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Última actualização: 23 Junho, 2005 - Publicado em 15:11 GMT
 
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Ricardo Rangel: Moçambique pelo olhar do mestre
 
Ricardo Rangel
Ricardo Rangel começou a carreira de repórter fotográfico em 1952
Ricardo Rangel nasceu em Lourenço Marques (agora Maputo) no ano de 1924. Ao longo de várias décadas desenvolveu uma impressionante carreira no jornalismo fotográfico, que atravessou o tempo do colonialismo e os últimos trinta anos da independência de Moçambique.

Foi o primeiro jornalista não-branco a trabalhar no país, como foto-repórter no "Notícias da Tarde". Depois de várias passagens por outras publicações foi também fundador da "Tempo", a primeira revista a cores de Moçambique.

As suas fotografias correm o mundo, já foram expostas no Guggenheim de Nova Iorque, e foi fundador e patrono Centro de Formação Fotográfica de Moçambique, em Maputo. A música Jazz é outra das suas grandes paixões.

Ricardo Rangel e Teresa Lima
A entrevista a Ricardo Rangel faz parte da semana especial da BBCparaAfrica em Maputo

Teresa Lima, dos Serviços de Língua Portuguesa para África, encontrou-se com Ricardo Rangel em Maputo:

- Como era ser fotógrafo em Moçambique antes da independência?

Ricardo Rangel - é sabido que no tempo colonial havia uma censura férrea na imprensa, tanto nos textos como nas fotografias, era díficil fazer passar certas imagens...

– Mas o Ricardo Rangel é reconhecido pelas suas fotos marcantes, na época com grande intervenção social...

RR – os censores não eram muito inteligentes. Aliás, muitas vezes eles não se apercebiam da mensagem que transmitia certo texto ou determinada fotografia: não sabiam ler as fotografias. Passaram algumas que eram declaradamente contra o regime, mas a grande maioria só foi publicada depois da independência.

Auto-Retrato de Ricardo Rangel, 1972
O famoso auto-retrato de Ricardo Rangel, fotografado em 1972

– Há alguma fotografia que tenha marcado a sua carreira?

RR – Tenho uma que está a correr o mundo, que é a do jovem pastor marcado na testa com o ferro de marcar o gado. Foi tirada em 1973, a um jovem moçambicano que perdeu alguns animais e foi castigado pelo patrão português. Na altura fiz tudo para conseguir publicá-la, mas não foi possível. Cheguei a tentar o jornal Expresso, em Portugal, que mesmo sendo de direita por vezes publicava fotografias que não passavam em Moçambique, mas nem aí.

– Outra das suas grandes paixões é o Jazz. Era um estilo de música subversivo no Moçambique colonial?

RR – Nem por isso. Comecei a interessar-me pelo Jazz nos anos 40, durante a Segunda Guerra Mundial. A certa altura quis fundar um Hot Clube de Jazz em Lourenço Marques, e então deparámo-nos com muito problemas. Era um sonho arriscado, algumas pessoas tiveram vontade de rir. Quis fazer do meu clube o Ronnie Scott's de Moçambique, para conseguir trazer os músicos internacionais até aqui. Consegui, e hoje o Chez Rangel Jazz Bar Café é um local de referência em Maputo, onde já passaram nomes internacionais como Jackie Mcclean, entre outros.

 
 
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