimas neste hospital são vítimas de minas, o resto são acidente de viação, gangrenas, feridas diabéticas, etc. Mas os casos estão a diminuir devido às campanhas de sensibilização dos activistas da desminagem". Custo económico Para além do custo de vidas humanas, as bandeiras vermelhas são igualmente um símbolo de tempos dificeis economicamente para muitos angolanos que dependem da agricultura de subsistência e não conseguem encontrar terra para cultivar devido aos campos ainda minados. Segundo o Estudo de Impacto das Minas Terrestres em Angola, mais de dois terços das comunidades rurais em Angola ameaçadas pelas minas terrestres têm o acesso limitado à terra cultivável. A Comissão nacional Inter Sectorial de Desminagem e Assistência Humanitária, sublinha que a prioridade do período pós guerra, em 2002, foi limpar estradas, pontes e lugares estratégicos como aeroportos e linhas férreas. Agora o seu desafio é desminar campos de cultivo e aldeias nas zonas rurais, para ajudar Angola a tirar proveito do seu potencial
agricola e ecoonómico. |
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