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Especial:
Decodificando a Humanidade Dr. Damian Carrington, da BBC News Online O mapa da humanidade, o livro da vida, o software da existência – não importa a expressão utilizada, o fato é que a decodificação dos três bilhões de elementos do genoma humano é uma realização monumental. Muitos especialistas acreditam que os responsáveis pela façanha terão dado um dos grandes passos da história da ciência, e a concessão do Prêmio Nobel para eles é praticamente certa. A proeza é ainda mais impressionante porque, 15 anos atrás, ela parecia irrealizável. Cada célula possui uma tira de 2 metros de comprimento que contém instruções para cada aspecto físico do corpo humano, desde o formato dos vasos capilares dos pulmões até a cor dos olhos. Medicina O acesso a esse tipo de informação abre um amplo leque de possibilidades para a medicina, criando perspectivas de cura para doenças que hoje não dispõem de um tratamento eficaz. Só que os últimos estágios dessa conquista da ciência acabaram tomando um direção bem pouco nobre. Cientistas de renome internacional acabaram trocando acusações de desonestidade e ignorância. De um lado, se reúnem cientistas que fazem suas pesquisas em instituições financiadas com dinheiro público e desejam que suas descobertas sejam utilizadas livremente, sem a cobrança de direitos autorais. Eles fazem parte de um projeto que prevê o gasto de R$ 5,5 bilhões em em 12 anos, R$ 940 milhões dos quais apenas em pesquisas sobre o genoma humano. Mercado Do outro lado, ficam os cientistas financiados por empresas privadas, que acreditam que só as leis do mercado e o dinheiro das grandes empresas são capazes de fazer as pesquisas com o genoma humano chegarem a resultados com rapidez, agilizando a difusão de seus benefícios. Um desses cientistas, Craig Venter, causou alvoroço em 1998, quando afirmou que conseguiria decodificar o genoma humano em três anos, gastando apenas um décimo do orçamento estimado para as pesquisas das instituições públicas. Ele ainda pode cumprir essa promessa – em abril, Venter anunciou que todos os elementos químicos do DNA humano já haviam sido identificados, mas ainda era necessário colocá-los na ordem correta. Propriedade Colabora para o mau clima entre os pesquisadores a discussão a respeito de quem deve ficar com os direitos de uso dos pedaços do mapa genético que vão sendo decodificados todos os dias. A verdade é que os proprietários desses códigos genéticos têm para acumular fortunas fabulosas com seu uso industrial. A pergunta que muita gente faz é a seguinte: a utilização comercial seria uma forma de ampliar a eficiência da medicina ou uma maneira de lucrar com um bem que pertence a toda raça humana? Os conhecimentos trazidos pela decodificação do código genético também levantam algumas questões de ética médica. Por exemplo, se exames feitos ainda no útero da mãe mostrarem que uma criança sofre de uma doença genética que lhe vai matar em sua infância, quem decide se ela deve ou não ser abortada? Determinismo E também há quem argumente que essa história de mapa genético é exagerada, e na verdade a vida das pessoas é mais influenciada pelo ambiente onde elas vivem do que por seu DNA. Mas a maioria dos cientistas concorda que esse primeiro "rascunho" do genoma humano será apenas a conclusão da etapa inicial das pesquisas sobre o assunto. A analogia que se faz é a seguinte: os bilhões de elementos que estão sendo decifrados nada mais são do que as "letras". Depois será preciso entender as "palavras" (que são os genes) e a "linguagem", que correspondem às funções que esses genes desempenham. Uma coisa, porém, é certa: uma vez que a seqüência dos elementos do DNA tiver sido revelada, ela jamais se tornará secreta novamente. "Essa seqüência estará nos computadores para sempre, o que torna o genoma humano um projeto de proporções bíblicas", diz o cientista John Sulston. E, para melhor ou para pior, é certo também que o mundo jamais será o mesmo – para ninguém. |
Links na Internet: (Em Inglês) Human Genome Project Celera Genomics DNA desde o início A BBC não se responsabiliza pelo conteúdo dos links indicados. |
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