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05 Março, 2009 - Publicado em 18:26 GMT

A Política Editorial da BBC

Queremos responder às necessidades das nossas audiências informando-as, instruindo-as, divertindo-as e fornecendo-lhes coisas que os nossos concorrentes não lhes podem fornecer.

A BBC é um serviço público e nós queremos comportar-nos como tal. Queremos encorajar os talentos dos mais inovadores, agir com toda a independência, sem sofrer pressões, e aplicar as normas deontológicas mais rigorosas.

Imparcialidade...

A imparcialidade é um valor essencial à BBC. Todos os programas da BBC e todos os seus serviços devem reflectir abertura de espírito, o sentido da equidade e o respeito pela verdade.

Todas as correntes de pensamento importantes devem estar representadas na BBC.

Devemos ser exactos e devemos estar prontos a verificar, a reverificar e a pedir conselhos, quando necessário.

Na medida do possível, devemos procurar as nossas informações junto das fontes no terreno ou, quando isto não for possível, falar com testemunhas. Mas, para ser exactos, nem sempre basta relatar os factos.

Todas as informações pertinentes devem ser levadas em conta, para que a verdade emane do que se relata ou descreve.

Os programas da BBC devem ser construídos com base na equidade, na abertura e na transparência.

Os nossos entrevistados devem ser tratados com honestidade e respeito.

Eles têm o direito de saber qual o tema do programa, o que esperamos deles durante as suas entrevista, se o programa em questão será em directo ou pré-gravado e se a entrevista será montada ou difundida na íntegra.

Diversidade

Reflectir a diversidade das pessoas e das culturas... No Reino Unido e no mundo inteiro.

Os programas e os serviços da BBC devem inspirar-se nesta diversidade para reflectir a realidade.

Desta forma, utilizamos novos talentos, novas perspectivas, novas caras e novas vozes, enriquecendo assim os nossos programas.

Sempre que falarmos de grupos sociais diferentes, devemos esforçar-nos por evitar estereótipos.

Integridade

A entrada
Apresenta a informação
Fornece o historial para que a informação faça todo o sentido
Encoraja o ouvinte a querer saber mais
Integra os elementos que são susceptíveis de evoluir (Taxas de participação, balanço de uma catástrofe natural, etc. …)
Permite ligar os diferentes elementos de um programa
Deve ser suficientemente longo para dar à audiência o essencial da informação
Apresenta o correspondente/colaborador
Anatomia de um lançamento:
O que há de novo? De que se trata? Quem fez/disse o quê a quem, onde e quando? Como?
Em que circunstâncias? Porquê?
Por que razão é importante? Por que razão os ouvintes quererão saber mais? (fornecer o contexto/histórico)
Que nos vai dizer mais? Apresentar o correspondente/colaborador.

O público deve poder acreditar na integridade dos programas da BBC.

Ele deve ter a certeza que as decisões são tomadas unicamente por razões editoriais válidas, e não devido a pressões, quer políticas, quer comerciais.

As actividades extra-profissionais dos jornalistas não devem ter incidência nos programas da BBC.

Vida privada

A BBC deve respeitar a vida privada dos indivíduos. Toda a intromissão deve ser justificada provando-se que ela é do interesse de todos.

A maneira como as pessoas se comportam na sua vida privada, a sua correspondência e as suas conversas não devem ser trazidas ao domínio público, a menos que isso seja no interesse de todos.

Bom gosto e decência

Devemos ter em conta a sensibilidade dos ouvintes e o que os pode ofender. Nós temos o direito de os surpreender pela nossa criatividade, mas não devemos chocá-los de forma gratuita.

É primordial ter em conta o que os ouvintes esperam de certos programas, em função dos horários de transmissão.

Proteger as crianças…

Devemos proteger as crianças que participam nos nossos programas.

Devemos examinar o impacto que o programa pode ter sobre as crianças em causa, seja pela forma como o programa é concebido, seja pelo impacto que terá, depois de difundido.

Outros conselhos…

Receita para fazer um bom despacho 2
 “Prenda a atenção do ouvinte. Se o confundir, ele não o poderá acompanhar. Imagine um despacho que se assemelhe a um hambúrguer em forma de pirâmide. Para fazer um bom hambúrguer, é preciso carne, pão e a guarnição. Pois bem, é a mesma coisa para um despacho de rádio. A informação equivale à carne. O historial, como pão, dá o contexto. A cor, como o molho de tomate e a alface, acrescenta sabor e provoca o interesse. É necessária uma pirâmide porque se a cortarmos por baixo, ela conserva a forma//”.
 
Mark Brayne

No final de cada frase, faça a seguinte pergunta: "Quem diz isto?", e indique a fonte de todos os factos, de todos os comentários, de todas opiniões, etc. … Não é necessária uma fonte para dizer:"Paris é a capital da França", mas é preciso uma fonte para "Paris é a cidade mais bela do mundo".

Ter uma fonte não justifica a citação de declarações erróneas ou enganadoras simplesmente porque uma pessoa, mesmo se ela ocupa funções elevadas, fez declarações. Um bom jornalista é sempre céptico – mas não forçosamente cínico – qualquer que seja a fonte. Verifique, reverifique e verifique de novo.(Ver caixa)

A talhe de foice, extracto do “BBC News Style guide” de John Allen:
"Quando se empregam metáforas e comparações, economiza-se energia mental mas é-se vago, não somente para o leitor, mas também para si mesmo", dizia George Orwell. Assim, evitemos os chavões ou lugares comuns e o jargão jornalístico.

