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Magnata russo que fugiu para Londres denuncia corrupção em Sochi

6 fevereiro 2014 Atualizado pela última vez 16:44 BRST 18:44 GMT

O governo russo afirma que seu objetivo com a Olimpíada de Inverno de Sochi é passar ao mundo a imagem de um país que está progredindo, mas os Jogos foram marcados também por graves denúncias de corrupção.

Uma delas foi feita pelo magnata da construção civil Valery Morozov, cujo conglomerado estava executando obras em Sochi.

Valery Morozov, magnata russo. Foto: BBC
Valery Morozov fugiu da Rússia e vive desde 2011 em Londres

Morozov acusa as autoridades russas de exigir que ele superfaturasse suas obras, para depois o extorquir do dinheiro roubado.

As quantias foram aumentando com o tempo. Segundo ele, propinas de 3% do valor de obras logo se transformaram em pagamentos de 50%.

"Eu tinha um contrato com o governo, e quando havia inspeções eu sabia que a situação seria a seguinte. Eu tinha dois bilhões de rublos (US$ 57 milhões) de dinheiro 'normal' que eu podia gastar, e mais um bilhão (US$ 27,7 milhões) de dinheiro de 'sobra'", disse Morozov ao serviço russo da BBC.

"Como resultado das inspeções, eu era obrigado a devolver aquele bilhão extra (ao governo). Mas as empresas subcontratadas - sugeridas por meu 'cliente' (o governo russo) para que eu fizesse lavagem de dinheiro - retinham meu dinheiro, sem devolvê-lo."

Assim, para conseguir pagar pelas inspeções, Morozov se via obrigado a aumentar os custos de sua obra.

"Como eu estava sempre sendo sujeito a chantagens, eu nunca conseguia sair desse esquema."

O caso foi parar na Justiça, com Morozov acusando um golpe de US$ 4 milhões por parte de autoridades russas. Ele diz que passou a ser ameaçado, e por isso fugiu em 2011 com sua família para Londres, onde vive até hoje.

O governo russo nega veementemente qualquer acusação de corrupção. Em entrevista ao serviço russo da BBC, o vice-premiê, Dmitry Kozak, diz que a Justiça do país nunca condenou ninguém pelos gastos em Sochi.

"Somos todos pessoas civilizadas aqui, e existe algo chamado presunção de inocência. Podemos falar em corrupção ou roubo só se houver uma decisão de um tribunal em um caso específico", disse Kozak.

"Posso dizer com toda certeza de que não há provas de corrupção em massa ou roubo de bilhões de dólares, como muitos dizem."