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Entenda como a crise afecta cada país do G20
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Veja como cada país membro do G20, vai chegar à cimeira do grupo em Londres, marcada para Abril.
ARGENTINA
A Argentina, uma das maiores economias da América do Sul, já enfrentava dificuldades económicas mesmo antes do agravamento da crise financeira global. Uma política de expansão entre 2002 e 2007 acabou por provocar um superaquecimento da economia e alimentar a inflação. Ao mesmo tempo, a arrecadação de impostos diminuiu porque os produtos agrícolas exportados estavam a ser vendidos a preços mais baixos no mercado internacional. O governo respondeu à diminuição da tributação fiscal com o aumento dos impostos sobre a exportação - uma iniciativa que provocou uma onda de protestos de líderes rurais. A presidente Cristina Kirchner, que tomou posse em Dezembro de 2007, estatizou o sistema de previdência privada em Novembro de 2008 para ajudar a cobrir o rombo nas finanças do governo. Companhias privatizadas anteriormente também voltaram para o controle do Estado, como a companhia aérea Aerolineas Argentinas. AUSTRÁLIA A Austrália passou por um longo período de crescimento económico estável desde sua última recessão, em 1991, beneficiando da expansão dos mercados da China e da Índia para as suas matérias-primas. Mas a sua economia, baseada em matérias-primas, vem enfrentando dificuldades desde que a crise financeira global se intensificou, em meados de 2008.
As mineradoras australianas estão a reduzir investimentos, o número de funcionários, e arquivando projectos. O governo do primeiro-ministro Kevin Rudd anunciou recentemente um pacote económico de 26,5 mil milhões de US$ para estimular a economia, na tentativa de poupar o país da crise global. Rudd ainda conta com um índice de popularidade alto pela forma como está a lidar com a economia. BRASIL A maior economia da América Latina também é o maior exportador de produtos que vão de carne bovina e frango a sumo de laranja e café. Mas a economia brasileira foi atingida pela queda drástica dos preços das matérias primas causada pela redução da demanda internacional. O real e as bolsas de valores sofreram com a desaceleração da economia global, depois que investidores estrangeiros retiraram recursos que tinham no Brasil para cobrir prejuízos nos seus países de origem.
Durante a crise foi realizada uma fusão de dois grandes bancos - Itaú e Unibanco - e analistas acreditam que pode haver mais consolidações do tipo no sector. o governo brasileiro criticou recentemente a cláusula de "Buy American" do pacote de estímulo económico de 787 mil milhões de US$ do presidente Barack Obama. O presidente Luiz Inácio Lula da Silva disse que os Estados Unidos e outros países desenvolvidos não devem recorrer ao proteccionismo para enfrentar a crise. CANADÁ Graças ao Acordo de Livre Comércio da América do Norte (Nafta), a saúde económica do Canadá está intimamente ligada à dos Estados Unidos, para onde vão 75% dos produtos que exporta.
A debilitada indústria automobilística, por exemplo, tem apresentado problemas tanto para Ottawa quanto para Washington. Como resultado disso, o Canadá copiou várias tácticas do governo dos Estados Unidos para lidar com a crise, como reduzir as taxas de juros e formular pacotes de estímulo. Nenhum dos dois países obteve muito sucesso até agora. Mas o sector bancário e o mercado imobiliário estão em melhor estado no Canadá do que nos Estados Unidos, com um número muito menor de hipotecas de alto risco. Em Fevereiro, o Parlamento do Canadá aprovou um pacote de estímulo económico no valor de 32 mil milhões de US$. A votação do pacote, contudo, criou uma crise política para o governo conservador, pois os partidos da oposição disseram que as medidas originais de estímulo eram insuficientes. O primeiro-ministro do Canadá, Stephen Harper, acabou por suspender o Parlamento por seis semanas para que o governo pudesse rever os planos. CHINA A desaceleração da economia global não impediu que a China assumisse a posição de 3ª maior economia do mundo, que vinha sendo ocupada pela Alemanha. Mas o país foi afectado tanto a nível interno como externo.
