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Última actualização: 06 Novembro, 2007 - Publicado em 16:40 GMT
 
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Rapper Azagaia de novo à carga com 'A Marcha'
 

 
 
Azagaia
Rapper moçambicano assume papel de músico de intervenção
"A Marcha" é o novo tema do jovem rapper e MC moçambicano, Azagaia, que "volta à carga" com a sua mensagem de intervenção e crítica social.

"A Marcha" faz parte do primeiro registo musical de Azagaia, intitulado "Babalaze" (ou ressaca), e que, como já tinhamos anunciado há uns meses, tem lançamento previsto para o próximo dia 10 de Novembro, que por sinal coincide com o Dia de Maputo.

Como no single de apresentação, "As Mentiras da Verdade", o hip-hop deste jovem não se coíbe de tocar em algumas das feridas da sociedade moçambicana, e no seu tom característico, mais uma vez ilustrado em vídeo, apresenta curas alternativas para essas feridas.

Para quem pensava que a mensagem das "Mentiras da Verdade" poderia ser algo incómoda, "A Marcha" mostra um Azagaia em estilo ainda mais combativo.

"As Mentiras da Verdade foi o primeiro passo, o primeiro ímpeto, a seguir A Marcha é como que o meu Plano B; eu quero fazer com que as pessoas passem à acção", disse Azagaia ao programa Tribuna Cultural da BBC.

"Eu julgo que o povo tem de começar cada vez mais a tomar o poder, a participar mais da vida política do país; a marcha é mesmo o convite às pessoas para que estas se insurjam", explicou o jovem estudante universitário, de nome Edson da Luz.

Crítica 'incómoda'

Azagaia voltou a reafirmar as suas credenciais de músico de intervenção dizendo que é esse o tipo de música que faz, pois "sempre tenho uma mensagem a deixar". O que acontece agora, explica, é que se tem "estado a tornar mais contundente". Contudo "desde as músicas mais leves às mais contundentes é sempre a intervenção" que rege a sua música.

Azagaia
Azagaia diz que quer tocar fundo nas feridas da sociedade

Questionado se sentia que a sua mensagem continuava a ser recebida em certos círculos como um pouco incómoda, ou se o público já se começava a habituar, Azagaia disse acreditar que "as pessoas nunca se vão habituar - aqueles que se sentem ameaçados pela minha mensagem".

A prova disso, diz ele, "é que muito silenciosamente tem estado a registar-se uma espécie de boicote" à sua música. "As Mentiras da Verdade" recebeu maior cobertura dos meios de comunicação social, explica, sejam eles as rádios ou as televisões.

"Com A Marcha, tenho estado a notar que passa com muito pouca frequência", acrescentou Azagaia.

Depois das "Mentiras da Verdade", explicou o jovem, A Marcha tenta tocar mais fundo naquilo que são as feridas mais profundas da sociedade moçambicana:

"Eu quiz fazer uma abordagem diferente na Marcha; eu chamo as pessoas, eu chamo os oprimidos, os injustiçados, as pessoas que acordam muito cedo e vão dormir muito tarde a lutar pela vida. Eu chamo-as para que se juntem e que pesnem que devem começar a agir para que as coisas mudem, e que não fiquem simplesmente à espera", disse.

Por uma vida melhor

"Eu faço aquilo que não é fácil, mas que eu tomei como um desafio, que é contribuir com soluções", afirmou, aquilo que ele acha "pode ser feito para se melhorar o panorama social no país".

E isso, adianta, passa por "começar por diminuir o fosso enorme entre pobres e ricos. Antes que os ricos roubem os pobres, vamos combater a riqueza absoluta".

"Existem pessoas neste país que continuam a viver com menos de um dólar por dia", enquanto que muitos políticos e outros cidadãos que vivem na opulência "se passeam pelas ruas da cidade em carros de luxo", muitas vezes para irem ao parlamento falar de pobreza.

Para Azagaia, esta dicotomia "não combina" e assim se explica a sua vontade de mudar o estado das coisas.

'A constituição como uma bíblia'

"Outra coisa de que falo é que as pessoas devem começar a conhecer melhor os seus direitos", diz Azagaia, que refere que na sua opinião "a Constituição da República, em Moçambique, tem que ser tomada como uma bíblia" e divulgada pela população.

Isto, explica, "porque diáriamente os nossos direitos são violados, por exemplo, pela própria polícia".

 Existem pessoas neste país que continuam a viver com menos de um dólar por dia, enquanto que outros se passeam em carros de luxo
 
Azagaia

Diz Azagaia "que é normal a polícia, ao interpelar alguém não ter modos e às vezes mesmo partir para a violência". São estas coisas, acrescenta, "que podem ser combatidas por nós.

Populares em acção

Como nas "Mentiras da Verdade", "A Marcha" vem acompanhada de videoclip, neste caso demonstrando alguma sofisticação e filmado nas ruas de Moçambique.

"O videoclip foi uma coisa incrível, porque inclui apenas três ou quatro actores profissionais", tendo tido de lidar com os poulares, disse o jovem.

"Nós saímos à rua sem saber o que iríamos encontrar. Fomos para as paragens dos autocarros filmar, fomos para as zonas onde se processam actividades informais, em que basicamente o que acontence é que a polícia camarária chega e manda toda a gente embora sem lhes dizer para onde se devem mudar"

"Nós pedimos a essas pessoas que colaborassem conosco. Dissemos-lhes que queriamos mostrar a sua própria realidade", explicou o músico, que anunciou aos fâs que o seu primeiro registo musical, "Babalaze", estará à venda em Moçambique e Portugal a partir de Sábado dia 10 de Novembro.

 
 
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