Imigrantes em SP celebram diversidade com Copa do Mundo paralela

21 maio 2014 Atualizado pela última vez 07:41 (Brasília) 10:41 GMT

Um conjunto de quadras de futebol na zona oeste de São Paulo virou, nos últimos domingos, uma pequena Babel e uma prova da diversidade migratória da cidade.

Está sendo disputada ali a primeira edição da Copa Gringos, entre 24 equipes formadas por cerca de 360 imigrantes de nacionalidades diferentes – de Japão a Congo; de Inglaterra a Paraguai; de Camarões a Bélgica – que moram na capital paulista.

Torneio permitiu o encontro de imigrantes com perfis totalmente diferentes

"Em um ano de Copa do Mundo, é uma forma de conhecer outros estrangeiros", diz à BBC Brasil o criador do evento, o francês Stephane Darmani, que mora em São Paulo há sete anos. "Acho que deve haver mais de 70 nacionalidades por aqui. É uma cidade cosmopolita e o lugar perfeito para um torneio assim."

Com a ajuda do consulado da França, Darmani fez contato com diferentes comunidades de imigrantes, que organizaram seus times para competir. Os que não encontraram compatriotas o suficiente – como egípcios, irlandeses e tchecos – se reuniram em um time multicultural, o Esperanto.

O resultado é um encontro, dentro de quadra, de pessoas que vivem em situações completamente diferentes na cidade. "Temos desde executivos de multinacionais até refugiados e desempregados", agrega o francês.

Santiago González
Santiago González trabalha como costureiro na zona leste de São Paulo

Um exemplo dessa diversidade foi a disputa entre Paraguai e Japão, acompanhada pela BBC Brasil em 11 de maio: de um lado, uma equipe composta por costureiros que fazem longas jornadas de trabalho para enviar dinheiro a suas famílias; de outro, um time formado sobretudo por executivos que trabalham em regiões mais nobres da cidade.

"Como o Paraguai não está na Copa do Mundo, vamos fazer o melhor para vencer o torneio", conta Santiago González, em São Paulo há oito anos. Ele trabalha cerca de 13 horas por dia costurando, em sua casa, na zona leste da cidade, para produzir roupas depois vendidas na região do Brás.

Tadashi Motoyama
Tadashi Motoyama é executivo de comércio internacional

"Fiquei muito feliz em jogar futebol com muitos estrangeiros", diz o japonês Tadashi Motoyama, que acabou perdendo por 2 a 1 do Paraguai. Ele comanda uma empresa de comércio internacional, instalada na rua da Consolação, no centro financeiro da cidade.

"O futebol permite essa mistura entre culturas", agrega Darmani. "A Copa Gringos acabou mais legal e mais barata do que a Copa do Mundo, mas com todos os valores que eu gosto no futebol: todo o mundo é igual dentro de campo, independentemente das diferenças sociais ou econômicas fora dele."