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Ricardo Rangel: Moçambique pelo olhar do mestre | ||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||
Ricardo Rangel nasceu em Lourenço Marques (agora Maputo) no ano de 1924. Ao longo de várias décadas desenvolveu uma impressionante carreira no jornalismo fotográfico, que atravessou o tempo do colonialismo e os últimos trinta anos da independência de Moçambique. Foi o primeiro jornalista não-branco a trabalhar no país, como foto-repórter no "Notícias da Tarde". Depois de várias passagens por outras publicações foi também fundador da "Tempo", a primeira revista a cores de Moçambique. As suas fotografias correm o mundo, já foram expostas no Guggenheim de Nova Iorque, e foi fundador e patrono Centro de Formação Fotográfica de Moçambique, em Maputo. A música Jazz é outra das suas grandes paixões.
Teresa Lima, dos Serviços de Língua Portuguesa para África, encontrou-se com Ricardo Rangel em Maputo: - Como era ser fotógrafo em Moçambique antes da independência? Ricardo Rangel - é sabido que no tempo colonial havia uma censura férrea na imprensa, tanto nos textos como nas fotografias, era díficil fazer passar certas imagens... – Mas o Ricardo Rangel é reconhecido pelas suas fotos marcantes, na época com grande intervenção social... RR – os censores não eram muito inteligentes. Aliás, muitas vezes eles não se apercebiam da mensagem que transmitia certo texto ou determinada fotografia: não sabiam ler as fotografias. Passaram algumas que eram declaradamente contra o regime, mas a grande maioria só foi publicada depois da independência.
– Há alguma fotografia que tenha marcado a sua carreira? RR – Tenho uma que está a correr o mundo, que é a do jovem pastor marcado na testa com o ferro de marcar o gado. Foi tirada em 1973, a um jovem moçambicano que perdeu alguns animais e foi castigado pelo patrão português. Na altura fiz tudo para conseguir publicá-la, mas não foi possível. Cheguei a tentar o jornal Expresso, em Portugal, que mesmo sendo de direita por vezes publicava fotografias que não passavam em Moçambique, mas nem aí. – Outra das suas grandes paixões é o Jazz. Era um estilo de música subversivo no Moçambique colonial? RR – Nem por isso. Comecei a interessar-me pelo Jazz nos anos 40, durante a Segunda Guerra Mundial. A certa altura quis fundar um Hot Clube de Jazz em Lourenço Marques, e então deparámo-nos com muito problemas. Era um sonho arriscado, algumas pessoas tiveram vontade de rir. Quis fazer do meu clube o Ronnie Scott's de Moçambique, para conseguir trazer os músicos internacionais até aqui. Consegui, e hoje o Chez Rangel Jazz Bar Café é um local de referência em Maputo, onde já passaram nomes internacionais como Jackie Mcclean, entre outros. |
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