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Última actualização: 27 Agosto, 2008 - Publicado em 05:29 GMT
 
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Ocidente condena Rússia
 
Festejos na Abkazia
Festejos nas ruas de Abkhazia.
Condenações à decisão de Dmitry Medvedev chegaram de todas as partes.

Ontem, o presidente russo assinou um decreto que reconhece a independencia da Ossétia do Sul e da Abkhazia.

Claro, da Geórgia - o Presidente Mikhail Saakashvili acusou a Rússia de querer mudar o mapa da Europa.

E claro, da Casa Branca. Anteontem, o Presidente George W. Bush tinha avisado a Rússia para não reconhecer as duas regiões da Geórgia como estados independentes. Vinte e quatro horas depois era isso mesmo que fazia Dmitry Medvedev.

A Casa Branca reagiu, exigindo a Medvedev que reconsidere a sua posição, e classificando a decisão de irresponsável:

"Assistimos a uma série de decisões infelizes por parte dos russos que só servem para isolá-los cada vez mais", declarou Tony Fratto, porta-voz da Casa Branca.

"Esperamos que eles ouçam os apelos e avisos da comunidade internacional e percebam que não é do interesse deles, a longo prazo, este tipo de acções."

Crítica unânime

A comunidade internacional de facto reagiu em voz alta e unanimemente.
Ban Ki-Moon, o secretário geral das Nações Unidas, mostrou-se preocupado com a instabilidade da região.

O Secretário Geral da NATO, Jaap de Hoop Scheffer, disse que a decisão era uma "violação directa" de várias resoluções do Conselho de Segurança da ONU.

 É um rude choque para muita gente na Europa, que ainda há poucas semanas estava a pensar numa espécie de lua de mel e numa nova relação com a Rússia
 
Miguel Monjardino

Antecipando a reacção da comunidade internacional, Dmitry Medvedev decidiu dar uma entrevista à BBC para justificar a sua decisão.

"A questão principal é defender os interesses dos povos que vivem na Ossétia do Sul e na Abkhazia. Há dezassete anos que a Federação Russa tem levado a cabo a tarefa de manter a paz na região", disse o presidente russo a Bridget Kendall, da BBC.

Na entrevista à BBC, Medvedev negou ainda que o conflito com a Geórgia fosse para enviar um sinal à NATO e aos Estados Unidos para que não interfiram no "quintal" da Rússia.

Guerra Fria

Mas admitiu que havia um agravamento da tensão internacional. Medvedev acrescentou que não era do interesse de ninguém viver uma nova guerra fria, mas que a possibilidade não podia ser excluída.

Com a decisão de Medvedev, na Ossétia do Sul festejou-se. Mas, como dizia a um jornalista da BBC um georgiano daquela região, o reconhecimento da rússia não significa uma independência legal, e com isto, o povo da Geórgia e o povo da Ossétia do Sul fica ainda mais distante.

E mais distante está a Rússia da Europa Ocidental. Ainda há poucas semanas parecia que a Guerra Fria era coisa do passado.

Miguel Monjardino, do Instituto de Estudos Políticos da Universidade Católica Portuguesa, comentou a nova frieza das relações entre a Rússia e o Ocidente:

"É um rude choque para muita gente na Europa, que ainda há poucas semanas estava a pensar numa espécie de lua de mel e numa nova relação com a Rússia", explicou Miguel Monjardino.

"Com o novo Presidente Dmitry Medvedev essa lua de mel nunca aconteceu e agora vamos ver se não há um divórcio".

 
 
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