04 Fevereiro, 2005 - Publicado em 20:57 GMT
Gonçalo de Carvalho
BBC Para África
No Museu Britânico, no seu grande átrio central coberto logo à entrada, a Árvore da Vida, ou Tree of Life, serve de introdução à grande exposição sobre África, agora inaugurada.
Africa at the British Museum é o título genérico da exposição que vai permancer neste museu de Londres até ao próximo mês de Abril.
A Árvore da Vida, a simbolizar a dinâmica criativa dos africanos, é uma obra de artistas de Moçambique que, integrados no projecto TAE, "Transformar Armas em Enxadas", executam obras de arte a partir de armas do tempo da longa guerra civil que atingiu Moçambique.
Era necessária uma iniciativa que convencesse a população a devolver as armas, de modo a que elas não viessem um dia a cair em mãos erradas.
Armas por Enxadas
![]() Pormenor do tronco da Árvore da Vida |
Inicialmente as armas eram todas destruídas mas, a certa altura, Dom Dinis considerou ser necessário deixar testemunhos para as próximas gerações.
E assim surgiu a ideia de transformar as antigas armas mortíferas da guerra em obras de arte.
O Museu Britânico teve conhecimento do trabalho que os artistas moçambicanos estavam a desenvolver e encomendou-lhes as obras que agora são uma das principais atracções da exposição Africa at the British Museum.
Tree of Life
A Árvore da Vida é uma escultura que pesa cerca meia tonelada e mede três metros de altura.
![]() "Trono das Armas" feito com armas entregues no projecto TAE |
O Director do Museu Britânico, Neil MacGregor disse estar impressionado pelo modo como artistas moçambicanos constroem uma cultura de paz criando esculturas fascinantes a partir de armas mortíferas desmanteladas.
Como funciona o TAE?
As populações moçambicanas, individualmente ou em grupo, devolvem o armamento que têm em seu poder ou cuja localização conheçam.
Em troca recebem instrumentos de trabalho que os possam ajudar a ganhar o seu sustento.
O tractor, por exemplo, foi trocado por 500 armas que a aldeia em conjunto recolheu.
O projecto TAE, nos seus nove anos de existência, já recolheu e desmantelou mais de 600.000 armas.
Mas há ainda milhões de pistolas, espingardas, metralhadoras e lança-granadas, que ainda não foram devolvidas.