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Camundongo recupera visão após transplante de células

Atualizado em  19 de abril, 2012 - 13:55 (Brasília) 16:55 GMT

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Estudo da Universidade College London é bem-sucedido em transplantar células fotorreceptoras sensíveis à luz em retina de roedores.

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Formatos alternativos

Cientistas britânicos conseguiram recuperar a visão de camundongos cegos, transplantando células fotorreceptoras sensíveis à luz em seus olhos.

O procedimento representa um avanço em direção a um novo tratamento para pacientes com doenças oculares degenerativas.

Cientistas do Instituto de Oftalmologia da Universidade College London (UCL) injetaram células de roedores jovens diretamente nas retinas dos camundongos adultos que tinham problemas de visão.

As descobertas foram publicadas recentemente na prestigiada revista científica Nature.

Quatro a seis semanas depois do transplante, uma em cada seis das células transplantadas - que são especialmente importantes para permitir a visão em locais escuros - haviam formado as conexões necessárias para transmitir informações visuais ao cérebro.

Os pesquisadores testaram a visão dos roedores transplantados em um labirinto pouco iluminado e cheio de água.

O resultado é que os camundongos com as células novas conseguiam perceber o caminho que os levava a uma plataforma e os salvava da água. Já os animais que não receberam células só conseguiam encontrar a plataforma por acaso ou depois de uma extensa exploração do labirinto.

Integração de circuitos

A perda de fotorreceptores é a causa da cegueira em muitas das doenças oculares que afetam humanos, como a degeneração macular relacionada à idade, alguns problemas na retina e a perda de visão decorrente do diabetes.

Camundongo em experimento em labirinto

Experimento usou camundongos com visão normal, cegos e transplantados

Para Robin Ali, pesquisador do Instituto de Oftalmologia da UCL e do Hospital de Olhos Moorfields, que liderou os estudos, "mostramos pela primeira vez que células fotorreceptoras transplantadas podem se integrar, de forma bem-sucedida, com o circuito já existente da retina e melhorar de fato a visão (dos camundongos)".

Segundo Ali, o teste do labirinto serviu de "prova" de que uma parte considerável da visão dos camundongos havia sido restaurada.

"Esperamos que, em breve, possamos reproduzir esse sucesso com fotorreceptores derivados de células-tronco embrionárias e finalmente iniciar exames com humanos", agregou.

Mas, apesar das perspectivas promissoras, ainda há muitas etapas a serem superadas até que o tratamento esteja apto para ser usado em pacientes.

Os cientistas também planejam experimentar com fotorreceptores derivados de células-tronco embrionárias, mas a eficácia de seu transplante ainda é duvidosa.

Recuperação funcional

Ainda assim, para Rob Buckle, chefe do departamento de medicina regenerativa do Medical Research Council, um dos financiadores da pesquisa, o estudo da UCL "é um marco que servirá de informação para futuras pesquisas em uma variedade de campos, incluindo pesquisas sobre visão, neurociência e medicina regenerativa".

"(A pesquisa) oferece provas claras de recuperação funcional no olho danificado, o que estimula o desenvolvimento de terapias com células-tronco para lidar com muitas doenças oculares que afetam milhões de pessoas pelo mundo", agregou.

Já existem outras linhas de pesquisa que tentam tratar a cegueira usando transplante celular. No ano passado, o mesmo grupo de estudos da UCL foi autorizado a realizar o primeiro teste clínico europeu envolvendo células-tronco embrionárias de humanos.

O estudo envolve pacientes com o mal de Stargardt, uma das principais causas de cegueira em jovens.

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