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Última actualização: 19 Junho, 2008 - Publicado em 00:40 GMT
 
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Eleições antecipadas em São Tomé e Príncipe?
 

 
 
Fradique de Menezes (imagem de arquivo)
A convocação do conselho de Estado ocorre após Rafael Branco, líder do MLSTP-PSD, ter recusado formar um governo de consenso
O presidente de São Tomé e Príncipe, Fradique de Menezes, convocou para esta quinta-feira o seu órgão de consulta, o Conselho de Estado, para tentar desbloquear o impasse criado há um mês com a queda do governo de Patrice Trovoada.

A convocação surge após Rafael Branco, líder do MLSTP-PSD, o partido convidado pelo chefe de Estado para formar governo, ter ontem dito em conferência de imprensa não estar disponível para formar um executivo com base nas posições dos partidos MDFM e ADI.

A opção de um governo de consenso liderado por Rafael Branco era encarada como a principal saída para crise política do país. Ao que tudo indica, porém, o presidente Fradique de Menezes não tem resistido a fortes pressões do próprio partido do qual é fundador, o MDFM-PL e da ADI liderado pelo primeiro-ministro demissionário, Patrice Trovoada.

Uma situação que tem estado a protelar a saída do decreto presidencial para nomear o novo primeiro-ministro e o seu elenco.

Pressões

Quem se mostrou também cansado de inúmeras pressões foi o presidente do partido chamado para formar governo, Rafael Branco, que na conferência de imprensa de quarta-feira, garantiu não estar disponível para formar qualquer governo.

 Eu estava disponível para chefiar um governo mas um governo por mim concebido.
 
Rafael Branco, líder do MLSTP-PSD

“Eu estava disponível para chefiar um governo mas um governo por mim concebido, um governo de que tinha uma visão, que tinha escolhido e para o qual tinha falado com cada um dos ministros que iriam para o meu governo; para isso eu estava disponível “ salientou o primeiro-ministro indigitado.

Perante a actual situação e à luz das preocupações do presidente da República para a constituição de um governo de base mais alargada, Rafael Branco rejeitou a chefia de qualquer executivo.

Em entrevista aos nossos serviços, o analista político santomense, Óscar Baía, considerou que o presidente Fradique de Menezes “é o principal responsável pelo arrastar da crise.

Último recurso

Baía explicou que, “pelo desenrolar das coisas, o presidente ainda não conseguiu colocar os interesses de São Tomé e Príncipe acima de todos os outros, portanto, acima dos interesses dos partidos políticos ou seja, um presidente de todos os santomenses ao invés de um presidente do MDFM.

 O presidente ainda não conseguiu colocar os interesses de São Tomé e Príncipe acima de todos os outros.
 
Óscar Baía, analista político

“A pressão com certeza falou mais alto e o senhor presidente da República viu-se de mãos atadas e portanto cabe-lhe recorrer ao último recurso que a constituição lhe permite” concluiu.

De acordo com a Constituição, o último recurso é a convocação do Conselho de Estado que poderá recomendar a Fradique de Menezes a dissolução do parlamento e convocar eleições antecipadas no prazo de três meses.

A BBC apurou que este órgão consultivo do chefe do estado se reúne esta quinta-feira no palácio presidencial.

 
 
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