As exportações chinesas foram duramente atingidas pela redução da procura e milhões de imigrantes da zona rural acabaram por ter que voltar para as suas aldeias com o encerramento das fábricas que lhes ofereciam emprego. O ministro do Comércio, Chen Deming, advertiu que a situação pode causar distúrbios sociais. Ao mesmo tempo, a diminuição da demanda da China por matérias primas teve um impacto sobre as exportações de outros países. Isso acabou com a esperança de que mercados emergentes importantes poderiam contrabalançar a desaceleração da economia dos países desenvolvidos. O primeiro-ministro Wen Jiabao disse recentemente que embora algumas empresas estejam a fechar estão a surgir oportunidades para o desenvolvimento de novas companhias. ALEMANHA
A economia da Alemanha, que responde por um terço do Produto Interno Bruto, PIB, da zona do euro, deve ter um ano difícil. O governo prevê que a economia vai encolher até 2,25% em 2009, no que seria o seu pior desempenho no período após a 2ª Guerra Mundial. A notícia chocou muitos alemães, que se orgulham de sua responsabilidade fiscal. Eles acreditam que se comparam favoravelmente a britânicos e americanos, que são vistos como esbanjadores altamente endividados. Mas a economia alemã é impulsionada pelas exportações e vinha-se apoiando na procura de outros países pelos seus produtos - uma procura que desapareceu em função da crise. Em Fevereiro, o país aprovou um pacote de estímulo à economia no valor de 63 mil milhões de US$, e a chanceler Angela Merkel disse que a Alemanha vai sair da crise económica mais forte do que antes. "Nós operamos partindo do princípio de que a Alemanha é forte e, portanto, pode lidar com esta difícil situação económica ", afirmou. FRANÇA Ao contrário da maioria dos outros países do G20, a França já viveu distúrbios sociais em consequência da crise económica global. Em Janeiro, milhões de trabalhadores franceses tanto do sector público como do privado fizeram greve em protesto contra a forma como o governo estava a lidar com a crise.
Deste então, as autoridades anunciaram um plano de 33,1 mil milhões de US$ para revitalizar a economia. A França não entrou oficialmente em recessão, mas há expectativa de que isso aconteça em 2009. O défice comercial atingiu um recorde de 71,4 mil milhões de US$ em 2008. O presidente Nicolas Sarkozy ganhou alguma popularidade entre os franceses pelos seus planos para oferecer apoio financeiro à indústria nacional, principalmente ao sector automóvel. Mas a iniciativa irritou outros governos europeus, que acusaram Sarkozy de proteccionismo. ÍNDIA Sem dúvida, a economia da Índia foi afectada pela crise global. Dados oficiais mais recentes mostraram que a sua economia cresceu menos do que o esperado no último trimestre de 2008.
O Produto Interno Bruto do país aumentou em 5,3% entre Outubro e Dezembro, em comparação ao índice de 7,6% registado no trimestre anterior e 8,9% no mesmo período do ano anterior. A agricultura, que responde por cerca de 20% da economia, foi um dos sectores que tiveram o crescimento reduzido. Indústrias como o grupo Tata foram muito afectadas pela retração do crédito no mercado internacional e pela diminuição geral de gastos no âmbito global. O governo do primeiro-ministro Manmohan Singh enfrenta agora eleições gerais, que começam a 16 de abril. Singh espera que as promessas de perdão da dívidaa no sector agrícola e um esquema para garantir empregos na zona rural contribuam para que ele consiga um segundo mandato. INDONÉSIA
A globalização beneficiou muito a economia da Indonésia nos últimos anos. Com a grande expansão do sector manufatureiro para empresas multinacionais, a economia do país cresceu 6,1% em 2008. Mas as empresas do Ocidente reduziram a sua produção no final do ano e as exportações da Indonésia tiveram uma queda drástica no último trimestre de 2008. Para ajudar a levantar a economia, o governo do presidente Susilo Bambang Yudhoyono aprovou um pacote de estímulo fiscal no valor de 6 mil milhões de US$ . Mas, com uma dívida externa estimada em 151,7 mil milhões de US$, o governo tem as suas próprias preocupações financeiras. Críticos do governo da Indonésia dizem também que o presidente não está a fazer o suficiente para combater a corrupção, que continua a afastar potenciais investidores. ITÁLIA A economia italiana, a 3ª maior da zona do euro, foi uma das primeiras em recessão. Ela encolheu durante três trimestres consecutivos. Nos últimos três meses de 2008, a retração foi de 1,8% - uma percentagem até maior do que a registada no segundo trimestre do ano, de 0,4%, e no terceiro trimestre, de 0,5%.
