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Desenho animado conta versão oficial de golpe contra Chávez

Atualizado em  11 de abril, 2012 - 17:05 (Brasília) 20:05 GMT

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'Abril.02' mistura cenas reais e animação para contar como presidente venezuelano foi tirado do poder por 47 horas.

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Hugo Chávez, aliados e opositores foram transformados em desenho animado (BBC)

Hugo Chávez, aliados e opositores foram transformados em desenho animado (BBC)

Depois de ter sua imagem reproduzida como bonecos, incluindo um ao estilo Barbie e Ken e outro em uma versão venezuelana do "joão-bobo", o presidente da Venezuela, Hugo Chávez, virou agora personagem de desenho animado.

Com muito rock e cenas de ação, o documentário-ficção "Abril.02" conta a história do golpe de Estado de abril de 2002 em animação, transformando o presidente venezuelano, seus opositores e defensores em personagens de história em quadrinhos.

Baseado nos incidentes que levaram ao golpe contra Chávez há 10 anos, "Abril.02" reconstrói, por meio de cenas de animação, a versão oficial sobre o fracassado golpe de Estado que manteve o presidente afastado do poder durante 47 horas.

O desenho animado é baseada em declarações de testemunhas que foram interrogadas pela Justiça venezuelana, documentos registrados em livros e declarações do próprio presidente.

Produzido pelo canal público ViVe, o curta-metragem é dirigido aos jovens - público alvo da campanha eleitoral tanto de Chávez quanto do candidato opositor Henrique Capriles Radonski e que, em sua maioria, eram crianças ou adolescentes há 10 anos.

"Os jovens venezuelanos, em sua maioria, conhecem a história, porém não sabem os detalhes do que ocorreu nos bastidores em abril de 2002", disse à BBC Brasil Mirko Casale, que compartilha a direção do curta-metragem com Veruscka Cavallaro.

Dez anos depois, os fatos ocorridos em abril de 2002 ainda são controvertidos e continuam gerando divisões no país. Alguns setores da oposição ainda negam a versão do golpe de Estado, enquanto o setor governista tenta capitalizar a seu favor a ruptura da constitucionalidade promovida por seus adversários.

Polêmica

A suposta pressão exercida por parte da cúpula militar para que Chávez assinasse a carta de renúncia, sob ameaça do palácio de Miraflores ser bombardeado, é uma das cenas reconstruídas em "Abril.02".

De acordo com a versão oficial, Chávez se negou a renunciar, porém aceitou abandonar a sede do governo. De Miraflores seria levado a uma base militar em Caracas, e depois a outros dois fortes militares - Turiamo e a ilha La Orchila - antes de regressar ao poder.

Uma das cenas de "Abril.02" que tende a gerar polêmica, em especial entre os opositores, mostra o empresário Pedro Carmona - presidente de fato durante 47 horas - dando instruções sobre o destino que tinham reservado ao presidente venezuelano, em uma tentativa de evitar um contra-golpe.

Outra controvertida cena mostra o vínculo direto dos francoatiradores - responsabilizados pelas mortes de 19 pessoas, entre chavistas e anti-chavistas – com a cúpula do governo de fato.

"É a primeira vez que vemos a relação direta entre os francoatiradores e os golpistas", afirma Casale.

A ação dos francoatiradores é um dos pontos mais polêmicos do processo de abril de 2002. Funcionários da Polícia Metropolitana de Caracas - vinculados à oposição - foram condenados pela Justiça, acusados de serem os autores intelectuais dos crimes. Esses funcionários, por sua vez, acusam o governo de perseguição política.

'Protagonista passivo'

A narrativa mostra Chávez como um protagonista "passivo", não como o "herói" da trama.

"Todos os fatos que marcaram esses dias foram protagonizados por outros, não necessariamente pelo presidente", comenta a co-diretora Veruscka Cavallaro.

"O povo saiu às ruas, um soldado leal interferiu, os militares chavistas reagiram, mas ele, como personagem principal, estava impossibilitado de fazer qualquer coisa", acrescentou.

O desenlace do golpe de Estado mostra que a rebelião dos generais não era acompanhada pelas tropas. A lealdade de um oficial, como nos roteiros de ficção, mudaria o rumo da história.

O cabo Juan Bautista Rodriguez entrou no quarto onde Chávez era mantido preso e sugeriu que o presidente escrevesse uma carta explicando ao país que não havia renunciado.

O acordo era que Chávez jogasse a nota no lixo para não levantar suspeitas. O cabo se encarregaria de entregá-la aos generais chavistas que armavam o contra-golpe.

O final do curta, que estréia na próxima quinta-feira, mostra o retorno apoteótico do presidente ao palácio de Miraflores.

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