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Última actualização: 06 Outubro, 2008 - Publicado em 04:14 GMT
 
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'Angolagate' inicia julgamento
 
José Eduardo dos Santos
O presidente José Eduardo dos Santos conferiu a um dos arguidos, Pierre Falcone, imunidade diplomática como representante de Angola na UNESCO.
Abre hoje em Paris o julgamento em torno do escândalo da venda de armas a Angola na década de 90, em que 42 pessoas, incluindo figuras públicas como o filho do antigo presidente François Mitterrand, vão comparecer ao banco dos réus.

O processo, conhecido na comunicação social francesa por "Angolagate", centra-se no tráfico de armas orçadas em 790 milhões de dólares para Angola entre 1993 e 1998, no auge da guerra civil, que custou a vida a cerca de meio milhão de pessoas.

O caso prejudicou as relações entre Luanda e Paris e o julgamento surge numa altura inconveniente para as autoridades francesas, empenhadas em renovar laços com o Governo de José Eduardo dos Santos.

Dois empresários, o francês Pierre Falcone, de 54 anos, e o multimilionário israelita, Arcady Gaydamak, de 56, estão no centro do caso, acusados de “tráfico de influências” por terem actuado como agentes para a entrega ilegal de armas a Angola a partir da Europa de Leste. Os dois homens enfrentam uma pena máxima de 10 anos de cadeia.

Acusações

Por seu turno Jean-Christophe Mitterrand, de 61 anos, conselheiro para Assuntos Africanos do presidente francês entre 1986 a 1992, é acusado de “cumplicidade em comércio ilegal” e de ter aceite subornos num total de 2,6 milhões de dólares. O filho do antigo presidente francês enfrenta uma pena de cinco anos de prisão.

O presidente Nicholas Sarkosy e um dos arguidos, o economista Jacques Attali
O julgamento surge numa altura inconveniente para as autoridades francesas, empenhadas em renovar laços com o Governo de José Eduardo dos Santos

Outros arguidos do “Angolagate” incluem o antigo ministro francês do Interior, Charles Pasqua, o escritor francês Paul Loup Sulitzer e o célebre economista francês Jacques Attali.

Juízes acreditam que o presidente angolano, José Eduardo dos Santos, recorreu aos serviços de Falcone, patrão da firma Brenco International e o seu sócio, Gaydamak, em 1992 após a França ter recusado vender ao MPLA tanques para a sua guerra contra a UNITA.

Nos cinco anos subsequentes, 420 tanques, 150 mil munições de vários tipos e seis navios de guerra foram traficados para Angola.

Espera-se que o julgamento se prolongue por cinco meses.

 
 
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