Políticas fiscais corretas compensam queda no preço das commodities, diz FMI

Atualizado em  10 de abril, 2012 - 18:22 (Brasília) 21:22 GMT
Colheita de soja em Mato Grosso

FMI diz que preços de commodities devem seguir trajetória descendente neste ano e no próximo

Os países exportadores de commodities, em sua quase totalidade emergentes, devem adotar políticas fiscais equilibradas para evitar os efeitos perversos de uma queda no preço de seus produtos, recomendou nesta terça-feira o Fundo Monetário Internacional (FMI).

Segundo as projeções do órgão, os preços de commodities devem seguir uma trajetória descendente neste ano e no próximo, afetando a receita dos países que dependem delas.

"Olhando para frente, dada a atividade global frágil e os riscos elevados de queda dos preços no médio prazo, os exportadores de commodities podem estar diante de uma desaceleração", avalia o Fundo, no capítulo 4 de seu relatório World Economic Outlook (Panorama Econômico Mundial).

Por outro lado, disse a jornalistas a especialista Ruta Duttagupta, coordenadora do estudo, "boas políticas fiscais nos momentos de alta criam proteções para serem usadas em trajetórias de baixa".

Se as previsões se confirmarem, será o fim de um ciclo de alta nos preços das commodities que marcou a primeira década do século.

No fim do ano passado, por exemplo, os preços de energia e dos metais chegaram a três vezes o valor real de apenas uma década atrás, afirmou o relatório.

Entretanto, a crise econômica trouxe "um ambiente de incerteza para as commodities" e resultou em um cenário econômico ainda "desanimador", nas palavras de Duttagupta.

"Os países emergentes e em desenvolvimento até agora se mostraram extraordinariamente resistentes à crise global, e concluímos que os preços das commodities são um dos principais fatores por trás disto", disse a especialista.

"Os preços das commodities ainda estão altos, provendo uma oportunidade para (os países) reforçarem instituições e proteções se a sitação piorar."

Boas práticas

Os analistas do FMI apontam que, de um forma geral, os países exportadores de commodities tomaram medidas que vão no caminho certo de se precaver para evitar um choque no futuro.

O relatório cita o Brasil, Chile, Colômbia, África do Sul e Tailândia, entre outros países, como exemplos de nações que conquistaram avanços reais do PIB e reduziram consideravelmente seus níveis de dívida pública.

Duttagapta citou ainda alguns países da Opep, o cartel de exportadores de petróleo, e a Noruega, como exemplos de nações que estão "indo na direção certa".

As exportações líquidas de commodities compõem cerca de 30% do total das exportações do Brasil, segundo o relatório.

É um peso importante, mas ao mesmo tempo representa a 2ª menor dependência entre os países latinoamericanos nesse quesito, excetuando-se o México.

O relatório cita medidas que considera corretas no cenário de elevação permanente no preços das commodities: "elevar o investimento público, reduzir os impostos sobre o emprego e o capital melhoram a produtividade do setor privado, a produção e o bem-estar".

"Entretanto, identificar com certeza se uma mudança nos preços das commodities é temporário ou permanente é muito difícil na prática."

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