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Última actualização: 25 Agosto, 2008 - Publicado em 18:33 GMT
 
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Edil de Maputo posto de lado
 

 
 
Eneias Comiche
Muitos moçambicanos continuam atónitos com a decisão da Frelimo de não recandidatar Comiche para a chefia da Câmara de Maputo
A opinião pública moçambicana continua atónita com a decisão da Frelimo, de chumbar a pretensão do actual presidente do Conselho Municipal de Maputo, Eneias Comiche, de se recandidatar ao cargo nas eleições autárquicas de 19 de Novembro.

Para muitos o edil da maior autarquia do país pagou assim pela verticalidade e trabalho que afirmam terem marcado o seu mandato. Há todavia quem acuse Eneias de elitismo.

O facto de ter sido preterido a favor de um membro do Governo está entretanto a alimentar fortes especulações.

Aconteceu a meio da noite da última sexta-feira, mas tal como ficou provado ao longo do fim-de semana, muita tinta há-de ainda correr, muito ainda há-de se dizer e ouvir, no seguimento da decisão da Frelimo de não recandidatar o actual edil de Maputo.

Carolina Meneses, da Associação dos Moradores de Maputo manifestou à BBC apreensão com a decisão da Frelimo.

 Lamentamos, porque conseguiu mostrar-nos pela primeira vez a face que uma cidade deve e pode ter.
 
Carolina Meneses, membro da Associação dos Moradores de Maputo

“Lamentamos, porque conseguiu mostrar-nos pela primeira vez a face que uma cidade deve e pode ter. É certo que atingiu muito do que desejávamos mas há ainda muita coisa para fazer. Há pessoas que o acusam de ser muito urbano, que se esqueceu da periferia, mas nós não podemos ter uma periferia em condições se não tivermos uma cidade capaz”, considerou.

"Mais tempo"

Sentimento idêntico foi partilhado por outros citadinos anónimos com quem a BBC conversou aqui em Maputo. Mas houve também quem pensasse de forma diferente.

”Acho que não é bom para Maputo. Ele estava a desenvolver um bom trabalho. Melhorou as estradas e a recolha do lixo”, afirmou um homem.

Outro avisou que “isto poderá retardar alguns projectos por ele iniciados. Devíam ter-lhe dado tempo para concluí-los”.

Um outro entrevistado todavia disse que “dava a impressão de que ele (Comiche) não dominava a máquina, os vereadores punham e dispunham a bel-prazer, cometeram muitas arbitrariedades. E depois fez tudo no fim. O cidadão esperou por todo o mandato para depois ver as obras dele”.

 O cidadão esperou por todo o mandato para ver as obras dele.
 
Cidadão de Maputo

Com efeito, uma das maiores críticas dirigidas a Eneias Comiche tem a ver com este último pormenor: o edil parece ter reservado para o fim as grandes beneficiações, em particular a reabilitação de estradas e contenção da erosão, por que há muito clamava Maputo.

Isto levou a que alguns dos seus detractores falassem de obras eleitoralistas. Eis o que respondeu à BBC o seu vereador para as Infra-estruturas, Mário Macaringue.

"Mais trabalho"

“Nós não trabalhamos nas vésperas das eleições, as eleições ganham-se trabalhando todos os dias. Vamos continuar ao mesmo ritmo até ao último dia”, assegurou.

Seja como for, o certo é que, em muitos círculos, já é um dado adquirido a não reeleição pela Frelimo de Eneias Comiche.

Maputo
A contenção da erosão de Maputo é um dos principais desafios para os futuros gestores da cidade.

No currículo do edil, constam cargos como o de governador do Banco de Moçambique e ministro das Finanças e ainda o seu estatuto de membro da Comissão Política do partido no poder.

Para muitos, a candidatura concorrente de David Simango, actual ministro da Juventude e Desportos, terá uma mensagem clara sobre a direcção que as coisas iriam ou teriam de seguir.

Ayuba Cuereneia, chefiou a brigada da Frelimo que supervisionou este processo eleitoral interno e recordou que a cidade de Maputo foi classificada (num encontro de avaliação recente do Comité Central) como tendo tido um desempenho positivo.

“Portanto, não houve problemas em relação a isso. Agora se me perguntam porquê é que Eneias Comiche não foi eleito, isso precisaria que eu entrasse nas cabeças dos membros do Comité da Cidade. A Frelimo não faz vítimas. Há processos democráticos, eleitorais, todos os membros sabem quais são as regras do jogo e todos se submetem a esse processo democrático”, concluiu.

 
 
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