O país foi também um dos primeiros a aprovar um programa de estímulo à economia. Em Novembro, o primeiro-ministro Silvio Berlusconi aprovou um pacote de emergência de 102 mil milhões de US$, que incluiu a redução de impostos para as famílias mais pobres e projectos de obras públicas. A Itália tem a 3ª maior dívida pública do mundo, a qual deve chegar a 110% do PIB este ano. JAPÃO O próprio governo do Japão admite que o país enfrenta a sua pior crise económica desde o fim da 2ª Guerra Mundial. O abrandamento da 2ª maior economia do mundo é mais acentuado do que o vivido nos Estados Unidos e na Europa, especialmente por causa da redução da demanda global por seus produtos - especialmente equipamentos eletrónicos e automóveis.
Os consumidores também estão a deixar de gastar, alarmados com o aumento do desemprego. A economia contraiu 3,3% no último trimestre de 2008 - o pior desempenho desde a crise do petróleo na década de 70. Além disso, em Janeiro as exportações japonesas caíram 45,7%, atingindo o nível mais baixo dos últimos 10 anos. O primeiro-ministro Taro Aso está a tentar ver aprovado um pacote de estímulo à economia, mas analistas dizem que os esforços estão a ser prejudicados pela crescente impopularidade que ele vem sofrendo dentro do seu próprio partido, PLD, Partido Liberal Democrático. MÉXICO A economia mexicana está tão ligada à dos Estados Unidos que quando Wall Street espirra as empresas mexicanas podem acabar internadas na unidade de terapia intensiva. O México exporta 85% de seus produtos para o vizinho americano por causa do Acordo de Livre Comércio da América do Norte, Nafta. Com isso, a economia mexicana fica à mercê da demanda dos Estados Unidos.
O país também beneficia das remessas de dólares de trabalhadores que imigraram para os Estados Unidos, mas esses recursos diminuíram pela primeira vez desde que começaram a ser registados, em 1995. Em Janeiro, milhares de pessoas participaram num acto público na Cidade do México para protestar contra a política económica do governo do presidente Felipe Calderón. RÚSSIA A economia da Rússia está a sofrer os efeitos de uma queda drástica no preço do petróleo no mercado internacional. O orçamento de 2009 deve apresentar défice e analistas acreditam que o país está a caminhar para a sua primeira recessão desde 1998.
O mercado de acções da Rússia registou uma queda acentuada nos últimos meses e o banco central do país gastou biliões de dólares para tentar dar sustentação ao rublo. Já ocorreram distúrbios em Vladivostok, e a crise financeira reduziu a fortuna combinada dos 10 russos mais ricos em 66% - o montante agora é de 75,9 mil milhões de US$, de acordo com a revista especializada em negócios, Finans. A percepção de que empresas estatais intimidam firmas estrangeiras para que elas cedam o controle dos seus investimentos está a desencorajar a entrada de capital externo na Rússia. Há ainda um clima de cinismo generalizado em relação ao governo na Rússia. Muitos perguntam-se se quem controla de facto o país - se é o presidente Dmitry Medvedev ou o primeiro-ministro e ex-presidente Vladimir Putin. ARÁBIA SAUDITA A Arábia Saudita é o único dos integrantes do G20 que também pertence à Organização dos Países Exportadores de Petróleo, Opep, depois da Indonésia se ter retirado do cartel no final de 2008.
A crise económica global teve como consequência uma redução na procura de energia, levando a uma queda, também, do preço do petróleo no mercado internacional, apesar das tentativas da Opep de diminuir a produção. O Fundo Monetário Internacional, FMI, prevê agora que a Arábia Saudita e os seus vizinhos terão défices fiscais de até 3,1% do PIB em 2009 - uma queda acentuada em relação a um superavit de 22,8% do PIB em 2008. O rei Abdullah substitui recentemente o presidente do banco central saudita numa rara mudança na equipa de governo. ÁFRICA DO SUL A África do Sul possui a maior economia da África e é o único país do continente que integra o G20. O país já foi atingido pela recessão global e, no último trimestre de 2008, a economia sul-africana encolheu pela primeira vez em 10 anos. Entre Outubro e Dezembro a contracção foi de 1,8% em relação ao trimestre anterior. Assim como o Brasil, a África do Sul teme que a crise leve as nações ricas a aumentarem o protecionismo. Isso dificultaria ainda mais a entrada dos países em desenvolvimento em mercados importantes.
