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Novos sons de Cabo Verde, de novo no feminino
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Mais "maduro", "fresco", "rico" e "sofisticado": os adjectivos que recaiem sobre o segundo trabalho a solo da cabo-verdiana
Carmen Souza - o álbum "Verdade".
Carmen Souza prova o que vale neste segundo álbum, de novas sonoridades, e disse à Tribunal Cultural da BBC como é que se processou a transição do primeiro álbum "Ess ê Nha Cabo Verde" até "Verdade": CS: O "Verdade" é como o tema do próprio disco diz, é a verdade daquilo que eu sinto e a verdade daquilo que eu vivo todos os dias, numa procura completamente descontraída. Não é nada de muito sufocante!... É sim o procurar também de uma sonoridade cada vez mais minha, tanto em termos de letra, como de música - no fundo tudo o que faça transparecer mais o meu "eu". Mas a diferença - especialmente em termos de conteúdo - é que no "Ess ê Nha Cabo Verde" eu falo muito sobre histórias de Cabo Verde e dou um bocado voz a todas as pessoas de Cabo Verde, e falo das dificuldades, e das pessoas mesmo de lá.
No "Verdade" eu falo muito mais em mim e nas minhas lutas diárias e tento dar um pouco mais do meu testemunho para quem o queizer ouvir e para quem o necessite de ouvir - isto a pensar em poder ajudar alguém que possa estar a passar por algo de parecido, para poder ajudar essas pessoas. BBC: A Carmen é autora de todas as composições, e voltou neste álbum a insistir no crioulo... CS: O crioulo é uma língua muito musical. Por acaso neste álbum já incluí algumas letras em crioulo e inglês; há um tema chamado "Confiança", em que eu canto nas duas línguas. Mas o crioulo é uma língua muito musical, para além de que penso que isto me aproxima mais de toda a comunidade cabo-verdiana, pois não faria sentido eu estar a falar das minhas raízes e estar a cantá-las em inglês! BBC: Já agora, porque é que pensa que existem tantas mulheres cabo-verdianas cantoras conhecidas internacionalmente? Como é que vê este fenómeno?
CS: Não sei... A mulher cabo-verdiana - e também, já globalizando um bocadinho, a mulher africana - é uma mulher com alguma força e com muita personalidade; normalmente as mulheres cabo-verdianas são assim. Eu acho que é normalmente sempre uma força de persistir naquilo que querem, e naquilo que é a visão delas.... ... Estou também a pensar no meu ponto de vista (risos)...! Talvez pela sua força de vontade e pela sua personalidade, mas também pelo seu talento, porque existem cantoras cabo-verdianas com muito talento e a levar a cultura cabo-verdiana por aí fora... BBC: A Carmen foi também bastante influenciada pela sua educação cristã, algo que se reflecte na sua música... CS: Isso segue exactamente o meu dia a dia. Não querendo ser muito religiosa, o que eu estou a fazer é a falar do meu testemunho e estou a tentar tocar outras pessoas que estejam a precisar de outros testemunhos, outras pessoas que estejam a passar pelo mesmo. É isso que eu sinto que é a minha missão. Porque Deus deu-me este talento, e eu então tento multiplicá-lo e cada vez mais tocar pessoas através desta mensagem. BBC: A música da Carmen tem, está claro, a sua raíz cabo-verdiana - o batuco, o funaná, etc. - mas incorpora essencialmente um grande som jazzístico. Como é que aconteceu esta ligação ao jazz?
CS: Esta ligação ao jazz vem um bocadinho de trás, naquela procura do meu "eu", e do meu som. Eu tenho que juntar todo este background, não só a minha parte cabo-verdiana, mas também tudo aquilo que entretanto no meu caminho se juntou a mim, que foi o jazz. O cabo-verdiano teve sempre a vontade de ver para além... E isso criou-lhe muita curiosidade, e ao chegar aos outros países, era tanta a vontade de conhecer o resto do mundo que acho que assimilou muitas influências. Eu acho que este bichinho teve sempre presente dentro do cabo-verdiano, de conhecer e também, às tantas, de assimilar. As pessoas falavam muito que a música cabo-verdiana tinha estagnado e não evoluía para lado nenhum, as pessoas só faziam o que já existia, e eram só versões.. e que um "Sodade", nunca poderia ser um "Sodade" misturado com jazz, ou com outro estilo musical. Mas eu acho que a mente está cada vez mais aberta. Acho que a mente aberta é muito necessária nesta evolução, neste "boom", que a música cabo-verdiana tem estado a registar.
Carmen Souza lança o seu "Verdade" aqui em Inglaterra no próximo dia 3 de Março, apresentando-o ao público no dia seguinte com um concerto no Momo's, em Londres. A artista vai estar em digressão em Inglaterra até ao dia 29 de Março, que encerra com um conerto em Norwich. No dia 15 de Março Carmen Souza actua também no Waverley de Bognor Regis, no condado de West Sussex, num espectáculo de caridade. O concerto destina-se a apoiar a instituição "Nyodema", que significa "ajudando outros" na língua Mandinka, uma língua tribal da Gâmbia. A instituição de caridade, formada no ano passado, conta entre os seus objectivos a celebração das chamadas música e artes do mundo e promover o intercâmbio inter-cultural e os sectores da educação e saúde na África Ocidental. |
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