"O que não é escrito sem esforço é geralmente lido sem prazer", dizia Samuel Johnson. O lançamento ou entrada e o despacho formam um todo, é assim que o ouvinte os percebe.

O correspondente ou colaborador que diz a um colega "Deixo-te fazer a entrada" devia ser encarregado de elaborar boletins meteorológicos por toda a vida.

Se o lançamento e o despacho não se encontram antes da emissão, há frequentemente repetição, a evitar a todo o custo em rádio.

Procure não prometer na entrada um ângulo que não será mencionado no despacho, para não decepcionar os ouvintes.

Se o despacho começa com um som – uma banda ou combates – prepare o ouvinte, e não anuncie o nome do correspondente.

E se o despacho inclui um acrónimo ou uma abreviatura, dê o equivalente, por extenso, na entrada.

Clareza

“O que se concebe bem enuncia-se claramente, e as palavras para o dizer ocorrem facilmente”, dizia Nicolas Boileau-Despréaux.

Em rádio, a estrutura de base para uma frase – sujeito – predicado – complemento – é constante. O ouvinte compreende imediatamente o que dizemos.

Tudo o que for mais complicado, como uma oração subordinada, por exemplo, pode prejudicar a compreensão”.

Tente ser simples (mas não simplista). Você tem obrigações para com o ouvinte, o seu papel não é fazer prosa. Você tem uma relação com o seu ouvinte, tente torná-la agradável e produtiva. Por exemplo:

Ao falar de uma informação, não diga que ela é boa, chocante ou terrível. Forneça os factos, e deixe o ouvinte decidir.

Tente colocar um verbo activo forte na primeira frase para que ela tenha impacto, e para que o ouvinte continue à escuta.

Comece bem

Não comece o seu texto com uma pergunta. O ouvinte quer se informado, ele não está disposto a responder a um questionário.

Não comece o texto por "Como se esperava…". Se a informação de que vai falar era previsível e se você não tem nada de novo a dizer, por que razão o ouvinte deverá prestar-lhe atenção?

Seja positivo. Faça afirmações quando for possível, e evite a forma negativa. É mais directo dizer "o plano falhou" do que "o plano não resultou".

"Não se devia ter por objectivo ser compreendido", dizia Quintiliano, "mas sim não ser mal compreendido".

Geralmente, é melhor dar o nome completo de uma organização quando se lhe faz referência pela primeira vez, e dar o acrónimo que lhe corresponde de seguida.

A forma activa

Prefira a forma activa à passiva. O mundo da informação gira principalmente em torno de pessoas que fazem coisas.

A voz activa permitirá tornar os despachos mais vivos.

Compare por exemplo:
“Tumultos ocorreram em várias cidades do norte de Inglaterra ontem à noite, durante os quais a polícia confrontou-se com jovens armados com pedras.”

E:
"Jovens armados com pedras confrontaram-se com a polícia, durante tumultos, em várias cidades do norte de Inglaterra, ontem à noite."

Ocorreram/registaram-se são formas demasiado utilizadas. A segunda versão, mais pictórica, é mais viva e permite ao ouvinte imaginar a cena.

Por exemplo:
”O Príncipe Edward foi atacado por um rinoceronte quando visitava uma reserva natural no Quénia.”

Em vez de:
"Um rinoceronte atacou o Príncipe Edward que visitava uma reserva natural no Quénia."

Números e quantidades

Uma informação que comporta demasiados números confunde o ouvinte. Simplifique o quanto puder, arredondando (para cima ou para baixo).

Dê o equivalente das somas em dólares uma vez que transmitimos para vários países com moedas diferentes.

O dólar é uma divisa bem conhecida nos países para onde a BBCparaAfrica transmite.

"A literatura é a arte de descrever qualquer coisa que será lida duas vezes: o jornalismo é o que será compreendido da primeira vez," dizia Cyril Connolly.

Seja exacto. Não confunda "inglês" e "britânico"; ou "a sul de" e "no sul de".

Em voz alta

Leia em voz alta. Palavras numa folha de papel não são o mesmo que palavras que saem da boca de um correspondente ou de um apresentador.

Antes de gravar um texto, leia-o em voz alta para evitar repetições, rimas e sibilantes (repetições de "s"), e para variar a cadência (variando nomeadamente o comprimento das frase).

Falar, dizer e escrever

O atributo vem em primeiro lugar. Em rádio é imperativo identificar o autor de uma afirmação antes de a dar.

Diga sempre de quem se trata antes de dizer o que a pessoa declarou. Caso contrário, o ouvinte só poderá avaliar a importância da afirmação em causa depois de ela ter sido feita.

Ou então ele ficará de tal forma chocado por esta afirmação que deixará de estar receptivo quando o nome do seu autor for pronunciado.

Há outras boas razões para redigir uma informação desta forma. É mais natural e evita mal-entendidos.

Você não diria a um amigo: "Sou um desgraçado, de costumes duvidosos e sem qualidades. Foi o que me disse a minha mulher ontem à noite."

Seguramente, você diria primeiro quem foi o autor destas declarações. "A minha mulher disse-me ontem à noite que eu era um desgraçado", etc. …