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Chefe da polícia queniana 'ordenou matanças'
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A Comissão dos Direitos Humanos do Quénia fez publicar um vídeo em que Bernard Kiriinya, um agente da polícia, alega que,
no espaço de um ano, viu os seus próprios colegas executarem 58 pessoas em vez de as prender.
No vídeo ele alega que as execuções haviam sido ordenadas pelo chefe da polícia queniana, o General Hussein Ali. Bernard Kiriinya é visto a relembrar como os seus colegas mataram brutalmente um suspeito, tendo depois recebido do chefe da polícia um prémio de 5 mil xelins quenianos - o equivalente a US$65. "Eles derrubaram o homem e começaram a esquartejá-lo com catanas e a maltratá-lo com paus. O homem foi desfigurado para que ninguém reconhecesse o seu corpo," disse Bernard Kiriinya.
"O chefe da polícia ficou contente com o trabalho feito e disse-nos para ficarmos calados. Deram 5 mil xelins a cada um de nós como prémio pelo trabalho feito." Depois de ter testemunhado perante a Comissão dos Direitos Humanos do Quénia, Bernard Kiriinya foi ele próprio morto a tiro em Outubro de 2008 em circunstâncias ainda por esclarecer. A polícia queniana desvalorizou as alegações dizendo que estas tinham sido feitas com o objectivo de manchar a boa imagem da corporação. A Comissão dos Direitos Humanos do Quénia alega que mais de 500 pessoas haviam sido mortas pela polícia e diz que o General Hussein Ali deve apresentar a sua demissão por não ter conseguido parar com as matanças. Relatório
Entretanto, o relator especial das Nações Unidas para os Direitos Humanos, Philip Alston, publica esta quarta-feira o seu relatório preliminar sobre execuções extra-judiciais a seguir às eleições gerais do Quénia, em Dezembro de 2007. Philip Alston esteve 10 dias no Quénia a investigar estas alegações e também as de matanças arbitrárias durante operações das forças de segurança contra milícias rebeldes em Mount Elgon, na região ocidental do país e contra elementos da seita Mungiki na capital, a cidade de Nairobi. O relator especial das Nações Unidas pediu ao Presidente Mwai Kibaki e ao Primeiro-Ministro Raila Odinga garantias de que os implicados pelas suas investigações são punidos. O não estabelecimento de um tribunal queniano para acusar os responsáveis pela violência pós-eleitoral, que matou mais de 1.500 pessoas, causou incertezas em relação ao comprimisso do governo de acabar com a impunidade. Kofi Annan, o mediador-chefe do processo de paz no Quénia, expressou-se desapontado e disse que entregaria ao Tribunal Penal Internacional uma lista com os nomes dos alegados cabecilhas, caso não fosse constituido em breve um tribunal local. A violência irrompeu entre apoiantes do Presidente Mwai Kibaki e do líder da oposição, Raila Odinga, a seguir a alegações de que os resultados do escrutínio presidencial haviam sido fraudulentos. Depois de várias semanas de negociações mediadas por Kofi Annan, em Fevereiro de 2008 os dois rivais políticos acabaram por concordar em partilhar o poder; Mwai Kibaki manteve-se na presidência e Raila Odinga ficou com o posto de primeiro-ministro. |
LINKS LOCAIS
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