Um
estranho silêncio no Oriente Médio

Soldados
israelenses abandonam posições no sul do Líbano
Guila
Flint, correspondente da BBC no Oriente Médio
Quando
Ehud Barak foi eleito primeiro-ministro de Israel, no dia 17 de
Maio de 99, ele prometeu retirar as tropas israelenses do Líbano
dentro de um ano.
Essa
semana, no dia 24 de Maio de 2000, ele cumpriu a promessa.
Depois
de 22 anos de ocupação militar, o último soldado
israelense saiu do território libanês na quarta-feira.
Ao
ser eleito, porém, Barak esperava assinar um acordo de paz com a
Síria e o Líbano durante seu primeiro ano de gestão.
Isso
não aconteceu e a retirada foi realizada de forma unilateral, sem
quaisquer garantias de segurança ou de normalização das relacões
entre Israel e seus vizinhos do norte.
Sem
um acordo de paz, a questão é se a retirada contribuirá para tranquilizar
a região ou vai agravar ainda mais os conflitos existentes.
A abolição
da faixa de segurança antes mantida por Israel no sul do Líbano
cria uma proximidade perigosa entre as cidades do norte de Israel
e as forças da guerrilha islâmica Hezbollah.
Israel
advertiu que, se após a retirada alvos israelenses forem atacados,
a represália poderá ser contra o próprio exército sírio.
Nesse
caso, a consequência da retirada israelense poderia ser até uma
guerra entre Israel e Síria, o que seria desastroso.
A chave
está nas mãos do presidente da Síria, Hafez El Assad, quem tem a
verdadeira hegemonia no Líbano e apóia o Hezbollah.
É
pouco provável que Assad, com um exército extremamente enfraquecido
e uma economia precária, esteja interessado numa guerra com Israel.
Segundo
essa lógica, ele deverá fazer todos os esforcos para impedir
que os guerrilheiros do Hezbollah continuem atacando Israel após
a retirada do sul do Líbano.
Resta
saber se Assad tem realmente total controle sobre o Hezbollah ou
se não haverá uma ação de um dos grupos guerrilheiros que arraste
toda a região para o caos.

No
Líbano: alegria pela terra, mas até quando?
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Habitantes
do norte de Israel relatam que nos últimos dois dias há na região
"um silêncio estranho", após muitos anos ouvindo o ruído constante
dos tiroteios no sul do Líbano.
Guerrilheiros
e simpatizantes do Hezsbollah da aldeia de Kila se aproximam da
cerca que os separa da cidade israelense Metula e gritam seu ódio
contra os israelenses.
A
apenas dois metros, os israelenses, perplexos, vêem aquela explosão
de sentimentos e têm medo do futuro.
Mas
dessa vez são gritos ao invés de tiros.
Hafez
El Assad provavelmente não quer a guerra, mas também não quer a
paz.
Golã

Soldados
israelenses: a alegria de escapar com vida |
Israel
deu a entender claramente há oito anos que está disposto a devolver
à Síria as colinas do Golã e até hoje não houve avanço algum
nas negociacões, apesar dos esforços dos Estados Unidos e das promessas
de uma generosa contrapartida econômica para a Síria.
Segundo
analistas, a paz com Israel traria uma abertura política e econômica
que poderia ameaçar o regime autoritário de Assad.
O interesse
principal do líder sírio é se manter no poder e transferi-lo em
breve para o filho.
Nessas
circunstâncias, a única coisa certa nas relações entre Israel e
seus vizinhos do norte é a incerteza.
Com
os palestinos, a situação é mais complicada ainda, pois Israel não
está disposta a se retirar de toda a área da Cisjordânia e da Faixa
de Gaza.
Israel
mantém 200 mil colonos instalados em assentamentos nos territórios
palestinos e já declarou que pretende manter a maioria deles sob
soberania israelense.
A
maioria das terras férteis e mais de 50% das fontes de água da região
se encontram sob o controle desses assentamentos, impossibilitando
a criação de uma economia palestina viável.
Os
grandes blocos de assentamentos que Israel pretende manter fragmentam
a área impossibilitando uma mínima continuidade territorial para
que os palestinos possam criar um Estado independente.
Israel
se nega a assumir qualquer responsabilidade pela questão dos refugiados
palestinos.
3,5
milhões de refugiados
De
acordo com dados da ONU, há três milhões e meio de refugiados palestinos
dispersos em campos de refugiados na Cisjordania, na Faixa de Gaza,
e tambem na Jordânia, Líbano, Síria e Iraque.
E há
também a questão de Jerusalém - os palestinos querem que a capital
de seu Estado seja Jerusalém Oriental.
Israel
se nega a discutir o assunto, afirmando que Jerusalém é sua capital
eterna e indivisível.
A
retirada das tropas israelenses do Líbano pode ser um primeiro passo.
Porém,
para resolver o conflito entre Israel e o mundo árabe, ainda
há muito trabalho e muitas incertezas pela frente.
Não
é suficiente a retirada dos territórios. É vital um acordo de paz.
E,
além do acordo entre governos, é necessário um verdadeiro processo
de reconciliação entre os povos.
Só
assim se poderá superar o ódio acumulado durante tantos anos.
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