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04 Fevereiro, 2009 - Publicado em 21:31 GMT

Democracia em África impossível, diz Khadaffi

A cimeira da União Africana terminou hoje - depois de um prolongamento até um quarto dia -, e terminou em polémica.

Na última conferência de imprensa em Adis Abeba, capital da Etiópia, onde decorreu a cimeira, o coronel Khaddaffi disse que em África a democracia multi-partidária leva ao derramamento de sangue.

África é essencialmente tribal e portanto os partidos são necessariamente tribalizados, explicou.

O novo presidente da União Africana acrescentou ainda que o melhor modelo para África era o do seu país, a Líbia, onde não é permitido a existência de partidos da oposição.

Estados Unidos de África

"Estou a pensar numa união para vós", disse Khadaffi aos restantes líderes africanos. "Quando penso em minha casa penso no melhor para ela e para a União."

O coronel Khadaffi referia-se à sua proposta de criação dos Estados Unidos de África, planos que não reuniram o consenso dos líderes em Addis Abeba e que levaram ao arrastar desta cimeira até a um quarto dia.

Muitos discordam dos planos apresentados pelo líder líbio e novo presidente da organização que, defendem, iria apenas fazer aumentar a burocracia, algo de que África dispensa, acrescentam.

Analistas que acompanharam esta cimeira acreditam contudo que o consenso encontrado por exemplo em torno da proposta de alteração do nome de União Africana para Autoridade Africana, mais do que um entendimento tenha sido a forma encontrada para não alienar Khadaffi logo no início do seu mandato.

Rei dos Reis

Khadaffi pretende uma força militar africana, moeda e passaporte únicos para os africanos, mas vários líderes acreditam que as propostas são pouco viáveis.

Ainda assim concordaram em estudar as suas implicações e em apresentar conclusões dentro de três meses.

Não obstante as divisões, alguns líderes mostravam-se optimistas, como é o caso do presidente sul-africano Kgalema Motlanthe, que afirmou que "um dia virá quando África será governada por uma autoridade única".

Mas da mesma forma que chegou a Adis Abeba, nas suas próprias palavras como "o Rei dos Reis de África", Muammar Khadaffi encerrou a cimeira da Etiópia com as suas declarações polémicas sobre a impossibilidade da democracia multi-partidária em África.