Por educação, menina enfrenta jornada de uma hora e meia entre cobras e perigos

11 julho 2013 Atualizado pela última vez 06:25 (Brasília) 09:25 GMT

Estudante de oito anos de idade enfrenta desafios enormes diariamente para conseguir chegar à escola.
Sylvia e sua mãe, em frente à sua casa na Tanzania. James Stone/Plan International
A menina Sylvia (nome fictício), que mora no interior da Tanzânia, está determinada na sua busca por educação. Cada dia, ela enfrenta sozinha uma perigosa jornada de uma hora e meia para ir à escola. Estima-se que 29 milhões de crianças em idade escolar na África não estão frequentando aulas.
A casa da família de Sylvia. James Stone/Plan International
A mãe de Sylvia casou pela segunda vez depois que o pai da menina morreu. A família vive a 300 km da capital Dar es Salaam. A casa deles fica no meio de um campo - a cerca de meio quilômetro da estrada mais próxima. Na África, o índice de meninas matriculadas em escola subiu de 54% para 74%, de 1999 a 2008.
Sylvia enfrentando arbustos. James Stone/Plan International
A escola que Sylvia frequenta fica em outro vilarejo, a 7 km de distância. O campo pelo qual ela passa é cheio de arbustos secos, que arranham e cortam as suas pernas. Outro perigo são as cobras escondidas.
Sylvia caminhando pelo campo. James Stone/Plan International
Sylvia caminha de chinelo de dedo, sem proteção adequada. Se os chinelos se desgastarem, ela terá que fazer o trajeto descalça. Outro problema é o uniforme: se as roupas ficarem sujas, ela não tem outra muda. A matrícula na escola é gratuita, mas a família precisa pagar pelos livros e uniformes.
Caminhão passa por Sylvia na estrada. James Stone/Plan International
Depois de passar pelo campo, ela continua pela estrada. O calor combinado com a poeira levantada pelos carros é sufocante. Na temporada chuvosa, o problema é a lama. Sem escoamento adequado, ela enfrenta poças enormes.
Sulvia caminhando pelo trilho. James Stone/Plan International
Para evitar o trânsito perigoso da estrada, Sylvia pode caminhar pelos trilhos, mas isso também é perigoso, já que o trem passa de tempos em tempos. Além disso, a região é mais inóspita, o que faz com que crianças solitárias se tornem alvos de adultos mal-intencionados.
Sylvia em trilha. James Stone/Plan International
Uma alternativa é caminhar por trilhas ao lado da estrada principal. Mas muitos desses caminhos são famosos pela ocorrência de estupros. Este trecho fica próximo à uma prisão. O caminho é usado por presidiários quando eles conseguem períodos de liberdade condicional.
Sylvia caminhando entre árvores. James Stone/Plan International
Depois de enfrentar tudo isso, ela chega a uma estrada cheia de árvores, que leva à escola. Mas quando a aula acaba, Syvia precisa voltar para casa pelos mesmos caminhos. "Mesmo não gostando da jornada e tendo muito medo às vezes, estou disposta a fazer o que for necessário para ter uma educação", disse ela à Plan International, ONG que patrocina seus estudos.
Sylvia e sua amiga Rhadia. James Stone/Plan International
Às vezes, Sylvia tem a companhia da amiga Radhia (nome fictício), de 11 anos. Mas nem mesmo isso acontece, já que a amiga estuda em outra escola, que fica no sentido oposto.
Sylvia chega à sua escola. James Stone/Plan International
De acordo com a Unesco, 62% das meninas na África sub-Saariana passam do primário para o secundário. Mas na Tanzania, esse índice é de 32%.
Menina Sylvia com a sua família. James Stone/Plan International
O padrasto de Sylvia acha que as idas da menina à escola são um ônus financeiro para a família, mas ela encara o estudo como um projeto de longo prazo que vai beneficiar todos. (Os nomes das meninas citadas foram alterados para evitar problemas para as famílias. A galeria é de autoria de James Stone, da ONG Plan International)