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26 Maio, 2000 Publicado às 16:00 GMT
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Especial: Processo de Paz no Oriente Médio
Um estranho silêncio no Oriente Médio
Israeli forces
Soldados israelenses abandonam posições no sul do Líbano

Guila Flint, correspondente da BBC no Oriente Médio

Quando Ehud Barak foi eleito primeiro-ministro de Israel, no dia 17 de Maio de 99, ele prometeu retirar as tropas israelenses do Líbano dentro de um ano.

Essa semana, no dia 24 de Maio de 2000, ele cumpriu a promessa.

Depois de 22 anos de ocupação militar, o último soldado israelense saiu do território libanês na quarta-feira.

Ao ser eleito, porém, Barak esperava assinar um acordo de paz com a Síria e o Líbano durante seu primeiro ano de gestão.

Isso não aconteceu e a retirada foi realizada de forma unilateral, sem quaisquer garantias de segurança ou de normalização das relacões entre Israel e seus vizinhos do norte.

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Sem um acordo de paz, a questão é se a retirada contribuirá para tranquilizar a região ou vai agravar ainda mais os conflitos existentes.

A abolição da faixa de segurança antes mantida por Israel no sul do Líbano cria uma proximidade perigosa entre as cidades do norte de Israel e as forças da guerrilha islâmica Hezbollah.

Israel advertiu que, se após a retirada alvos israelenses forem atacados, a represália poderá ser contra o próprio exército sírio.

Nesse caso, a consequência da retirada israelense poderia ser até uma guerra entre Israel e Síria, o que seria desastroso.

A chave está nas mãos do presidente da Síria, Hafez El Assad, quem tem a verdadeira hegemonia no Líbano e apóia o Hezbollah.

É pouco provável que Assad, com um exército extremamente enfraquecido e uma economia precária, esteja interessado numa guerra com Israel.

Segundo essa lógica, ele deverá fazer todos os esforcos para impedir que os guerrilheiros do Hezbollah continuem atacando Israel após a retirada do sul do Líbano.

Resta saber se Assad tem realmente total controle sobre o Hezbollah ou se não haverá uma ação de um dos grupos guerrilheiros que arraste toda a região para o caos.

Lebanon scene
No Líbano: alegria pela terra, mas até quando?

Habitantes do norte de Israel relatam que nos últimos dois dias há na região "um silêncio estranho", após muitos anos ouvindo o ruído constante dos tiroteios no sul do Líbano.

Guerrilheiros e simpatizantes do Hezsbollah da aldeia de Kila se aproximam da cerca que os separa da cidade israelense Metula e gritam seu ódio contra os israelenses.

A apenas dois metros, os israelenses, perplexos, vêem aquela explosão de sentimentos e têm medo do futuro.

Mas dessa vez são gritos ao invés de tiros.

Hafez El Assad provavelmente não quer a guerra, mas também não quer a paz.

Golã

 
IDF leaving Lebanon
Soldados israelenses: a alegria de escapar com vida

Israel deu a entender claramente há oito anos que está disposto a devolver à Síria as colinas do Golã e até hoje não houve avanço algum nas negociacões, apesar dos esforços dos Estados Unidos e das promessas de uma generosa contrapartida econômica para a Síria.

Segundo analistas, a paz com Israel traria uma abertura política e econômica que poderia ameaçar o regime autoritário de Assad.

O interesse principal do líder sírio é se manter no poder e transferi-lo em breve para o filho.

Nessas circunstâncias, a única coisa certa nas relações entre Israel e seus vizinhos do norte é a incerteza.

Com os palestinos, a situação é mais complicada ainda, pois Israel não está disposta a se retirar de toda a área da Cisjordânia e da Faixa de Gaza.

Israel mantém 200 mil colonos instalados em assentamentos nos territórios palestinos e já declarou que pretende manter a maioria deles sob soberania israelense.

A maioria das terras férteis e mais de 50% das fontes de água da região se encontram sob o controle desses assentamentos, impossibilitando a criação de uma economia palestina viável.

Os grandes blocos de assentamentos que Israel pretende manter fragmentam a área impossibilitando uma mínima continuidade territorial para que os palestinos possam criar um Estado independente.

Israel se nega a assumir qualquer responsabilidade pela questão dos refugiados palestinos.

3,5 milhões de refugiados

De acordo com dados da ONU, há três milhões e meio de refugiados palestinos dispersos em campos de refugiados na Cisjordania, na Faixa de Gaza, e tambem na Jordânia, Líbano, Síria e Iraque.

E há também a questão de Jerusalém - os palestinos querem que a capital de seu Estado seja Jerusalém Oriental.

Israel se nega a discutir o assunto, afirmando que Jerusalém é sua capital eterna e indivisível.

A retirada das tropas israelenses do Líbano pode ser um primeiro passo.

Porém, para resolver o conflito entre Israel e o mundo árabe, ainda há muito trabalho e muitas incertezas pela frente.

Não é suficiente a retirada dos territórios. É vital um acordo de paz.

E, além do acordo entre governos, é necessário um verdadeiro processo de reconciliação entre os povos.

Só assim se poderá superar o ódio acumulado durante tantos anos.

 

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Cronologia do conflito


Tira-teima: A retirada de Israel
A BBC analisa os principais pontos do final da ocupação israelense no sul do Líbano.
Links na Internet:
(Em Inglês)

ISRAEL
Government Gateway
Foreign Ministry
Ariga treaties
B'Tselem
Golan Council
Hebron Community
Iris
Red Line

PALESTINA
Palestinian Authority
Hebron
JMCC
Jerusalemites
Land and Water (Law)

SÍRIA
Min of Information
Syrian Arab News
Occupied Golan

LÍBANO
Parliament
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Hezbollah

INTERNACIONAL
UN - Palestine
US State Department

IMPRENSA DA REGIÃO
Al-Ahram Weekly
Daily Star
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Jordan Times


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