Hezbollah
perde missão de guerra e investe na política

Manifestação do Hezbollah em Beirute
Guila
Flint, correpondente da BBC no Oriente Médio
Para
as autoridades israelenses, o Hezbollah é um bando de terroristas.
Para
o Mundo Árabe, é um movimento de libertação
nacional.
Porém,
dentro do contexto libanês, o significado desse grupo vai
muito além desse tipo de definição.
O Hezbollah
– que em árabe significa Partido de Allah - foi fundado durante
a guerra do Líbano, em 1982, com apoio ativo do Irã
e apoio passivo da Síria, para lutar contra a ocupação
israelense no sul libanês.
Dezoito
anos depois, no último dia 24 de maio, o movimento comemorou
sua vitória quando Israel retirou suas tropas do território
libanês.
O movimento
foi fundado pelo Sheikh Abas Mussawi, que se inspirou na revolução
islâmica do Irã para criar uma força muçulmana
xiita.
O Hezbollah
conquistou rapidamente um grande apoio da população
xiita, que é o maior grupo étnico-religioso no Líbano
e que se sente injustiçada tanto politicamente como economicamente.
Camada
mais pobre
A
camada mais pobre da população libanesa é composta
pelos xiitas, e eles também têm a menor parcela do
poder político.
O movimento
desenvolveu uma atividade diversificada, respondendo às necessidades
da grande população xiita e conquistando um espaço
cada vez maior na sociedade libanesa.
Hoje
em dia, o Hezbollah é o maior movimento social no Líbano.
Como
uma versão xiita de uma ONG, o Hezbollah possui cinco hospitais,
dezenas de clínicas medicas, um amplo sistema escolar e um
sistema de assistência social.
Segundo
dados da ONU, mais de 220 mil cidadãos libaneses recorreram
aos serviços do Hezbollah durante o ano de 1999.
Milhares
de jovens estudam em suas escolas. Como outros movimentos fundamentalistas
no Oriente Médio, por exemplo, o movimento islâmico
palestino Hamas, o Hezbollah constrói sua força a
partir de um trabalho social.
Respondendo
às necessidades sociais da população, esses
movimentos criam uma dependência que resulta numa lealdade
quase absoluta.
O social
também se junta ao religioso.
O
Hezbollah controla as mesquitas, que servem como centro de reunião.
Desde
1992, o Hezbollah também participa das eleições
para o parlamento libanês, juntando assim o social, o religioso
e o político.
Parlamento
Atualmente,
o partido tem nove cadeiras no parlamento. O número deve
aumentar nas próximas eleições, previstas para
agosto.
Depois
da retirada das tropas israelenses do Líbano, alguns porta-vozes
do Hezbollah declararam que a missão militar do movimento
terminou e que, de agora em diante, eles vão investir todos
os esforços na construção de sua força
política.
Fortalecidos
pela vitória militar, os xiitas deverão reivindicar
parcelas maiores do poder político e econômico.
Uma
das reivindicações pode ser o cargo do presidente,
destinado tradicionalmente ao grupo maronita.
Desde
o censo demográfico realizado em 1932, ficou estabelecido
que o cargo de presidente do Líbano seria destinado aos maronitas,
que naquela época constituíam o grupo majoritário
na população.
Os
maronitas, cristãos de orientação ocidental,
ainda têm a hegemonia econômica, porém deixaram
de ser a maioria.
Hoje,
o maior grupo é xiita. Alguns analistas dizem que dentro
de poucos anos, o Sheikh Hassan Nasrallah, líder do Hezbollah,
pode vir a ser o presidente do Líbano.
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