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Última actualização: 22 Agosto, 2008 - Publicado em 04:23 GMT
 
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ONU nega acusações de Ramos-Horta
 
Xanana Gusmão (à esquerda) e Ramos-Horta
Num relatório confidencial a que a BBC teve acesso, a UNMIT diz que a vida do presidente foi provavelmente salva porque a missão enviou uma enfermeira para o socorrer
A missão das Nações Unidas em Timor-Leste, UNMIT, rejeitou acusações do presidente José Ramos-Horta de que tinha sido lenta na resposta que deu aos atentados frustrados de 11 de Fevereiro nos quais sofreu graves ferimentos.

O presidente tinha dito que as forças internacionais da UNMIT não foram suficientemente rápidas em prestar-lhe auxílio médico e em deter os perpetradores.

Num relatório confidencial a que a BBC teve acesso, a UNMIT diz no entanto que a vida do presidente foi provavelmente salva justamente porque a missão enviou uma enfermeira com a polícia para o socorrer.

A missão da ONU salienta ainda que o próprio Governo timorense esperou dois dias antes de proceder à perseguição dos soldados rebeldes e que a maior parte dos guardas presidenciais desertou dos respectivos postos quando estes atacaram.

Admissões

O relatório reconhece que, se as comunicações tivessem sido mais eficazes, a polícia internacional da missão da ONU em Timor-Leste teria socorrido o presidente Ramos-Horta quatro minutos mais cedo o que, sustenta, “não teria tido um impacto significativo.

“O que foi crucial”, salienta o documento, “foi a decisão da UNMIT de enviar juntamente com a polícia uma enfermeira que prestou ao presidente tratamento médico de emergência decisivo para que a sua vida fosse salva.”

Contra-denúncia
 O relatório diz que, à excepção de quatro, todos os soldados que guardavam a residência presidencial desertaram dos seus postos quando os rebeldes chegaram.
 
Lucy Williamson, correspondente da BBC em Jacarta

O ONU reconhece que ocorreram falhas na resposta que deu ao segundo atentado - contra o primeiro-ministro Xanana Gusmão - tais como atrasos na chegada à sua residência, as condições em que efectuou a evacuação da sua família e a preservação das cenas do crime.

Mas os insucessos mais graves, salienta o relatório, foram da responsabilidade das próprias forças timorenses, como especificou a correspondente da BBC em Jacarta, Lucy Williamson, que teve acesso ao documento confidencial da ONU.

Negações

"O relatório diz que à excepção de quatro, todos os soldados que guardavam a residência presidencial desertaram dos seus postos quando os rebeldes chegaram”, desvendou.

“A polícia de Díli nunca respondeu quando recebeu o pedido para enviar reforços. E o próprio presidente tinha apenas dois guarda-costas, armados apenas com uma pistola cada, a acompanhá-lo nessa manhã - e que abandonaram o local quando o tiroteio começou”, acrescentou a correspondente da BBC em Jacarta.

Finalmente o documento nega que as forças da ONU em Timor -leste tivessem sido lentas na perseguição dos perpetradores.

“A captura dos rebeldes não foi uma prioridade para o próprio Governo timorense, que estava mais empenhado em proteger a cidade iniciando a busca do paradeiro dos rebeldes dois dias após os atentados”, remata.

 
 
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