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Petróleo ultrapassa barreira dos 50 dólares | ||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||
O preço do petróleo ultrapassou a importante barreira psicológica dos 50 dólares por barril e voltou a fixar novos máximos históricos, desta feita acima de 52 dólares. Em finais de Março, um analista da City (Praça Financeira de Londres) avançou um prognóstico nesse sentido, dizendo que em 2004 ainda o petróleo haveria de valer mais de 50 por barril. Fundamentava-se não só em intuição pessoal, mas sobretudo em informação histórica e observação de comportamentos cíclicos, assim como nas reacções típicas a alterações conjunturais, que se repetem ao longo dos anos e que têm como denominador comum a subida abrupta e repentina dos preços. Essa opinião foi colhida pelo público em geral com grande descrédito e os seus pares no mercado foram mesmo mais longe, tratando-o quase como Galileu quando afirmou que era a Terra que girava em torno do Sol e não o contrário. Máximos históricos Com efeito, com o barril a valer na altura cerca de 33 a 34 dólares, ninguém acreditou que o preço pudesse aumentar quase 20 dólares, no tempo que faltava para o final do ano, especialmente porque, logo após essas afirmações terem sido trazidas a público, uma nova desvalorização levava o petróleo para 31 dólares, o valor mais baixo dos últimos três meses. Mas a verdade é que, após vários máximos históricos terem sido sucessivamente ultrapassados, o petróleo chegou realmente aos 50 dólares por barril no passado dia 1 de Outubro. Logo a seguir voltou a baixar, quase que instantaneamente, o que levou o mundo a acreditar que o record não tivesse sido mais do que o mercado a “testar” a barreira técnica. Contudo, o preço voltou a utrapassar os 50 dólares e, de lá para cá, tem vindo constantemente a valorizar-se, deixando no ar a pergunta: 40 ou 60? Será que veremos 60 dólares por barril antes de voltarmos a ver 40? Instabilidade Há quem diga que sim e o que é facto é que a própria conjuntura actual é propícia a que o preço do petróleo continue em alta. Mais do que qualquer pressuposto ou fundamento de natureza económica e financeira, a crescente instabilidade política e social nos países da OPEP e a sucessão de incidentes, são os verdadeiros catalizadores do preço do petróleo neste momento.
Por mais que o Departamento de Energia dos Estados Unidos aumente ou diminua reservas, por mais que a OPEP tente manobrar a procura com ajustamentos na oferta, são acima de tudo ataques terroristas, bombardeamentos a plataformas terrestres, incêndios, falências técnicas das grandes produtoras mundiais, entre outros “eventos extraordinários” que ditam a marcha dos acontecimentos. Clima de incerteza A bem da verdade, dá a impressão de que as subidas que se têm verificado não se ficam a dever exclusivamente a reacções naturais do mercado e que existem determinados agentes, neste caso investidores institucionais em larga escala, apostados em capitalizar sobre a instablidade conjuntural, “brincando” com o clima de incerteza e provocando efeitos de “histeria financeira”, que vão por seu turno desencadeiar oscilações mais acentuadas do que o normal do nível dos preços. A própria OPEP começa já a dar sinais de alguma saturação de todo este ambiente de “teste” ao mercado e já fez saber que não vai aumentar a produção, para além daquilo que já havia anunciado, pese embora novos máximos históricos terem recentemente sido atingidos. Neste pressuposto, não surpreende que possamos chegar a 60 dólares por barril, antes de voltarmos a 40, bastando para tanto que continue a haver quem queira testar o mercado. Estamos interessados em saber qual a sua opinião sobre esta matéria. Escreva-nos utilizando o formulário ao lado da página. Leia abaixo alguns dos comentários enviados à BBCParaAfrica. "O Brasil já é auto-suficiente e não precisa entrar nesta de aumentar preços de combustível desenfreadamente quando usamos combustível da pior qualidade com mistura de álcool e outros produtos em maior parte que a gasolina." "Vejo muito ódio e muita confusão nos comentários. Do Brasil vejo que há gente a dizer para "travar" o crescimento económico. De Moçambique queixam-se do preço do açucar, mais ou menos todos atacam o Presidente Bush e outros ainda dizem que os países produtores estão desestabilizados por causa dos EUA. Que confusão. Os países produtores principais são a Arábia Saudita, a Noruega e a Rússia. O Brasil bem precisa de crescer, como disse o Presidente Lula em Lisboa (será que ele disse diferente em Brasília? Não creio) e Moçambique precisa é de ir trabalhar no campo para não importar tanto açucar. E o petróleo, ele constitui uma parte cada vez mais pequena dos custos de produção, pelo que o crude a 8O USD terá menos impacto que em 1973. Só dou razão a quem diz que "Acho que todos devem lutar pelos seus direitos." "Não há dúvida que o mundo do petróleo vai agonizar o mundo, podem crer que o barril nos próximos instantes passará a valer 80 dólares. E depois, a ver vamos." "Mundo hipócrita o nosso. Por que não usamos alternativas? Por que não freamos um pouco o crescimento para que todos nós possamos viver mais e melhor?" "A subida constante e sistemática dos preços do petróleo, tem a ver com a falta de vontade política - leia-se, submissão ao poder instituido pelos senhores que controlam a produção do"Ouro Negro" ou em outros termos mais correntes(mafias)- que sucessivamente vão adiando e tentando desacreditar a implantação das energias alternativas, porque podem ser os senhores do petróleo, mas não são seguramente, senhores do Vento e isso apavora-os." "A caminharmos nesta velocidade, daqui a pouco tempo o petróleo vai ter que sr substituido por outras fontes alternativas mais baratas, pois isto que se assiste é o prenúncio do fim da era do "ouro negro". Só que as novas fontes de energia terão que ser para além de baratas, sob o ponto de vista ambiental, terão que ter menos impacto. Doutra forma os nossos paises (terceiro mundo) não terão como enfrentar esta crise energética." "Acho que e necessário encontrar fontes alternativas de energia. Não podemos ficar tão dependentes do petróleo. O problema é que o petróleo ainda tem muito valor e nestes tempos de acumulação capitalista desenfreada os interesses financeiros aliados a falta de vontade política, corrupção e desgovernação grande parte dos dirigentes, a nível global, não pensam no futuro". "... As subidas constantes dos preços do petróleo prejudicam a todos principalmente aqui nos países do terceiro mundo. A fonte de alimentação dos nossos mercados depende da OPEP; grande parte da nossa população é rural e utiliza muito o petróleo mas o petróleo chega a estas areas depois de sofrer 15% de aumento do preço que se pratica nas cidades. Esta situação é dramática sabendo que a nossa população sobrevive com menos de um dólar por dia." "O principal responsável pelo actual preço do petróleo é o sr. Walker Bush, que, com a sua política internacional, tem provocado a instabilidade da macro-economia mundial. Esperamos que o mesmo não seja reeleito, para bem da humanidade." "Eu penso que o que se está a assistir em volta do preço do petróleo é prova das constantes chamadas de atenção de que os EUA foram alvos quando se preparavam para desestabilizar o mundo. Qualquer um é capaz de ver que em todos países produtores de petróleo não há estabilidade política e lá no fundo vê-se uma mão dos EUA. Eles estão lá criando confusão para depois instalarem governos fantoches que só servem aos seus interesses. Enquanto a violência no mundo não parar continuaremos a assistir a essas subidas sem que haja indícios de solução e quem paga esse preco dos $52.00 por barril é o cidadão pacato e pobre quando vai ao mercado comprar açucar importado." |
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