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Especial: Decodificando a Humanidade
15 de junho, 2000 Publicado às 16h50
A ética da genética

Dr. Damian Carrington, da BBC News Online

Se a decodificação do genoma humano anuncia uma nova era para a medicina, ela também traz a necessidade de um novo código ético e moral para a pesquisa.

Muitos acreditam, no entanto, que a pesquisa científica avança em uma velocidade muito maior do que as necessárias discussões de como explorar essa nova e potente tecnologia.

Tomemos como exemplo a gravidez.

Como proceder no caso de um suposto teste genético realizado no feto identifique a criança irá morrer por problemas futuros logo na adolescência?

Nesse caso, como coloca Sheila McLean, professora de Direito e Ética Médica na Universidade de Glasgow, na Escócia, se os pais optam opr continuar com a gravidez, eles poderão ser vistos como irresponsáveis.

Isso poderia levar a pressões incômodas, segundo Donald Bruce, do Projeto Sociedade, Religião e Tecnologia, na Escócia.

"Poderia haver pressão para a realização do aborto, por razões de bem-estar e até econômicas", diz Bruce.

Temores éticos

Pessoas cujas famílias sofreram por causa de doenças herdadas têm uma diferente perspectiva.

John Gillot, do Genetic Interest Group, que reúne 120 organizações não-governamentais de apoio a portadores de deficiência genética no Reino Unido, diz que há uma ansiedade desnecessária sobre o assunto.

"Não acho que haja muita pressão cultural em relação ao aborto no Reino Unido", diz Gillot.

"Os testes podem ser benéficos. Eles podem clarificar a situação para as pessoas e, mesmo se o resultado de um teste sobre anomalia genética for positivo, é o gene, e não o teste, que dá esse parecer", diz Gillot.

O professor McLean, no entanto, acredita que acreditar que as pessoas vão agir eticamente não é o suficiente.

"É muito otimismo sobre a condição humana imaginar que esse tipo de pressão não vai ocorrer. Podemos abrir precedentes perigosos. Inicialmente, poderíamos eliminar todos os fetos e embriões com fibrose cística, por exemplo. Mas o próximo passo poderia ser eliminar fetos que apresentassem sinais de doenças tardias, como o mal de Huntingdon, que só afeta as pessoas após 40 anos de idade".

Política social

Outra preocupação diz respeito à possibilidade de discriminação contra pessoas com base na sua herança genética.

Os considerados menos inteligentes, por exemplo, poderiam ser descartados para ocupar certos empregos.

O professor Robert Plomin, do Instituto de Psiquiatria do Kings´s College, em Londres, conduziu uma pesquisa polêmica que sugere uma base genética para a inteligência.

Ele não se preocupa, no entanto, com a possibilidade de discriminação no caso dessa base genética ser identificada.

"Isso não quer dizer que nós vamos dar o melhor da nossa sociedade para crianças que tenham determinados genes. De fato, poderíamos ter uma perspectiva inversa, a de nos determos sobre as crianças que estão na outra extremidade, e que estão cada vez deixadas mais para trás".

"Quanto mais discutimos esses assuntos, menos assustador ele se torna", diz Plomin.

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Principais matérias:

Genoma humano: o Livro da Vida

O que o genoma pode fazer por você

A ética da genética


Links na Internet:
(Em Inglês)
Human Genome Project
Celera Genomics
DNA desde o início

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