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11 de agosto, 2000 Publicado às 22h30 GMT
Jovens sob pressão para perder a virgindade mais cedo

Preocupações dos adolescentes se dividem entre brincadeiras e sexo

Mônica Valéria Villela

A virgindade é um causa de grande pressão psicológica para os jovens.

Só que hoje a pressão é contrária à que havia no passado. Os jovens se sentem deslocados se chegam até uma determinada idade e ainda são virgens, principalmente os homens.

O estudante Rubens Marques, 20 anos, de João Pessoa, Paraíba, diz que os amigos não respeitam a decisão dele, de só experimentar o sexo quando chegar o “momento certo”.

“Eles me dizem o tempo todo que têm que resolver meu problema. Mas, para mim, a virgindade não é um problema e nunca vai ser”, conta Marques.

Pressão

“A pressão acontece para você perder a virgindade”, diz o bispo Rafael Llanos Cifuentes, da pastoral da Família e Juventude, no Rio de Janeiro.

Responsável pelo aconselhamento de milhares de jovens, o bispo diz que o conflito maior das meninas é ter que assumir que são virgens.

“Muitas garotas têm medo de ser ridicularizadas”, conta Cifuentes.

Para a psicóloga Lúcia Araújo, do Rio de Janeiro, os adolescentes têm muito conflitos porque ainda estão firmando sua personalidade numa transição para a vida adulta.

Mas ela diz que, aos poucos, eles vão aprendendo como lidar com novos conceitos de sexualidade.

“A sociedade brasileira está mudando, o mundo também. Mas, ainda há muito o que fazer para que as pessoas se liberem da vergonha do corpo", afirma Lúcia.

"Grupos de reflexão e debate com adolescentes e jovens estão crescendo no Brasil. O problema é que os adolescentes refletem a repressão que a geração de seus pais tinham.”

Sociedade

A psicóloga lembra ainda que apesar de terem uma cultura, marcada pela sensualidade, na qual o sexo é exposto, os brasileiros ainda são muito reprimidos para falar, abertamente, sobre aspectos ligados à sexualidade.

Até poucas décadas, no Brasil, a maioria das meninas era ensinada pela família a permanecer virgens até o casamento.

A mulher que fizesse um opção diferente poderia ficar mal vista na sociedade.

“Virgindade era um tabu e um valor associado ao caráter. A menina que agisse diferente daquele padrão poderia ser expulsa de casa, chamada de vadia ou até de prostituta”, diz a psicóloga Lúcia Araújo.

A partir dos anos 60 e 70, várias transformações culturais contribuiram para marcar grandes mudanças de comportamento.

A pílula anticoncepcional, a revolução estudantil, a entrada das mulheres no mercado de trabalho e a emancipação feminina serviram para questionar os valores tradicionais de então.

E as mulheres descobriram um papel mais ativo na sociedade. A transformação foi grande nos últimos anos, a ponto de reverter, pelo menos em parte, o tabu da virgindade.

 

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