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O despertar de São Tomé e Príncipe | ||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||
A cidade de São Tomé é, certamente, uma das capitais mais sossegadas de África – senão mesmo do mundo. Às 8 horas da manhã está absolutamente silenciosa. Há umas poucas pessoas na rua, um punhado de ciclistas a caminho do trabalho e algumas mulheres ao sol, à espera de vender os seus ananases e bananas. Entre a tranquilidade e o indesmentível charme desta pequena nação arquipelágica, a maioria dos cerca de 169 mil habitantes de São Tomé e Príncipe está desempregada e vive em completa pobreza. Muitos dependem da agricultura e da pesca de subsistência para sobreviver. Mas a sorte deste país poderá, em breve, mudar graças à explosão do petróleo. São Tomé e Príncipe e a Nigéria assinaram, há alguns anos, um acordo para explorar a sua área marítima conjunta no Golfo da Guiné. Cautela O Presidente Fradique de Menezes disse-me que está confiante de que o seu país vai mudar de rumo, passando de uma economia tradicionalmente baseada na exploração de cacau para outra baseada na produção de crude.
Mas disse-me também que era demasiado cedo para se saber se as reservas de petróleo no offshore eram tão vastas quantas as de recursos piscatórios. “Claro que é lógico que estas ilhas tenham também petróleo porque estamos no meio de lugares onde há petróleo: Angola a Sul, a Nigéria a Norte, o Gabão, os Camarões, até o Congo-Brazzaville tem petróleo, e a nossa vizinha, a Guiné-Equatorial. “Por isso, é lógico que tenhamos algum. Quanto a quantidades, isso é uma outra questão”. O primeiro poço terá ainda que ser perfurado e a primeira gota de petróleo descoberta, mas já há no ar alegações de corrupção e de irregularidades na atribuição dos blocos na Zona de Desenvolvimento Conjunto. Ciclo de corrupção São Tomé e Príncipe é a última nação a juntar-se ao grupo de países produtores de petróleo no Golfo da Guiné.
Está determinado em não seguir a mesma rota de alguns dos seus vizinhos, onde a corrupção e a má gestão dos recursos do petróleo serão responsáveis pela falta de desenvolvimento. “Quando olhamos para todos os países produtores de petróleo à volta de São Tomé e Príncipe não conseguimos perceber como é que produzem tanto petróleo, têm tanta riqueza, e vivem em tamanha pobreza” – diz Afonso Varela, o director jurídico da Agência Nacional de Petróleo de São Tomé. “Acho que São Tomé está a tentar fazer algo diferente, para partilhar essa riqueza por entre o nosso povo e para edificar algo que beneficie toda a gente”. Conversa fiada Apesar de todo o optimismo no ar, as pessoas no mercado central da capital santomense, com as suas bancas abarrotadas com vegetais e frutos tropicais, não parecem acreditar que o petróleo resolverá todos os seus problemas. “Sim, ouvi dizer que temos petróleo e que este país pode ter um bom desenvolvimento. Mas não acredito nisso” – disse-me uma senhora que fazia compras. “O que tenho visto é os ricos cada vez mais ricos e os que não têm dinheiro continuam pobres”. Um homem, também a fazer compras, diz que não vai ficar à espera de promessas vãs. “Há muitos anos que as pessoas falam do petróleo mas ainda não vimos nada. É por isso que não acredito. Só acredito em mim próprio”.. Saí do mercado central. O sol forte do meio-dia espalhava, pelo ar, um ambiente letárgico. Apanhei um dos táxis amarelos – a única forma de transporte público no país – de uma praça de táxis à espera de clientes e foi encontrar-me com o advogado Fábio Santos. Esperanças no ar No “Café & Companhia”, onde os intelectuais e homens de negócios se juntam para um café e uma fatia de bolo, ele disse-me que estava agora mais optimista, depois de ter regressado recentemente de Portugal, onde viveu e estudou durante 10 anos.
“Muitas coisas estão piores em São Tomé. Mas vejo uma nova perspectiva no sector privado, que fez muitas coisas pelo país. O Estado, o governo, não faz o que lhe compete fazer. O sector privado trabalha melhor” – diz Fábio Santos. A promessa do petróleo terá ainda de se materializar neste minúsculo país e, por enquanto, as ruas mantêm-se calmas. É difícil imaginar que uma explosão de petróleo está mesmo à esquina. Também faltará saber das capacidades dos líderes santomenses para lidar com a sua nossa indústria de ouro negro. “As pessoas que vivem nas áreas rurais são muito pobres. Espero que, um dia, as coisas mudem e que o nosso governo use o nosso petróleo para melhorar as vidas do nosso povo” – disse-me um jovem santomense. | LINKS EXTERNOS A BBC não é responsável pleo conteúdo de sítios externos da internet | ||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||
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