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21 Novembro, 2008 - Publicado em 04:02 GMT

Congo: É precisa força internacional capaz

O antigo chefe das operações humanitárias das Nações Unidas, Jean Marie Guehenno, salientou a necessidade urgente de uma força internacional eficaz na República Democrática do Congo.

Ele mostrou-se satisfeito com a decisão unânime da ONU de aprovar o reforço da sua missão de paz com mais três mil militares.

Guehenno frisou que é extremamente necessária uma oferta de envio de uma força de elite credível por parte dos países europeus.

Ele acrescentou que isto enviaria uma mensagem clara às forças em conflito no leste do Congo e referiu que o importante é que os militares tenham recursos suficientes:

"A questão essencial é a capacidade e a missão enfrenta vários desafios, se não há recursos suficientes, pode haver o melhor empenho mas no final de contas, não é este empenho por si só que pode fazer a diferença necessária."

A missão da ONU no país ou MONUC é a maior em todo o mundo e conta agora com 20 mil militares embora menos de mil estejam actualmente no terreno.

Os confrontos no leste da República Democrática do Congo já forçaram cerca de 250 mil pessoas a escaparem as suas casas, o que desencadeou uma crise humanitária.

O embaixador congolês para a ONU, Atoki Ileka, disse à BBC que até à chegado do reforço militar, a actual força e o exército local teriam que trabalhar em conjunto para lidar com a sutuação.

"Diria que faltam semanas para ver qualquer mudança no terreno mas a MONUC já começou a restruturar o seu envio para os Kivus, o que é uma ajuda. E também há o exército congolês portanto é uma questão de coordenação."

Diplomatas admitiram que não sabem donde é que os militares vão aparecer nem quando serão enviados para o leste do Congo.

Apelos

Entretanto um grupo de treze ONGs humanitárias apelou para o aumento de donativos para as vítimas do conflito.

5.500 crianças-soldado correm risco de serem, de novo, recrutadas à força bem como milhares de mulheres podem vir a tornar-se nas próximas vítimas de abuso sexual.

O grupo salientou que a chegada da estação das chuvas estava a agravar a precariedade da situação entre os civis do leste da RDC.

António Cabral, responsável para a região da África Ocidental e dos Grandes Lagos da ONG humanitária CAFOD, chegou há poucos dias da região de Kivu-Norte. Em entrevista à BBC para África considerou que, por si só, o reforço hoje anunciado pouca diferença deverá fazer.

“A paz não estará de volta se reforçarmos a MONUC ou deixarmos de reforçar a MONUC. A paz vai ter de ser negociada e nesse sentido os esforços diplomáticos são fundamentais”, salientou.

A CAFOD integra o grupo de 13 ONGs que fez hoje um apelo para o aumento de donativos para o auxílio às vítimas do conflito na RDC. Segundo António Cabral começa já a haver falta de reservas alimentares para os deslocados e a estação das chuvas que se avizinha agrava o risco de cólera e malária.

“Precisamos urgentemente de mais remessas alimentares, medicamentos, tendas e cobertores”, apelou.