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Última actualização: 12 Fevereiro, 2009 - Publicado em 19:41 GMT
 
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Guerra Colonial tem site português
 

 
 
Emboscada

O maior arquivo multimédia na Internet sobre a guerra colonial de 1961-74, que acaba de ser lançado pela Associação 25 de Abril em Lisboa, procura agora contribuições dos PALOP para aprofundar a vasta informação que disponibilizou.

O coronel Vasco Lourenço, presidente da Associação 25 de Abril e um dos protagonistas do movimento militar português contra a guerra colonial, disse à BBC para África que vai tentar “obter a colaboração dos que foram nossos inimigos durante a guerra colonial, hoje felizmente países irmãos, que lutaram e conquistaram a sua independência através dessa mesma guerra.”

Capa do livro 'Guerra Colonial'
O projecto baseia-se no livro ‘Guerra Colonial’, da autoria de Aniceto Afonso e Carlos Matos Gomes, dois “militares de Abril”

O site, guerracolonial.org, constitui o repositório mais compreensivo de informação na Internet sobre os 13 anos de uma guerra que muitos dos que foram, em Portugal, obrigados a combater, consideraram esgotada à partida.

O projecto foi criado pela Associação 25 de Abril, que contou com a ajuda da Rádio Televisão Portuguesa (RTP), a emissora pública de Portugal, para disponibilizar alguns dos vídeos e materiais multimédia.

Baseado no livro ‘Guerra Colonial’, da autoria de Aniceto Afonso e Carlos Matos Gomes, dois dos chamados “militares de Abril”, o site é organizado em cinco grandes áreas: Cronologia, ONU (onde os cibernautas podem consultar documentos sobre esta temática, respeitantes ao período entre 1955 e 1975), Protagonistas, Galeria Multimédia e Estatísticas.

4 de Fevereiro

Interdição
Os movimentos de libertação contaram com o apoio directo dos países limítrofes e as forças militares portuguesas procuraram impedir que os meios e os reforços disponibilizados chegassem às bases da guerrilha, no interior dos territórios

O coronel Vasco Lourenço fez questão de lançar o novo arquivo no dia 4 de Fevereiro, início da luta armada em Angola.

“Nós tínhamos o site já pronto e para lhe dar mais visibilidade promovemos uma sessão pública e mais mediática (na Academia Militar na Amadora, em Portugal) e escolhemos para esse efeito o dia quatro de Fevereiro, o dia em que, pelo menos simbolicamente, tudo começou em Angola.”

Entre a ideia original, passando pela obtenção dos apoios e a execução do site, passaram dois anos.

Estrutura

Embarque
Em 1961, mil e 422 efectivos foram despachados para Angola, Moçambique e Guiné; em 1973 esse número ascendia aos 149 mil e 90

A base é um texto do livro ‘Guerra Colonial’, de autoria de dois militares de Abril que o coronel Vasco Lourenço considera serem “os principais especialistas, hoje, em Portugal, da Guerra Colonial”.

São eles o coronel Aniceto Afonso, que é também historiador e o coronel Matos Gomes, “que é um grande escritor português, que escreveu vários livros sobre a guerra colonial em forma de romance, incluindo um sobre uma grande operação em Moçambique, o Nó Górdio”, especificou.

Futuras colaborações

Força Aérea
O site apresenta muitas imagens ao longo dos 13 anos de guerra mas há ainda mais por recolher

O site apresenta ainda muitas imagens ao longo dos 13 anos de guerra mas principalmente dos primeiros tempos, quando a censura do regime de então não tinha ainda incidindo sobre os militares com a força que se seguiria.

O site não conta porém com arquivos de televisões estrangeiras ou com qualquer contribuição africana.

“Nós pensamos continuar e aprofundar o site e é evidente que estamos abertos e que iremos tentar obter a colaboração dos que foram nossos inimigos durante a guerra colonial”, salientou o coronel Vasco Lourenço.

Uma das ideias é procurar apoios para traduzir o site para inglês e francês visto que a Associação 25 de Abril é “sem fins lucrativos” e vive essencialmente das cotas dos sócios.

Contra-subversão

Desembarque
Mais de 20% dos mancebos portugueses faltaram à inspecção militar nos últimos quatro anos da guerra

Inquirido sobre se a guerra colonial foi uma guerra escusada, o coronel Vasco Lourenço, considerou que da parte portuguesa, a guerra poderia ter sido evitada.

“Chegou-se à conclusão, mais tarde, de que era uma guerra ilegítima e que o poder político não conseguiu encontrar uma solução política para a guerra.

Solução
Coronel Vasco Lourenço, no dia do lançamento do site
 As forças portuguesas participaram no maior esforço que alguma vez um país fez neste campo (...) mas depois tiveram que gerar no seu seio a sua própria solução para acabar com a guerra.
 
Coronel Vasco Lourenço, presidente da Associação 25 de Abril

“As Forças Armadas portuguesas – e eu penso que isso ressalta do site – desempenharam o seu papel de forma extraordinariamente relevante, adaptando-se.

“Segundo vários estudos internacionais, as forças portuguesas participaram no maior esforço que alguma vez um país fez neste campo; penso que as forças armadas portuguesas foram as que melhor se adaptaram e melhor responderam a este tipo de guerra mas depois tiveram que gerar no seu seio a sua própria solução para acabar com a guerra porque o poder político em Portugal não foi capaz de encontrar essa solução”, observou.

“Mas no seu todo”, concluiu, “a guerra… Teria sido muito bem que não tivesse acontecido!”

 
 
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