Mineração em Carajás expõe dilema entre desenvolvimento e preservação

Atualizado em  21 de junho, 2012 - 09:13 (Brasília) 12:13 GMT

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Vale investe em ações sustentáveis e fiscalização ao explorar minério de ferro, mas cavernas históricas correm risco.

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Enquanto líderes de dezenas de países se reúnem no Rio de Janeiro para discutir desenvolvimento sustentável, um pedaço de Floresta Amazônica revela as dificuldades de se traduzir essas ideias em ações.

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Na Serra de Carajás, no Pará, em meio a 400 mil hectares de mata virgem, a mineradora Vale explora, desde 1985, as ricas jazidas de minério de ferro da região.

No ano passado, foram extraídos quase 110 milhões de toneladas, quase tudo para atender ao crescimento da China e outros países asiáticos.

Ao mesmo tempo, nos últimos anos, milhares de cavernas foram descobertas na região, segundo pesquisadores, exemplares raros e pouco conhecidos pela ciência.

Em uma delas, foram encontrados vestígios de ocupações nômades de mais de 9 mil anos, uma descoberta que ajudou os arqueólogos a montarem o quebra-cabeça da pré-história da região.

O problema é que essas cavernas se encontram em áreas riquíssimas em ferro, e dentro dos planos de expansão da empresa.

"As cavernas bloqueiam o avanço da mineração, tanto que até a legislação já foi mudada. Antes, qualquer caverna era protegida, agora, é preciso estabelecer a relevância, de acordo com mais de 20 critérios", afirmou à BBC Brasil o chefe da Floresta Nacional de Carajás, Frederico Drumond Martins, do Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade (ICMBio).

Repletas de espécies pouco estudadas e milhares de morcegos, de diversas espécies, as cavernas de minério de ferro são também um enorme atrativo para pesquisadores.

"Em congressos no exterior, nossos colegas ficam perplexos. Existe pouca literatura acadêmica sobre este tipo de formação", afirmou a espeleóloga Maria de Jesus Almeida, da Fundação Casa da Cultura de Marabá.

Ações sustentáveis

Por outro lado, a demanda por minério de ferro no Brasil e no mundo não para de crescer, e a Vale tem todo o interesse em continuar na liderança deste mercado.

Para isso, além de sua evidente atuação na mineração, a empresa tem investido em sustentabilidade.

"Nós somos uma empresa de mineração. Então, temos que aceitar que existe um impacto na natureza. Mas nós também fazemos muito pela conservação. Em Carajás, por exemplo, usamos apenas cerca de 3% da área total", afirmou a diretora de sustentabilidade da empresa, Giane Zimmer.

A empresa paga um exército de 80 fiscais florestais, além de equipamentos e suporte às atividades do ICMBio para proteger uma área maior que a Floresta Nacional, com 1,2 milhão de hectares.

A Vale também mantém um parque zoo-botânico em Carajás, aberto à população local, com animais e plantas amazônicas, além de sinalização de trilhas e recomposição de florestas ao fim do ciclo de mineração.

Para isso, foi criado um viveiro de espécies amazônicas em Carajás, que atualmente conta com 21 mil mudas.

A empresa afirma ter importantes estudos na área de reflorestamento e Giane Zimmer diz ter confiança de que é possível recuperar as áreas mineradas.

No entanto, a resposta definitiva só deve ser dada dentro de 30 a 50 anos, uma vez que a primeira das quatro minas em operação em Carajás deve ser fechada definitivamente apenas em 2030.

Ou seja, pelo menos neste pedaço de Floresta Amazônica a prova real da viabilidade de uma operação de mineração sustentável provavelmente ficará em aberto até uma eventual "Rio+100".

O dilema entre conservação e exploração de recursos naturais é um dos temas da conferência ambiental Rio+20, prevista para terminar nesta sexta-feira, com um texto-base de compromissos com metas de desenvolvimento sustentável.

No entanto, o documento acordado em plenária é considerado brando na adoção de compromissos concretos dos países signatários.

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