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Última actualização: 08 Maio, 2008 - Publicado em 16:15 GMT
 
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Brasil: desflorestação aumentou em 2007
 
Mato Grosso
Exemplo de desflorestação na regiºao do Mato Grosso
Em Janeiro, o governo brasileiro anunciou que o índice de desflorestação na Amazónia tinha disparado na segunda metade de 2007, poucos meses depois de funcionários terem celebrado quedas consistentes.

Foi uma embaraçosa admissão do presidente brasileiro, Luiz Inácio Lula da Silva, que tinha afirmado que os esforços do seu governo para controlar a exploração ilegal de madeiras e a introdução de melhor certificação da propriedade da terra estavam a dar resultado.

Os dados também chamaram a atenção para o destino da floresta tropical da Amazónia, levantando a questão de se a região poderá ser economicamente desenvolvida sem ser destruída.

"A desflorestação está ligada a factores económicos", diz Paulo Barreto, investigador senior da Imazon, uma organização não-governamental, nos seus escritórios em Belém, a capital do estado do Pará, na Amazónia.

Com a subida dos preços dos alimentos e das matérias primas em todo o mundo, a procura de terras baratas na Amazónia, que custam um décimo do preço da terra no sul ou no sudeste doBrasil, parece destinada a subir.

Problemas endémicos

Incêndio florestal
Uma imagem típica da desflorestação

"Setenta e cinco por cento da desflorestação na Amazónia é para criar pasto para gado", diz Barreto.

"O Brasil, nos últimos cinco anos, tornou-se no maior exportador mundial de carne. Toda a expansão da indústria pecuária nos últimos anos tem sido na Amazónia".

O Brasil é também o maior exportador de soja, muita da qual é produzida no estado de Mato Grosso, também na Amazónia.

Na medida em que a procura de soja e carne aumenta nas economias em rápido crescimento da Ásia, em particular a China, muitos observadores receiam que a pressão sobre a floresta tropical vá continuar.

O governo federal brasileiro estava suficientemente preocupado com a subida regista em 2007 na desflorestação para lançar uma grande operação policial em Fevereiro.

Milhares de agentes foram enviados para algumas das áreas mais atingidas para combater a exploração ilegal da madeira, encerrando serrações e aplicando multas.

Mas alguns dizem que tais operações não abrangem os problemas endémicos da região.

A fraude no registo de terras é um grande problema", diz Paulo Barreto.

"As receitas de multas por desflorestações está a um nível muito baixo. O Ministério da Indústria pensa que o impacto psicológico de receber uma multa é suficiente, mas elas nunca são cobradas."

Encontrar soluções

Madeiras
A exploração de madeiras exige uma gestão sustentável

Mas com o cada vez mais importante papel do Brasil a nível mundial como uma grande potência agrícola, está a emergir um novo pragmatismo.

Alguns acreditam que a desflorestação pode ser melhor combatida, não só através de mais policiamento mas também através da criação de incentivos económicos aos que vivem e trabalham na Amazónia, para explorar o seu meio ambiente sem o destruiir.

"Teremos que discutir a sustentabilidade ambiental na Amazónia de uma forma nova", disse o ambientalista brasileiro e antigo congressista Fabio Feldman, num debate no ínicio de Abril, na TV Globo.

"A Amazónia está a prestar serviços ambientais ao mundo e nós temos que descobrir um mecanismo que possa compensar os negócios florestais e agrícolas para que eles não desflorestem".

No estado da Amazónia, que sofreu muito menos desflorestação do que algumas outras partes da região, as autoridades estão a lançar um esquema que poderá deter a chave para resolver o paradoxo de como conciliar o desenvolvimento económico e a ecologia.

À luz deste esquema, em troca de cerca de 30 dólares por mês, as famílias são solicitadas a proteger o meio, os animais e os peixes em risco de extinção, e a não vender madeira.

Trinta anos

O esquema é inicialmente dirigido a famílias em áreas locais de conservação mas poderá ser estendido mais tarde. O plano está também a ser observado com interesse por outros países amazónicos na região.

Ao mesmo tempo as autoridades do estado do Amazonas têm estado a trabalhar para criar mercados para vender produtos florestais.

Em outras partes do estado do Amazonas preocupações internacionais estão a pressionar os agricultores e produtores a levar em conta o meio de uma nova maneira quando procuram linhas de crédito internacionais para se modernizarem e se tornarem mais eficazes.

Plantação de soja
Plantação de soja

"O Brasil tem muitas terras abandonadas que poderão ser destinadas ao bom uso em vez de cortarem a floresta tropical", diz Erai Maggi, um dos maiores produtores mundiais de soja com terras no sul do estado do Mato Grosso.

"Precisamos de infraestruturas melhores, para nos tornarmos ainda mais eficientes e ajudar a aumentar as reservas alimentares mundiais que atingiram níveis mínimos de há 30 anos. Actualmente para exportar temos que transportar a nossa soja por 30 mil quilómetros de uma estrada em mau estado para os portos no sul do país."

Vigilância por satélite

Mais ao sul, na capital Brasilia, o governo federal avançou com propostas mais ambiciosas, incluindo a controversa criação de um plano económico para a zona.

Isto dividirá a Amazónia em regiões de diferentes actividades económicas.

Tudo isto levará tempo. Entretatom o o Instituto de Investigação Espacial do governo brasileiro, INPE, tem estado a desenvolver sistemas de vigilância por satélite que mostram de mês a mês imagens de desflorestação que, em teoria, facilitarão a identificação dos perpretadores de crimes ambientais e ajudará a desacelerar os índices de desflorestação.

Contudo, os cenários do futuro da Amazónia ainda continuam aterradores.

Projecções pessimistas sugerem que se o índice actual de desflorestação continuar, com pouco policiamento ou punição, 40% da floresta desaparecerá até 2050.

Se os governos fizerem funcionar as áreas de conservação e punir a desflorestação, e se investirem na reflorestação e no reutilização de áreas já despidas da sua floresta estes números poderão reduzir-se para uma perda de apenas 27%.

Na melhor das hipóteses, com bons projectos para reduzir a desflorestação e pagando às pessoas para não cortarem a floresta, o Brasil poderá ser capaz de manter as suas perdas nos 20%.

 
 
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01 Maio, 2008 | Notícias
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