O governo do presidente Kgalema Motlanthe, do Congresso Nacional Africano, continua a enfrentar os difíceis desafios para reduzir a pobreza e a criminalidade no país. A África do Sul realiza eleições no dia 22 de Abril. COREIA DO SUL Os governos da Coreia do Sul e dos países vizinhos temem que o arrefecimento da economia global possa levar a uma repetição da crise asiática de 1997-98.
A economia sul-coreana encolheu 3,4% no último trimestre de 2008, em comparação ao ano anterior, e o presidente Lee Myung-bak advertiu que o país enfrenta uma "emergência económica". Em resposta, o governo anunciou um pacote de estímulo no valor de 10,9 mil milhões de US$, que inclui obras públicas e redução de impostos para encorajar o consumo. Ao mesmo tempo, as taxas de juros baixaram, atingindo níveis recordes. TURQUIA Ao mesmo tempo que tenta retomar os seus esforços para entrar na União Europeia, a Turquia quer usar a sua resposta à crise como evidência de que a sua política é a de um país desenvolvido, e não a de um mercado emergente. Nos últimos três meses, o banco central turco reduziu as taxas de juros em 3,75%, embora a 13%, elas continuem altas para os padrões mundiais.
A lira turca teve uma desvalorização de 25% frente ao dólar em 2008, e a produção industrial caiu 19% em Dezembro. O país suspendeu conversações com o FMI em Janeiro por divergências sobre os termos para a concessão de um empréstimo. O governo do primeiro-ministro Tayyip Erdogan também está a tentar reduzir o índice de desemprego, hoje em 12%. GRÃ-BRETANHA O FMI espera que a economia britânica encolha até 2,8% em 2009 - o pior índice entre as nações desenvolvidas.
O Banco da Inglaterra reduziu a taxa de juros para 0,5% numa tentativa de ajudar a economia britânica a sair da recessão. O desemprego atinge 1,97 milhões de pessoas - é o mais alto desde 1997. Problemas no sector bancário levaram o governo a intervir em algumas das maiores instituições financeiras do país, como o Royal Bank of Scotland, em que o Estado tem hoje uma participação de 68%. ESTADOS UNIDOS Os problemas que englobam hoje as economias em várias partes do mundo começaram nos Estados Unidos, com crise de inadimplência no mercado de hipotecas de alto risco no país. As hipotecas foram inseridas em produtos financeiros vendidos a diversas instituições financeiras e acabaram por se revelar activos tóxicos.
O Federal Reserve (o banco central americano) teve que reduzir a taxa de juros para quase zero para tentar restaurar a normalidade dos mercados de crédito, atingidos por uma crise de confiança. O novo secretário do Tesouro dos Estados Unidos, Timothy Geithner, anunciou uma parceria com o sector privado para comprar os activos tóxicos, numa tentativa de tirá-los dos balanços dos bancos. O presidente dos Estados Unidos, Barack Obama, aprovou um pacote de estímulo à economia no valor de 787 mil milhões de US$, mas o quadro está cada vez mais sombrio e o desemprego é o mais alto desde 1992. UNIÃO EUROPEIA Dezesseis dos 27 países-membros da União Europeia adoptaram uma moeda única - o euro. O desempenho de cada economia varia bastante mas a zona do euro como um todo está em recessão desde Setembro de 2008, e a previsão é de que ela encolha 1,9% em 2009. O desemprego na zona do euro deve passar de 7,5% em 2008 para mais de 10% em 2010. A taxa de área está em 2% - a mais baixa desde Dezembro de 2005. O país da União Europeia com pior desempenho económico é a Letónia, que não pertence à zona do euro. O PIB letão pode ter uma redução de 10% este ano. |
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