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Especial:
Decodificando a Humanidade Dr. Damian Carrington, da BBC News Online Se a decodificação do genoma humano anuncia uma nova era para a medicina, ela também traz a necessidade de um novo código ético e moral para a pesquisa. Muitos acreditam, no entanto, que a pesquisa científica avança em uma velocidade muito maior do que as necessárias discussões de como explorar essa nova e potente tecnologia. Tomemos como exemplo a gravidez. Como proceder no caso de um suposto teste genético realizado no feto identifique a criança irá morrer por problemas futuros logo na adolescência? Nesse caso, como coloca Sheila McLean, professora de Direito e Ética Médica na Universidade de Glasgow, na Escócia, se os pais optam opr continuar com a gravidez, eles poderão ser vistos como irresponsáveis. Isso poderia levar a pressões incômodas, segundo Donald Bruce, do Projeto Sociedade, Religião e Tecnologia, na Escócia. "Poderia haver pressão para a realização do aborto, por razões de bem-estar e até econômicas", diz Bruce. Temores éticos Pessoas cujas famílias sofreram por causa de doenças herdadas têm uma diferente perspectiva. John Gillot, do Genetic Interest Group, que reúne 120 organizações não-governamentais de apoio a portadores de deficiência genética no Reino Unido, diz que há uma ansiedade desnecessária sobre o assunto. "Não acho que haja muita pressão cultural em relação ao aborto no Reino Unido", diz Gillot. "Os testes podem ser benéficos. Eles podem clarificar a situação para as pessoas e, mesmo se o resultado de um teste sobre anomalia genética for positivo, é o gene, e não o teste, que dá esse parecer", diz Gillot. O professor McLean, no entanto, acredita que acreditar que as pessoas vão agir eticamente não é o suficiente. "É muito otimismo sobre a condição humana imaginar que esse tipo de pressão não vai ocorrer. Podemos abrir precedentes perigosos. Inicialmente, poderíamos eliminar todos os fetos e embriões com fibrose cística, por exemplo. Mas o próximo passo poderia ser eliminar fetos que apresentassem sinais de doenças tardias, como o mal de Huntingdon, que só afeta as pessoas após 40 anos de idade". Política social Outra preocupação diz respeito à possibilidade de discriminação contra pessoas com base na sua herança genética. Os considerados menos inteligentes, por exemplo, poderiam ser descartados para ocupar certos empregos. O professor Robert Plomin, do Instituto de Psiquiatria do Kings´s College, em Londres, conduziu uma pesquisa polêmica que sugere uma base genética para a inteligência. Ele não se preocupa, no entanto, com a possibilidade de discriminação no caso dessa base genética ser identificada. "Isso não quer dizer que nós vamos dar o melhor da nossa sociedade para crianças que tenham determinados genes. De fato, poderíamos ter uma perspectiva inversa, a de nos determos sobre as crianças que estão na outra extremidade, e que estão cada vez deixadas mais para trás". "Quanto mais discutimos esses assuntos, menos assustador ele se torna", diz Plomin. |
Links na Internet: (Em Inglês) Human Genome Project Celera Genomics DNA desde o início A BBC não se responsabiliza pelo conteúdo dos links indicados. |
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