BBC navigation

Na Califórnia, dinamismo convive com desemprego recorde

Atualizado em  30 de outubro, 2012 - 17:17 (Brasília) 19:17 GMT

Player

Estado americano reflete abismo social dos EUA, com cidades ricas e pobres distantes a poucos quilômetros.

Assistirmp4

Para executar este conteúdo em Java você precisa estar sintonizado e ter a última versão do Flash player instalada em seu computador.

Formatos alternativos

El Centro / BBC

Em El Centro, na Califórnia, um em cada seis estudantes não termina ensino secundário

É uma ironia que a região metropolitana com o desemprego mais alto dos Estados Unidos se localize em uma depressão – no sentido geográfico.

Mas quem chega a El Centro, na Califórnia, pela rodovia 8 que sai de San Diego, não se depara com a penúria que a má fama da cidade sugere. Como em um oásis, as árvores adornam as regiões mais agradáveis de El Centro, embora ninguém caminhe nas calçadas sob o sol de quase 40º C.

Apenas um ou outro trator percorre de cima a baixo as lavouras que, em época de colheita, abrigariam um número maior de trabalhadores. Nesses meses, o desemprego em El Centro se aproxima de 30% da população economicamente ativa.

"Nosso maior nível de desemprego é durante o verão, quando o calor é insuportável para trabalhar do lado de fora", explica Francisco Márquez, diretor do centro de recrutamento Workforce Partnership, do condado de Imperial.

"O setor agrícola é altamente impactado por três ou quatro meses. Além disso, temos uma grande fronteira com o México. Muitas pessoas trabalham aqui, recolhem o seguro-desemprego e vivem no sul da fronteira, onde o custo de vida é menor”, diz.

"Muitos só trabalham sazonalmente", acrescenta.

Mudanças

A economia local passa por um rápido processo de mudança.

Primeiro, veio a mecanização da colheita. Em seguida, a concorrência com produtos mais baratos produzidos em outras partes do mundo prejudicou a competitividade local. Muitos fazendeiros abandonaram colheitas que requerem mão de obra intensiva.

"Não vemos tanto algodão como antes e muitos legumes não são produzidos na escala em que eram antes", diz Márquez.

Desde a crise financeira, um processo de concentração e consolidação de produtores agrícolas levou as empresas para o sul da fronteira, para o Arizona – que fica a menos de 100 quilômetros de distância – ou para outros vales dentro da própria Califórnia.

Como resultado, em 2006, a média anual de desemprego em El Centro era de 15,4%. No ano passado, ficou em 29%.

Contraste

O declínio contrasta com a situação a menos de 200 quilômetros dali, no verde vale de Mesa, nos arredores de San Diego.

Aqui, empresas de tecnologia, hospitais e a Universidade da Califórnia estão entre as líderes em contratação no condado.

Mas a demanda é por um tipo de trabalhador muito mais qualificado.

Na gigante de tecnologia Qualcomm, por exemplo – que não parou de contratar nem durante o auge da crise econômica, e tem atualmente mil vagas sendo oferecidas para candidatos externos – a procura é principalmente por engenheiros.

"Investimos muito em pesquisa e desenvolvimento, e uma boa parte disso é para tecnologia que só vai estar disponível no futuro. Então não podemos tirar o pé do acelerador”, resumiu o vice-presidente de Comunicações da empresa, Dan Novak.

"Precisamos investir, e pessoal é nosso maior objeto de investimento.”

Francisco Márquez / BBC

Para o economista Francisco Márquez, região precisa "juntar forças" para crescer

A taxa de desocupação em San Diego foi de 9% em agosto – acima da taxa nacional, que estava em 8,1% naquele mês, mas abaixo da média californiana, de 10,6% no mesmo período.

A Califórnia ainda está longe de recriar as 3 milhões de vagas que desapareceram com o crunch. Mas é um dos Estados que se recuperam mais rapidamente da crise.

Pegando onda

É nessa onda que locais menos dinâmicos do Estado pretendem surfar.

De volta a El Centro, Francisco Márquez diz que um projeto voltado à região sul da Califórnia e ao vizinho Estado mexicano de Baja Califórnia mapeou as indústrias e os recursos que podem ser usados para a produção econômica

Ele explica que a região vai "unir forças" e assim se tornar mais atrativa para empresas.

Algumas companhias "visionárias” já manifestaram intenção de investir em energia – eólica e de biomassa – no condado de Imperial, diz.

"Todos vamos nos beneficiar: se elas (as empresas) forem para o México, se San Diego puder fazer a pesquisa, e nós fizermos a distribuição ou o processamento, todos nos beneficiamos", acrescenta.

BBC © 2014 A BBC não se responsabiliza pelo conteúdo de sites externos.

Esta página é melhor visualizada em um navegador atualizado e que permita o uso de linguagens de estilo (CSS). Com seu navegador atual, embora você seja capaz de ver o conteúdo da página, não poderá enxergar todos os recursos que ela apresenta. Sugerimos que você instale um navegados mais atualizado, compatível com a tecnologia.