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Última actualização: 07 Janeiro, 2009 - Publicado em 23:01 GMT
 
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Novos ataques contra a polícia moçambicana
 
Homem empunhando um revólver
Papéis invertidos - os bandidos perseguem a polícia moçambicana
Pelo segundo dia consecutivo, agentes da polícia na capital moçambicana, Maputo, foram, na terça-feira à noite, atacados por homens armados.

Dois agentes da polícia ficaram feridos, numa situação insólita e alarmante que parece confirmar as suspeitas de que a corporação policial está a ser alvo de uma cerrada perseguição por parte de gangs ligados ao crime organizado.

Analistas consideram que os mais recentes incidentes constituem uma "demonstração de força" dos criminosos.

A capital moçambicana está a testemunhar uma aparente inversão de papéis, em que são os criminosos que partem, ao que tudo indica, sem receio algum, em perseguição da polícia.

Depois de uma patrulha da polícia ter sido atacada a tiro na segunda-feira, um incidente similar repetiu-se 24 horas depois.

 Como é que um bandido pode ganhar uma batalha contra a polícia? Não é possível! O bandido não está sereno. Sabe que está a ser caçado.
 
José Mandra, vice-ministro do Interior

Pelo menos isso é o que parecem confirmar agora as circunstâncias em que se deu o mais recente acontecimento.

Foi em pleno coração de Maputo, a poucos metros do edifício que alberga a Polícia de Investigação Criminal e também do Comando da Polícia na capital moçambicana.

"Demonstração de músculo"

Homens armados dispararam contra um grupo de agentes da polícia, tendo dois agentes ficado feridos.

Em alguns sectores ganha cada vez mais forma a convicção de que estes dois episódios equivalem a uma "demonstração de músculo" dos criminosos.

 É necessário debelar as causas económicas e sociais que determinam a criminalidade. Primeiro é a barriga e depois o resto.
 
Jurista Simeão Cuamba

Há também quem os enquadre-se num possível "acto de retaliação", face ao aperto do cerco que no último mês tirou do activo, segundo a polícia, mais de uma dezena de quadrilhas.

Estará então a polícia moçambicana a perder a guerra contra os criminosos? O vice-ministro do Interior, José Mandra, diz que não.

"Como é que um bandido pode ganhar uma batalha contra uma força governamental formada com efectivos suficientes? Não é possível! O bandido não está sereno. Sabe que está a ser caçado e já apanhámos alguns que estão a dar informações sobre as quais iremos actuar."

O jurista Simeão Cuamba reclama, contudo, contra "os meios exíguos da polícia" mas defende que é preciso não se limitar à acção repressiva.

"É necessário debelar as causas económicas e sociais que determinam a criminalidade. Primeiro é a barriga e depois o resto. Não temos criminosos natos mas sim criminosos provocados pelas condições sócio-económicas do país."

 
 
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