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Última actualização: 23 Março, 2007 - Publicado em 21:03 GMT
 
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Preservar a memória do tráfico
 
Imagem da escravatura
Quarenta milhões de pessoas terão sido arrancadas à África
Assinala-se a 25 de Março de 2007 o bicentenário da abolição do tráfico de escravos no império britânico.

Há dez anos, a UNESCO lançou um projecto de pesquisa internacional sobre o tráfico transatlântico intitulado 'A rota do escravo'.

Foi criado um comité científico internacional e comités nacionais, tendo-se seguido uma série de encontros em várias partes do mundo, nomeadamente em África e na América.

No âmbito do referido projecto, o Comité Português mobilizou especialistas dos cinco países africanos de língua portuguesa que elaboraram um 'guia dos lugares de memória'.

Lugares de memória

O que são 'lugares de memória'?

Hoje , um dos mais simbólicos é a ilha de Goree, no Senegal, lugar de peregrinação de afro-descendentes, sobretudo os afro-americanos.

Anualmente, milhares deslocam-se à ilha, que se tornou um importante centro turístico.

Destaque merece também a ilha de Moçambique.

Mas há outros sítios igualmente carregados de simbolismo.

Rede
 Reconstituir os espaços na sua diversidade para entendermos o fenómeno de forma completa.
 
A. Correia e Silva, historiador cabo-verdiano

O historiador cabo-verdiano António Correia e Silva diz, por exemplo, que é preciso evitar que o peso simbólico de um sítio obscureça outros.

Para Correia e Silva, Gorée só tem significado numa rede de cidades que foram portos negreiros e que devem ser conhecidas pela função que tiveram em determinada época.

Reconstituir os espaços

O historiador cabo-verdiano destaca Cacheu, na Guiné-Bissau, 'com uma importância muito grande sobretudo no início da construção da rede ibérica da escravatura'.

Correia e Silva releva igualmente São Tomé, o castelo de São Jorge da Mina, e a Cidade Velha, ' um grande entreposto de escravos sobretudo entre os séculos XV e XVII.'

'Devemos reconstituir os espaços na sua diversidade e na sua complementaridade para entendermos o fenómeno de forma completa.'

As autoridades cabo-verdianas continuam a batalhar pela consagração da Cidade Velha como património da humanidade.

'Isto passa por se ultrapassar a fase de se erigir um espaço-símbolo, e que esse espaço tenha o valor de marketing, dispensando o conhecimento concreto da rede na base desse fenómeno monstruoso que muda completamente a história do mundo que é a extracção, a deportação, a diasporização dos africanos para as Américas.'

Não são apenas as fortalezas guardam a memória da escravatura e do trafico transatlântico.

A historiadora portuguesa Isabel Castro Henriques assinala a diversidade de sítios gerados pelo tráfico transtlântico de escravos, muito além de igrejas e fortalezas.

'São lugares que marcaram e marcam a memória das populações'.

'Monumentos, topónimos, contos, lendas, mitos, enfim, procurou-se efectivamente alargar todos aqueles espaços que podiam e guardavam, digamos assim, a memória da escravatura.'

Árvore protegida

O guia elaborado pela equipa de especialistas dos PALOP e Portugal inclui igrejas e fortalezas, mas é muito mais abrangente.

 'Monumentos, topónimos, contos, lendas, mitos, todos aqueles espaços que guardam a memória da escravatura.
 
Isabel Castro Henriques, historiadora portuguesa

Isabel Castro Henriques destaca em Cabinda 'uma grande árvore, uma famosa árvore junto ao mar e que é hoje protegida, precisamente porque é um símbolo, o local onde os africanos que eram embarcados nos navios negreiros se despediam através de um conjunto de formas rituais.'

Foram igualmente incluídos refúgios de escravos, os lugares de embarque dos escravos, zonas onde se praticavam rituais ligados aos escravos, locais de revoltas e fenómenos de resistência.

Particular importância foi dada aos depósitos de escravos, não só os da costa mas também os do interior, locais de castigo, cemitérios, sítios onde ainda hoje há festas e sobretudo rituais ligados à escravatura e ao tráfico de escravos.

O seu país viveu a escravatura? Gostaria de nos contar algum episódio sobre este período da história de África e do mundo? Para nos enviar a sua opinião basta preencher a coluna ao lado.


Nos anos 50 um tio meu foi trabalhar para Angola. Quando veio de férias, ouvi-o contar uma vez que tinha furado o lubéulo da orelha esquerda dum preto com a unha do polegar direito, para ver se "eles" tinham sangue vermelho como nós...
Acho que não é necessário aumentar comentários a este acto atróz de colonialismo racista, a única posição que os meus compatriotas portugueses sabem tomar em relação a África.
Queria referir também a escravatura que ocorreu no Brasil, a "favor" do desenvolvimento da cana-do açúcar, para dela extrair álcool, chamado Etanol. No Brasil estão a pagar aos colhedores de cana a quantia de US$ 2 por tonelada de cana colhida! E depois cobram tudo de volta para "casa"e comida...
Paulo Barreto. Deurne, Holanda.

O pior erro de toda a História humana foi, sem dúvida, negar a liberdade ao outro na forma conhecida por escravatura.O que interessa agora é que não haja mais nenhuma manifestação da escravatura no mundo. Todavia, a escravatura ainda persiste na Costa Ocidental da África nomeadamente, na Mauritânia e no Níger. As Nações Unidas devem olhar para esse problema e castigar exemplarmente os culpados, porque não podemos coabitar, no Séc. XXI com antisociais deste género.
Domingos Gomes. Guiné-Bissau.

Espero que a escravatura nunca mais volte aos nossos dias. Foi um erro perpetrado por alguns impérios. Erro que trouxe até hoje um atraso cultural e económico a países como o meu (Angola). Nada é mais importante para um povo do que a sua Liberdade.
Miguel Angelo. Angola

Acho que os povos de todo mundo se devem respeitar, aprender dos erros históricos do passado - porque a escravatura foi um erro - e não permitir que nenhum homem ou mulher seja nunca mais vítima de uma prática tão bárbara como a escravatura
Celso Timana. Maputo, Moçambique

No intróito, a escravidão era vista como boa por causa da manufactura, pois os senhores de engenhos não precisavam pagar a manufactura. Mas depois foi conhecida a realidade da escravidão de que eles se encontravam machucando pessoas ou seja uma etnia de povos.
Daniel Dhone. Cicero Dantas, Brasil.

 
 
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