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Transposição já é realidade para comunidades afetadas

Atualizado em  6 de junho, 2014 - 14:28 (Brasília) 17:28 GMT

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Pelo menos 850 famílas serão reassentadas até o fim do projeto; acompanhe o quarto vídeo da série sobre a obra no rio São Francisco.

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Transposição já é realidade para comunidades afetadas

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A água ainda não correu pelos canais da transposição do rio São Francisco, mas já transformou a vida de pelo 850 famílias, que deixaram ou estão por deixar suas casas no sertão nordestino.

O padre Sebastião Gonçalves, da Comissão Pastoral da Terra, costuma percorrer de motocicleta várias comunidades na zona dos canais. Segundo ele, é possível ver um impacto generalizado por onde passa a obra, mas, até o momento o maior legado do projeto é o “conflito”.

“No início dos trabalhos da obra havia uma credibilidade muito grande. O sertanejo nesta terra semiárida acolheu (a transposição) com uma esperança muito grande. Mas com as perdas (…) hoje o sertanejo está com o pé atrás”, disse, em frente a sua paróquia em Carnaubeira da Penha (PE).

Padre Sebastião Gonçalvez. BBC

Para o Pe. Sebastião, da Comissão Pastoral da Terra, sertanejo trocou esperança por desconfiança

“Na Agrovila 6, que fica no eixo leste da transposição, os operários chegaram, ocuparam o campo de futebol da comunidade. Muitas casas estão rachadas com as explosões da obra, há um grande problema com a poeira, problemas respiratórios. A grande questão é que as empreiteiras muitas vezes ignoram os moradores, é uma relação arbitrária”, disse.

Na cidade de Crato (CE), o sociólogo Gustavo Ramos, da Universidade Federal do Cariri, tem opinião parecida.

Ramos acompanha uma comunidade atingida pelas obras do Cinturão das Águas, que forma parte da rede de distribuição das aguas da transposição, a cargo do governo cearense.

“O que a gente vê no geral é que essas políticas são pensadas nas estâncias superiores do Estado, com os setores da construção civil e do agronegócio. As comunidades impactadas pouco sabem da gestão dessas políticas”, disse.

Vila Uri

Vila Uri. BBC

A Vila Uri em Salgueiro (PE) é um dos 17 reassentamentos previstos para receber 850 famílias

O governo diz que acompanha e assiste as comunidades afetadas pelas obras. Segundo Elianeiva Odísio - Coordenadora Geral de Programas Ambientais do Ministério da Integração Nacional -, a maior parte da verba direcionada para os impactos da transposição vão para atender as comunidades afetadas.

“Para mitigar os impactos nesses meios, estamos investindo cerca de R$ 1 bilhão”, diz Elianeiva. Ela conversou com a reportagem na Vila Uri, em Salgueiro (PE), onde vivem dezenas de famílias que tiveram de deixar suas casas para dar caminho aos canais da transposição.

Serão 17 reassentamentos até o fim das obras, para receber 850 famílias - cinco já estão funcionando e outros cinco estão em implantação, segundo o governo.

Uma dessas famílias é a de Agenor do Santos, 74 anos. Ele teve a casa demolida e há dois anos vive na Vila Uri. Além da casa, que ele considera “boa”, o agricultor vai receber um lote de cinco hectares.

Agenor dos Santos. BBC

Agenor acha que a vida hoje é melhor, mas ele ainda espera os 5 hectares prometidos pelo governo

“Hoje nós temos uma casa mais ou menos, que podemos receber uma pessoa”, diz.

Enquanto o terreno ao fundo da Vila Uri não é repartido entre as dezenas de famílias que vivem ali, Santos e outros agricultores recebem uma bolsa de um salário e meio.

A vila possui um pequeno posto de saúde e também uma pequena escola, que chama atenção pela arquitetura precária - as janelas são pequenas, muito menores do que o adequado para uma região quente.

A reportagem conversou com alguns moradores da Vila Uri e, apesar de reclamarem da demora na transposição, todos disseram que as condições hoje são melhores que as do passado, quando viviam mais isolados e com menor acesso a serviços públicos.

Todos também acreditam que a vida pode melhorar quando finalmente tiverem a propriedade da terra e água do São Francisco correndo pelos canais da transposição.

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